TROMBETAS, CÂNTAROS VAZIOS E TOCHAS

Texto Bíblico: Juízes 7:16, 19-20 RA

“Então, repartiu os trezentos homens em três companhias e deu-lhes, a cada um nas suas mãos, trombetas e cântaros vazios, com tochas neles… Chegou, pois, Gideão e os cem homens que com ele iam às imediações do arraial, ao princípio da vigília média, havendo-se pouco tempo antes trocado as guardas; e tocaram as trombetas e quebraram os cântaros que traziam nas mãos. Assim, tocaram as três companhias as trombetas e despedaçaram os cântaros; e seguravam na mão esquerda as tochas e na mão direita, as trombetas que tocavam; e exclamaram: Espada pelo SENHOR e por Gideão!”

INTRODUÇÃO

Algo de maravilhoso que encontramos na Bíblia é que as grandes vitórias não se deram pela força do braço ou pela eficácia das armas de guerra. Deus deu ao seu povo estratégias simples para que a glória da conquista fosse dada somente a Ele. Além de simples, as estratégias revelam virtudes através das quais o Senhor se move entre o seu povo. Estejamos atentos ao significado que cada elemento nos apresenta nesta ocasião.

1. Trombetas

Trezentos homens de Israel estavam se preparando para enfrentar uma multidão de midianitas, amalequitas e todos os povos do Oriente que cobriam o vale como gafanhotos em multidão. Seus camelos eram em multidão inumerável como areia que há na praia do mar (Juízes 7:12). Na verdade, tratava-se de uma missão impossível, pelo menos, aos homens. Mas cada soldado é desafiado a levar consigo uma trombeta. As trombetas eram chifres de boi ou de carneiro (em heb. shofaroth). A trombeta estava ligada à proclamação de um novo tempo ou a um chamado ao ajuntamento. Ao som das trombetas definiria-se o fim de um domínio maligno e o estabelecimento do reino do Senhor. O som daqueles shofares, todos tocando ao mesmo tempo, certamente produziu em cada guerreiro um grande despertar de fé, manifesto através de uma convicção de que o Senhor agiria ali de uma forma sobrenatural. O som da trombeta precisa ser ouvido no nosso interior. Quando nos expomos às promessas divinas, seja por qual meio for, leitura da Palavra, cânticos, exortação, enfim, há de se fazer ouvir internamente alguma coisa que determine o fim da postura de incredulidade ou de subjugação, para um anseio de liberdade e novos posicionamentos em Deus. É justamente essa mudança de postura interior, invisível mas real, que o levará a enfrentar e vencer a multidão de midianitas e amalequitas que tentam lhe oprimir.

2. Cântaros Vazios

Os cântaros vazios faziam parte da estratégia divina para vencer os inimigos.Precisavam estar vazios para conterem as tochas que deviam permanecer escondidas até o momento certo. O ataque seria de surpresa, portanto, as luzes não podiam ser vistas aproximando-se do arraial inimigo antes do tempo. Daí a necessidade de cântaros vazios que escondessem as tochas. No devido tempo, porém, eles deveriam ser quebrados para que a luz se tornasse visível a todos. A interpretação é quase que óbvia. Nós devemos ser cântaros vazios que comportam a luz de Deus. Cântaros que transportam Deus, que escondem a Palavra no coração para não pecar contra Ele (Salmo 119:11). Mas também, cântaros cuja maior missão não é a de conservar-se ou perpetuar-se, mas, de quebrar-se para que o mais importante seja visto por todos, a luz divina. Cântaros que não querem se quebrantar assemelham-se aos que foram mencionados por Jesus: “Quem quiser preservar a sua vida perdê-la-á; e quem a perder de fato a salvará.” (Lucas 17:33 RA) Perder a vida voluntariamente significa morrer para as suas próprias ambições egoístas e terrenas a fim de abrir-se para novas motivações, as do Reino do Senhor, muito mais elevadas e sublimes. É entrar pelo caminho do perdão em substituição à vingança, é comungar com o arrependimento em vez da obstinação. É morrer para si e viver para Deus. Estar disposto a quebrar-se é o mesmo que dizer que o mais importante não são os seus sonhos pessoais, ou a sua opinião, ou os seus direitos. E quando isso acontece (na verdade, só quando isso acontece) é que temos como revelar o que realmente temos de melhor no oculto da nossa relação com Deus.

3. Tochas

Como já dissemos, as tochas eram levadas dentro dos cântaros, revelando-se somente na hora em que estes fossem quebrados. O som das trombetas, a quebra dos cântaros e a luz das tochas, trabalhando em conjunto, confundiu os adversários que começaram a digladiar-se mutuamente. Há uma passagem que nos admoesta a verificar que tipo de luz é a que realmente temos: “São os teus olhos a lâmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, se forem maus, o teu corpo ficará em trevas. Repara, pois, que a luz que há em ti não sejam trevas. Se, portanto, todo o teu corpo for luminoso, sem ter qualquer parte em trevas, será todo resplandecente como a candeia quando te ilumina em plena luz.” (Lucas 11:34-36 RA). A passagem nos adverte acerca de como vemos as coisas. Por exemplo: Se olhamos as pessoas com olhar de julgamento, de cobiça, de interesses egoístas, de forma rancorosa, odiosa, etc, estamos manifestando trevas em vez de luz. Nessas condições, na quebra dos cântaros a única coisa a se perceber será a tragédia de uma vida que se encheu de tudo o que não é luz. O cântaro se quebra na hora da crise, do desemprego, da perseguição, dos momentos difíceis. O que as pessoas verão em você nessas ocasiões de prova: Trevas ou Luz?

CONCLUSÃO

De coisas simples se faz uma grande conquista. De virtudes singelezas, também. Apenas revendo: a trombeta representa uma nova tomada de posição interior ou uma proclamação que você faz a você mesmo acerca de como lidará com todas as situações a partir daquele momento. O cântaro representa sua própria vida que transporta a glória de Deus, sempre disposto a se quebrar em vez de se auto-preservar, por amor a Deus e aos Seus interesses.

A tocha, enfim, representa a luz divina, que se intensifica na medida em que os valores cristãos são absorvidos e vividos na prática.

 Wilson Maia dos Santos