Texto Bíblico: Lucas 19:20-26

INTRODUÇÃO

Ainda trabalhando na parábola das dez minas, tema da lição anterior, vamos procurar analisar a parte negativa do ensino. Se já falamos sobre as virtudes de confiança, bondade, fidelidade e autoridade, que se esperam de todo servo fiel, hoje falaremos sobre aqueles que nunca poderão ser referenciais de servo para a nossa vida.

1) Aqueles Que Guardam o Que Deveria Ser Compartilhado.

“E veio outro, dizendo: Senhor, aqui está a tua mina, que guardei num lenço” – Lucas 19:20.

            São servos que não servem, aqueles que guardam o que receberam da parte de Deus em vez de cumprir o propósito de abençoar os outros. Tudo o que Deus faz é com um propósito. Os dons, talentos, bem como as oportunidades que Ele concede, giram em torno de propósitos abençoadores. Ele é um Deus de amor que deseja fazer chegar às pessoas todos os benefícios de que elas necessitam. No entanto, Ele precisa de pessoas que sejam canais através dos quais tais bênçãos possam chegar ao seu destino.

            Tem sido você um servo consciente de que suas habilidades, dons e oportunidades, vieram de Deus para abençoar vidas?

2) Aqueles Que Não Conhecem a Deus Intimamente. 

“Porque tive medo de ti…”– Lucas 19:21.

            O homem da parábola deixou de fazer o que tinha para fazer porque a sua visão acerca de seu senhor era distorcida. Por não conhecê-lo bem, julgou que poderia ser castigado caso alguma coisa não desse certo em suas negociações. Tal julgamento, porém, estava errado. Se o conhecesse melhor, certamente se depararia com o amor e a pura motivação do coração dele; e então, esse amor se transformaria numa poderosa força motora que o levaria a dimensões mais altas ainda. Em vez de mergulhar nesse poderoso oceano, ele se deixou escravizar pelas correntes da desconfiança e da dúvida; e como conseqüência, simplesmente devolveu ao seu senhor exatamente o que tinha recebido.

            “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor” (I João 4:18). O amor de Deus agindo profundamente em nosso interior, aniquila a dormência, a paralisia e a escravidão do medo, e nos lança com intensidade numa obra produtiva em favor do Seu Reino. 

3) Aqueles Que São Mesquinhos.

“… que és homem rigoroso, que tomas o que não puseste, e segas o que não semeaste.” Lucas 19:21.

            O servo estava correto ao dizer que seu senhor tomava de onde não havia posto, e segava o que não havia semeado. Porém, ele deveria ver isso com bons olhos e não com maldade no coração. Deveria encarar aquilo como uma oportunidade para desenvolver suas habilidades, além de retribuir com gratidão toda a confiança nele depositada.

Assim como um pai encaminha bem a seu filho e espera que, do ponto em que o deixou, ele possa ir muito além, crescendo e desenvolvendo-se, assim é Deus para conosco. Nenhum pai gostaria que seu filho devolvesse-lhe o dinheiro empregado numa faculdade, depois de 4 ou 5 anos de investimento. O prazer dele seria o de ver esse investimento transformado em estabilidade profissional, alegria na família e conforto aos netos.

Se não entendermos as boas intenções de Deus que nos levam à expansão e desenvolvimento, nos tornaremos mesquinhos. A palavra “mesquinhez” vem do árabe miskín, e significa “pobre”. Às vezes a pobreza não está relacionada à falta de dinheiro, mas à falta de boa vontade, de generosidade, de desejo de expandir e de visão.

4) Aqueles Que Agem Como “Avestruz”.

“Por que não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o exigisse com os juros?” – Lucas 19:23.

            Havia um mito de que o avestruz, quando em perigo, enterrava a cabeça na terra para se proteger do inimigo. Apesar disso nunca ter sido comprovado mediante a observação ao longo dos anos, o exemplo, no entanto, pode ser válido.

Na realidade, o servo agiu dessa forma, enterrando sua cabeça na terra para não lidar com a sua irresponsabilidade. Escondendo a mina em um lenço, ele negligenciou as pessoas a quem deveria servir, prejudicou seu senhor, deixando de investir o dinheiro dele, e desprezou sua própria missão, guardando para si o que deveria compartilhar. Quando o senhor chega, descobre que foi lesado ao receber o seu dinheiro de volta, desvalorizado.

Não podemos fazer como no exemplo do avestruz. Nossas ações ou omissões poderão custar vidas preciosas, além de frustrar as expectativas de Quem nos comissionou. 

CONCLUSÃO

A lição de hoje procurou mostrar o tipo de atitude que o verdadeiro servo de Deus nunca pode ter. Guardar para si o que recebeu para compartilhar, conhecer a Deus apenas de forma superficial, ser mesquinho quanto às coisas do Reino de Deus, e ignorar suas próprias responsabilidades, transformam o indivíduo em um servo inútil, que nunca poderá ser canal abençoador de vidas nem motivo de alegria ao coração do Pai.

 Wilson Maia