Texto Bíblico: Lucas 18:9-14

INTRODUÇÃO

Jesus falou aos que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros. Deixando bem claro o propósito desta parábola, vamos começar descrevendo quem eram os dois protagonistas da mensagem, para descobrirmos qual dos dois, após um tempo de oração, voltou para casa justificado por Deus.

  1. 1.      Quem Era o Fariseu. 

            O nome fariseu basicamente quer dizer separar, afastar, explicar, esclarecer. É normalmente interpretado como aqueles que se separaram do resto da população comum para se consagrarem ao estudo dos cinco primeiros livros da Bíblia chamados pelos judeus de Torá. Apesar da separação, viviam também no meio do povo para ensinar sobre as Escrituras. Vemos, portanto, que ser um fariseu era um privilégio e uma honra. Porém, alguns deles, iludidos pela aparente santidade que sua separação deduzia, tornavam-se arrogantes e cruéis no julgamento de outras pessoas. Vejamos os erros do fariseu em questão:

1)      Orar Consigo Mesmo“O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira” (Lucas 18:11a) – A oração do fariseu não era dirigida a Deus, mas a ele mesmo. Na verdade ele não precisava de Deus, tendo em vista já possuir, aos seus próprios olhos, o status espiritual desejado.

2)      Suas Referências Eram as Pessoas e Não Deus “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano” (Lucas 18:11b.) – O fariseu se sentia confortável em relação à sua condição espiritual porque ele se comparava com os homens e não com Deus. Olhando para os homens ele via seus pecados de roubo, injustiça e adultério. A visão do pecado na vida de outros fazia com que ele se achasse melhor e mais santo. Faltava-lhe, porém, uma experiência real com Deus. Diante da verdadeira santidade do Pai Celestial, o fariseu certamente se envergonharia de quem ele era, e clamaria, urgentemente, por transformação de vida.

3)      Confiava em Sua Própria Justiça“Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.” (Lucas 18:12) – Mais uma vez o foco estava errado. Primeiro olhava para os homens e se comparava com eles; agora, olha para si próprio, e fica satisfeito com o que vê. Se contemplasse as Escrituras com tanta intensidade quanto contemplava a si próprio, descobriria que seus atos externos sem o respaldo de um coração amoroso e humilde, nada representavam para Deus. Veja a importância de um coração cheio do amor de Deus: “E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” (I Corintios 13:3). Agora, a importância de se ter um coração humilde: “Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos. Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” (Salmo 51:16-17).

Devemos reconhecer quando nossas orações estão mais dirigidas às pessoas que nos ouvem do que a Deus, quando oramos em público. Buscar nos comparar com outros  poderá trazer uma falsa impressão de santidade ou de pecado. Quando estabelecemos como referencial a nós mesmos, também podemos incorrer em erro. A nossa referência verdadeira deve ser a Palavra de Deus.

  1. 2.      Quem Era o Publicano

O publicano era um cobrador de impostos no Império Romano. Geralmente, odiado pelos judeus pela cobrança dos impostos em favor de um Império a que o povo não queria honrar, além de serem conhecidos (alguns deles), como pessoas desonestas, que cobravam além do que era justo. No entanto, a consciência de seus erros e de sua indignidade diante de Deus, leva a esse publicano a buscar ao Senhor de uma forma piedosa, muito mais próxima de chamar a atenção do Pai, do que na atitude do religioso fariseu. Vejamos seus acertos:

1)      Verdadeiramente Orava a Deus“Ó Deus…” (Lucas 18:13) – A oração do publicano era do mais profundo do seu coração. Batendo no peito ele dirigia ao Pai com intensidade sua súplica sincera por misericórdia.

2)      Suplicava por misericórdia“…tem misericórdia de mim,…” (Lucas 18:13) – Ele sabia quem era e o quanto necessitava do favor divino. Por isso, totalmente desprovido de justiça e de méritos, não podendo se apoiar em absolutamente nada, ele contava apenas com a misericórdia de Deus.

3)      Estava Consciente de Quem Era“…pecador.” (Lucas 18:13) – No começo, relata-se que ele não se sentia digno nem de levantar os olhos ao céu. O começo da restauração na vida de um pecador é quando ele reconhece suas próprias misérias. Seu acerto não era o de viver na prática do pecado, mas na atitude consciente de reconhece-lo e de buscar socorro divino. Esse reconhecimento se demonstra ao ficar de longe e de se sentir envergonhado até mesmo de levantar os olhos ao céu. No final de sua oração ele suplica misericórdia a um pecador.

Nossas orações devem ter por objetivo falar ao coração de Deus. Com sinceridade, reverência e humildade, devemos estar certos de que seremos ouvidos. Ele nos ouvirá, não por nossa justiça, mas por não resistir a um coração verdadeiramente quebrantado.

CONCLUSÃO

Somente um dos dois pôde voltar para casa justificado; e esse alguém foi o publicano. Ser justificado significa ter sido declarado justo. O fariseu a si mesmo se declarou justo, dizendo não ser pecador e praticante de boas obras. Porém, somente o publicano foi declarado justo por Deus. Essa graça foi alcançada porque ele a buscou não das mãos dos homens, mas das do próprio Deus.

Wilson Maia