AS ARMAS DA JUSTIÇA

Texto Bíblico: 2 Coríntios 6:4-10 RA

“Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, no saber, na longanimidade, na bondade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas; por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama, como enganadores e sendo verdadeiros; como desconhecidos e, entretanto, bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.”

INTRODUÇÃO

Recomendar alguém significa apresentá-lo como uma boa pessoa, como alguém de bem, de caráter aprovado ou capacitada para determinada missão. Paulo está dizendo no texto acima que teria autoridade para se auto-recomendar ao mundo, tendo em vista uma série de evidências percebidas ao longo da sua história. Poderíamos dizer o mesmo a nosso próprio respeito em todas as ocasiões da vida?

1. Recomendável em Meio a Toda Espécie de Experiência Difícil.

“Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns,” (2 Coríntios 6:4-5 RA).

É na hora da crise que realmente demonstramos quem somos e o que temos dentro de nós. Paulo cita situações que envolvem aflição, privação, angústia, açoites, prisões e tumultos. Podemos nos surpreender com as nossas próprias atitudes em tempos de crise. Dependendo do que temos armazenado ao longo da vida, a nossa surpresa pode ser boa ou má. No caso de Paulo, ele se regozijava pelo fato de poder se recomendar aos outros como alguém exemplar mesmo nas condições mais adversas.Como agimos no desemprego, na escassez, na doença, nos acidentes, nas calamidades, nos desastres provocados pela natureza, etc?

2. Recomendável Pelo Que nos Deixamos Transformar.

“na pureza, no saber, na longanimidade, na bondade,no Espírito Santo, no amor não fingido,” (2 Coríntios 6:6 RA)

É de fundamental importância saber exatamente no que temos sido transformados. Ele fala de pureza, de saber, de longanimidade, de bondade, do Espírito Santo e de amor não fingido. Quem ele era antes de conhecer a Cristo? Quem nós éramos antes de conhecer e crescer em Cristo? Impuros e não puros no pensamento, nas intenções e nas práticas; ignorantes e não sábios acerca das coisas espirituais; intolerantes e não longânimos quanto à fraqueza do próximo; maldosos e não bondosos em nossas maquinações contra os outros; cheios de nós mesmos e não do Espírito Santo; manifestando um tipo de amor que só compreendia os amigos, e, mesmo assim, muitas vezes fingido e interesseiro. Mas, glória a Deus, fomos transformados!

3. Recomendável Pela Fonte dos Nossos Recursos.

“na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas;” (2 Coríntios 6:7 RA)

Paulo desenvolve a sua palavra procurando mostrar que não lançava mão em momento algum de qualquer outro recurso que não viesse de Deus. Aliás, toda a pureza, bondade e virtudes relatas acima eram produto justamente do que havia recebido dEle. Agora, no ministério, está consciente de que não poderá prosperar se abraçar outro padrão que não seja o revelado nas Escrituras. Estou eu consciente do meu compromisso com a verdade da Palavra, ou a negocio conforme meus próprios interesses? Estou certo de que não posso fazer as coisas no meu próprio poder, senão somente no de Deus? Minhas armas são as da justiça quer para me defender ou para atacar, ou me utilizo das mesmas armas da iniqüidade, da mentira, da calúnia, da vingança, que usam contra mim? Ainda sobre as armas, estou eu consciente de que as minhas armas da justiça ainda que possam ser também ofensivas nunca serão usadas contra as pessoas, senão somente contra os principados e potestades da maldade (Efésios 6:12)?

4. Recomendável Ante Acusações e Opiniões Contrárias a Nosso Respeito.

“por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama, como enganadores e sendo verdadeiros;” (2 Coríntios 6:8 RA)

Acredito que a dor de uma integridade questionada é mais forte do que o incômodo da privação ou da própria angústia. Refiro-me às situações quando as pessoas nos difamam, nos caluniam, quando imputam sobre nós uma culpa que não merecemos. Quando insistem em dizer que as nossas lutas são sempre fruto dos nossos pecados e que, portanto, merecemos aquilo. É disto que Paulo está falando agora. Não apenas de situações externas, produto da contingência do dia a dia, mas de perseguição hostil que fere por dentro, procurando abalar as estruturas do nosso ser. Mesmo nessas questões Paulo se considera recomendável. Isso quer dizer que ele aprendeu a manter-se em Deus sem cair na tentação de se justificar ou de querer provar algo a alguém. Ele descobriu como conservar sua mente e sua consciência em paz diante de Deus em meio às investidas, fossem elas malignas ou meramente humanas, que sofreu em várias ocasiões do seu ministério. Isso não quer dizer negação de possíveis culpas reais, ou seja, deixar de reconhecer quando estava realmente errado, mas manter-se em paz quando havia convicção de um andar reto diante de Cristo e dos homens.

5. Recomendável Pela Reação Diante dos Sofrimentos Infligidos.

“como desconhecidos e, entretanto, bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.” (2 Coríntios 6:9-10 RA).

Dizer que Paulo era um desconhecido significava desprezar e questionar a sua autoridade espiritual. No entanto, ele era bem conhecido de Deus. Persegui-lo até à beira da morte física,  emocional, motivacional ou ministerial, sempre esteve na agenda de trabalho dos seus algozes, além de castigar, entristecer, tirar os recursos e privar dos direitos. Porém, ante cada uma dessas hostilidades ele reagiu com vida e não morte; alegria e não amargura; enfrentando a privação pessoal material enquanto enriquecia espiritualmente a muitos, sempre consciente de que a sua verdadeira riqueza não se encontrava neste mundo.

CONCLUSÃO

É desta forma que os verdadeiros homens ou mulheres de Deus se tornam recomendáveis diante dos outros.

 Wilson Maia dos Santos