Texto Bíblico: Lucas 15:8-10

 INTRODUÇÃO

Na lição anterior, vimos a alegria de um filho restaurado que voltou para casa, e a de um pai que recebeu seu filho de volta. Porém, nem tudo foi festa. Alguém ficou extremamente indignado com tudo isso e recusou-se a participar do banquete. Hoje veremos os motivos que levaram o irmão mais velho a agir como agiu.

  1. 1.      Ele Teve Dificuldade de se Alegrar Com a Restauração do Irmão, Porque:

a)      Estava indignado com a atitude do irmão (15:30) – Tudo o que o irmão havia feito, saindo de casa, desperdiçando os bens, caindo em pecado com as mulheres, e tudo o mais, estava bem gravado em sua mente. Tornou-se mais relevante para ele o pecado do irmão, do que toda a relação fraterna entre eles existente anteriormente.

b)      Estava indignado com a festa oferecida ao irmão (15:28 e 30) – Em sua mente, pecado merece castigo e não banquete. Porém, ele não entendia que o que se celebrava ali não era ao pecado cometido, mas sim, ao arrependimento manifestado.

c)      Estava indignado com a relação sangüínea de irmão (15:30) – Na conversa com o pai ele disse: “Vindo, porém, este teu filho…”. Por que não: “meu irmão”? O tratamento já não era de irmão para irmão; no coração o mais velho já havia desvinculado-se do mais novo, como se este fosse um estranho qualquer.

d)      Estava indignado com o amor do pai pelo irmão (15:30) – Algo que ele também não podia entender era como o pai podia amar a quem havia se tornado um transgressor?!  Como o pai podia amar a quem havia desperdiçado seus bens?! Como o pai podia amar um pecador, a ponto de lhe dar um banquete, depois de tudo o que fez?!

O problema real do irmão mais velho era falta de amor pelo mais novo. O verdadeiro amor perdoa, é misericordioso, alegra-se com a restauração, esquece a ofensa e não enfatiza o mal. Daí toda a sua indignação contra o irmão e a sua incapacidade de compreender a atitude amorosa do pai. O seu coração rancoroso era totalmente incompatível ao arrependimento do irmão e ao amor do pai. “Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas… Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos.” (I João 2:9 e 11) 

  1. Ele Teve Dificuldade de Compreender a Si Próprio. Como Ele Vivia?

a)      Servindo ao pai há tantos anos – A relação que o mais velho tinha com o seu pai era de empregado e patrão ou de servo e senhor, e nunca de filho e pai. Provavelmente tenha levado sobre os ombros por muitos anos o peso de cumprir funções e tarefas para o dono da casa, e nunca tenha parado para desfrutar da condição de filho, amando a seu pai e servindo-o em amor, e não como a um patrão.

b)      Obedecendo a todos os mandamentos – Como um funcionário exemplar ele cumpria todos os mandamentos e regras da casa (ou pelo menos achava que cumpria). Mas, tudo o que fazia era para ser reconhecido. Ele se esquecia de que o pai já o reconhecia, não, porém, pelo que ele fazia e sim pelo que ele era, seu filho.

c)      Nunca, porém, desfrutando de sua filiação – Quando o pai o viu indignado por causa do bezerro cevado preparado para o irmão, ele lhe disse: “Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas…”. Ele queria dizer que o bezerro cevado, bem como todas as demais coisas, já eram dele há muito tempo, e estiveram em todo o tempo à disposição dele. Na verdade, como filho, ele já era dono de tudo, mas nunca se deu conta disso, porque sempre se viu como servo.

Além da falta de amor pelo irmão, o mais velho também sofria de uma terrível crise de identidade: quem ele era. Ele era filho, mas se via como servo. Quando nos vemos a nós mesmos de forma distorcida, certamente isso afetará a nossa visão dos outros. Se não consigo aceitar-me a mim mesmo, dificilmente aceitarei os outros. Então, preciso ser curado pelo maravilhoso amor do Pai, e envolvido pela certeza de que Ele me ama não pelo que eu faço ou vier a fazer, mas simplesmente porque Ele ama me amar. Só assim eu poderei olhar para os outros de uma forma mais compreensiva, e não tão exigente.

CONCLUSÃO

O irmão mais velho representa os religiosos da época de Jesus, que não se conformavam que o evangelho fosse pregado às pessoas por eles consideradas impuras. Não entendiam como Jesus podia conversar com prostitutas e cobradores de impostos, oferecendo-lhes esperança e salvação. Eles estavam longe de compreender o amor de Deus porque muitos deles, ainda não tinham tido uma experiência real de arrependimento. Eles se achavam justos, cumpridores dos mandamentos e merecedores do “bezerro cevado”. Tinham tudo para viverem como filhos (por causa da proximidade com as coisas espirituais), mas, na verdade, ainda eram escravos de seus próprios pecados de orgulho e de falta de amor genuíno por Deus e pelo próximo.

“Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre.” (João 8:35).

 Wilson Maia