SIMÃO, O CURTIDOR

Texto Bíblico: Atos 9:43

“Pedro ficou em Jope durante algum tempo, com um curtidor de couro chamado Simão”. 

INTRODUÇÃO

Para que continuemos no espírito da edificação precisamos quebrar preconceitos. A lição de hoje visa demonstrar como Pedro teve de superar suas tradições religiosas para se tornar bênção na vida de outras pessoas. Aprendamos com ele.

Conhecendo o Hospedeiro

Em uma de suas viagens missionárias, Pedro ficou hospedado certo tempo na casa de Simão, o curtidor. O produto final desse ofício resulta em cintos, bolsas, sapatos, etc. Embora fosse uma profissão digna como qualquer outra, ser um curtidor representava um grande desafio dentro da cultura judaica. Estar hospedado na casa de Simão também era algo digno de nota. Veja a seguinte citação de um artigo de Fabrício Pacheco – www.pibviva.com.br:

“Este ofício consistia em tratar a pele dos animais mortos com um tipo de pasta de visgo. Em seguida eram enroladas e ficavam assim até que os pêlos se soltavam. Após esta etapa, retirava-se qualquer carne e gordura ainda existente para então se mergulhar a pele em uma solução de visgo e sumagre. Após a secagem, o couro é enegrecido em uma das superfícies aplicando-se vinagre fervido com cobre e esfregando-a contra ela mesma. Logo após o couro era amaciado com azeite de oliva.” (Nota: visgo e sumagre são plantas, também utilizadas no serviço do curtidor).Entenda o porquê do desafio para Simão e seu hóspede, Pedro.

Um Lugar Imundo

O manuseio de animais mortos era contrário aos costumes judaicos. “E se morrer algum dos animais, que vos servem de mantimento, quem tocar no seu cadáver será imundo até à tarde”   (Levítico 11:39). Imagina a situação de Simão que tinha de tocar em animais mortos não apenas ocasionalmente, mas todos os dias. O senso de impureza era constante. Já pensou também no cheiro? Com certeza o ambiente não era nada agradável, com animais cortados e espalhados por todo lado para a retirada de pele. No entanto, foi justamente ali que Pedro se hospedou. Foi naquela casa que ele teve uma visão que permitiu abrir as portas de salvação para os gentios (aqueles que não são judeus) – Atos 10:11 e seguintes.

Algumas pessoas pensam que por não trabalharem num ambiente totalmente “santo”,  nunca prosperarão. Nos sentimos incomodados com a necessidade de convivência com pessoas que talvez não professem a mesma fé que temos. Enfim, achamos que em certas condições não ideais, de tumulto ou de aparente desordem, Deus não poderá nos falar ou revelar-se de alguma forma. É nessas horas que devemos olhar para Pedro.

Seria ótimo separar um tempo para dar graças a Deus pelo nosso ofício com todos os seus ossos, pelos colegas de trabalho cristãos ou não, pelo cônjuge não convertido (se for o caso), e pelas diversas oportunidades de convivência com os discriminados pela sociedade.

O Estágio de Pedro

O lugar onde ele estava hospedado não representava apenas um desafio pelo que explicamos acima. Aos olhos de Deus, significava também um estágio que o remeteria a uma experiência maior. Entendemos por estágio um lugar onde passamos uma fase, um tempo de prova, de   experiência, mas não como um lugar definitivo. Na experiência de Pedro tratava-se de um lugar necessário para que ele começasse a se preparar para a visão que logo passaria a ter.

Numa manhã, ainda hospedado na casa de Simão, ele teve a visão de um lençol que descia do céu com toda a sorte de animais imundos. “E viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, e vindo para a terra. No qual havia de todos os animais quadrúpedes e répteis da terra, e aves do céu. E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come. Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda. E segunda vez lhe disse a voz: Não faças tu comum ao que Deus purificou”. (Atos 10:11-15).

O que representava aquela visão? Significava um mundo perdido, considerado imundo, carente de salvação. Em breve, homens da parte do gentio Cornélio, bateriam à porta de Simão à procura de Pedro e em busca de salvação (Atos 10:17). Deus estava querendo dizer que Pedro não podia  recusar o convite dos gentios por considera-los imundos, antes, devia ir com eles. Pedro entendeu e obedeceu. O resultado foi de grande salvação para Cornélio, sua casa e seus  amigos íntimos (Atos 10:48). Tudo isso aconteceu na casa de Simão, o curtidor. Aquele lugar considerado imundo pelos homens tornou-se ponte para a salvação.

Será que estamos aproveitando a oportunidade para fazer dos nossos lugares difíceis, pontes de salvação? Quando ficamos doentes e precisamos dos hospitais, aproveitamos a oportunidade para consolar os demais que nos cercam? Mesmo presos, como Paulo e Silas, somos capazes de suplantar a dor das feridas  pelos cânticos de adoração (Atos 16:23 e 25)? Porventura temos conseguido transformar nossos vales áridos em mananciais de bênção (Salmo 84:6)? Será que temos aproveitado a ofensa para exercitar os músculos da graça e do perdão (Mateus 18:27)? Crescimento, amadurecimento, restauração, aprendizado, solidariedade, são todos considerados como dádivas acrescidas à existência de quem consegue aproveitar bem as oportunidades para fazer o bem.

CONCLUSÃO

Aceitemos o tratamento de Deus que derruba barreiras de preconceitos, para que então, com liberdade possamos servir ao Seu reino.

 

Wilson Maia dos Santos