Texto Bíblico: Lucas 16:1-15

INTRODUÇÃO

Nesta parábola veremos como Jesus elogiou um homem por sua prudência em se preocupar com o futuro. Apesar do exemplo referir-se a alguém acusado de desonestidade, suas ações posteriores, porém, demonstram o tipo de atitude que o Senhor espera que os cristãos tenham em relação a este mundo e ao vindouro.

  1. 1.      O Problema

O administrador acusado de desonestidade havia acabado de receber uma palavra dura de seu senhor. Em breve ele estaria desempregado pelo indício de estar desperdiçando os bens de seu patrão. – “O que fazer?” Pensou ele. Procurou algumas alternativas, porém, nenhuma lhe satisfez plenamente.

Na parábola anterior (Lucas 15:11-32), o filho pródigo (esbanjador), também tinha desperdiçado os bens de seu pai. Talvez seja por isso que as duas parábolas estejam próximas uma da outra.

Todos nós estávamos em dívida para com o Pai Celestial. Assim como o Filho Pródigo ou o Administrador Desonesto, precisávamos encontrar o Caminho do arrependimento e da tomada de novas decisões que gerassem novas atitudes. Foi o que ambos fizeram para nos legar um novo referencial.

  1. 2.      A Saída

Depois de pensar um pouco, achou uma saída: Chamou os que deviam ao seu senhor, perguntou quanto cada um estava devendo, e pediu-lhes que escrevessem um valor menor do que realmente era a dívida. Para não lesar o seu senhor, provavelmente, ele agiu de uma ou outra forma:

a)       Ou, completando o valor com os seus próprios recursos,

b)      Ou, abrindo mão de sua comissão referente ao serviço de administrador.

Certamente o seu senhor não foi prejudicado porque essa atitude foi de seu conhecimento e aprovação, conforme nos dá a entender o versículo 8: “O senhor elogiou o administrador desonesto”. Ele é chamado de desonesto não pela atitude atual, agora louvável, mas sim pelo que foi observado no início da parábola.

A atitude dele fez com que os devedores de seu senhor se sentissem aliviados de suas dívidas e gratos pela iniciativa dele. Eles se tornariam amigos do administrador, abrindo-lhe portas em tempos de necessidade.

Acreditamos que Jesus está querendo enfatizar sobre a importância de abrir mão agora para conquistar depois. De perder agora para ganhar depois. De sair no prejuízo agora para depois obter o verdadeiro lucro.

  1. 3.      O Ensino

Além dos ensinos já assimilados acima, cremos que Jesus quis apresentar-nos as seguintes lições:

a)       O administrador desonesto era considerado um “filho deste mundo”, no entanto, foi prudente, preocupando-se com o dia de amanhã. Portanto, os “filhos da luz” também devem estar trabalhando pelo dia de amanhã, não olhando, porém, somente para a vida presente, mas principalmente para a vida eterna. (v. 8).

b)      O dinheiro que passa pelas nossas mãos oriundo deste mundo iníquo, não deve ser usado nem de forma desonesta nem de forma egoísta. Ele precisa ser usado para conquistar amigos; não pensando nas moradas terrenas que estes possam nos abrir, mas nas moradas eternas. Se fizermos o bem nesta vida, ajudando o necessitado, abrindo mão aqui ou até levando prejuízo ali, porém, em favor dos outros, receberemos muito mais do que portas terrenas abertas; receberemos e passaremos pelas portas celestiais (v. 9).

c)      Se formos fiéis no pouco, Deus nos colocará sobre o muito. O pouco refere-se aos recursos deste mundo, infinitamente menores e inferiores que os do mundo porvir. Se formos desonestos na administração dos recursos terrenos, não seremos dignos de administrar os recursos celestiais futuros (v. 10).

d)      O tempo presente é um período de prova para cada um de nós. Se provarmos ser fiéis e dignos de confiança no trato dos bens deste mundo ímpio, um dia, na eternidade, Deus nos confiará o que realmente há de nos pertencer; o que Ele chama de “verdadeiras riquezas” (v. 11).

e)       O Senhor deixou claro nesta parábola que todos os recursos e bens deste mundo não nos pertencem. Estamos administrando o que é dos outros. Por que? Porque o sistema financeiro atual pertence a este mundo presente que um dia passará, com toda a sua glória terrena. Portanto o que temos em mãos hoje é transitório e passageiro. Na verdade, devemos trabalhar não pelo que passa, mas pelo que é eterno, e que um dia nos será entregue, de acordo com a nossa fidelidade na administração do terreno (v. 12).

f)       Se tivermos a visão de que devemos trabalhar hoje pensando nas riquezas eternas, não nos apegaremos ao dinheiro deste mundo presente. Não amaremos ao dinheiro em detrimento do amor que devotaríamos exclusivamente a Deus. Jesus nos ensinou de que não podemos servir a dois senhores. Não podemos servir a Deus e ao Dinheiro (v. 13).

g)      Os fariseus que ouviram a parábola deveriam se identificar com ela. Eles eram administradores desonestos que estavam desperdiçando os bens de seu Senhor. Como conhecedores da Palavra de Deus eles deviam administrar bem o Reino dos Céus fazendo-o chegar aos homens por meio da pregação, do ensino e da ministração aos necessitados. No entanto, estavam mais preocupados com eles mesmos, desfrutando de suas riquezas pessoais e dos privilégios sobre o povo. Eles, na verdade, deviam fazer o que o administrador da parábola fez: aliviar o peso da dívida de sobre os ombros das pessoas, pagando eles mesmos o preço da renúncia, do sacrifício e do serviço em favor do próximo, esperando receber a recompensa não nesta vida, mas na vindoura (v. 14-15).

CONCLUSÃO e APLICAÇÃO GERAL

Discípulos, fariseus e igreja de hoje: Administremos bem os recursos deste mundo ímpio em favor das pessoas e não em benefício próprio, estando certos de que a nossa fidelidade no tempo presente nos abrirá as portas celestiais na eternidade.

 Wilson Maia