RESPOSTAS PARA OS GRANDES PROBLEMAS DA VIDA

 RICK WARREN

COMO POSSO MUDAR MINHA VIDA?  Lição 9 – Parte 1 

Compartilhe: O que você mais gostaria de mudar em sua vida? Se você pudes­se mudar apenas uma coisa, o que seria?

Uma vida desperdiçada é uma grande tragédia, uma vida que não está disposta a mudar. A mudança é parte necessária para que você possa crescer, e precisa­mos mudar para sermos renovados e continuar progredindo.

A maioria das pessoas deseja mudar. Entre os quinze livros mais vendidos recentemente, dez deles são sobre autoajuda — com títulos como “Trinta dias para um novo eu”. Participamos de seminários, lemos livros, experimentamos dietas e ouvimos fitas, mas, de alguma forma, essas novas ideias não parecem perdurar. Às vezes conseguimos mudar por algum tempo, mas todas essas novas técnicas parecem não ter efeito permanente. A principal razão disso é que trabalhamos no exterior, em nosso comportamen­to externo, em vez de em nossas intenções interiores. Qualquer mudança duradoura deve começar no interior, e este é um traba­lho para Deus.

Um processo de quatro etapas

No capítulo 32 do livro de Gênesis, podemos ver o processo que Deus usa para nos moldar e nos ajudar a sermos o tipo de pessoa que sempre quisemos ser. Deus quer-nos transformar, e nós que­remos ser transformados. Observando a vida de Jacó, o pai de José, podemos ver como isso acontece. O incidente relatado nesse capítulo foi um ponto decisivo na vida de Jacó e serve de exemplo dramático de como Deus pode transformar-nos como indivíduos.

Jacó era um rapaz um tanto ardiloso. Até mesmo seu nome significa “enganador” ou “trapaceiro”. No entanto uma experiên­cia decisiva transformou-o numa nova pessoa, e ele tornou-se Israel, o homem que deu seu nome a toda uma nação. Foi uma experiên­cia tão transformadora que ele nunca mais foi o mesmo.

Nessa história é possível observar claramente as quatro etapas usadas por Deus para nos tornar o tipo de pessoas que desejamos ser. E uma mensagem realmente encorajadora. Uma mensagem que diz que não precisamos permanecer no lugar onde estamos: Deus nos ajudará a mudar e a superar fraquezas em nossa vida se permitirmos que ele o faça.

Como permitimos isso? Vamos a Gênesis 32.24-30: “Jacó fi­cou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhecer. Quando o homem viu que não poderia dominá-lo, tocou na articulação da coxa de Jacó, de forma que lhe deslocou a coxa, enquanto lutavam. Então, o homem disse: ‘Dei­xe-me ir, pois o dia já desponta’. Mas Jacó lhe respondeu: ‘Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes’. O homem lhe per­guntou: ‘Qual é o seu nome? ‘Jacó’, respondeu ele. Então disse o homem: ‘Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel, porque você lutou com Deus e com homens e venceu’. Prosseguiu Jacó: ‘Peço-te que digas o teu nome’. Mas ele respondeu: ‘Por que pergunta o meu nome?’ E o abençoou ali. Jacó chamou àquele lugar Peniel, pois disse: ‘Vi a Deus face a face e, todavia, minha vida foi poupada’.

O que uma luta com um anjo, ocorrida há milhares de anos, tem que ver com a minha transformação hoje? Há alguns aspec­tos importantes nesse incidente que mostram claramente como Deus transforma as pessoas. Deus usa quatro etapas para nos trans­formar nas pessoas que desejamos ser.

Crise

A primeira etapa é a da crise. Jacó lutou muito tempo com um anjo, o anjo estava realmente se esforçando, mas ninguém preva­lecia. Ao amanhecer, Jacó já estava cansado, pois via que não podia vencer. Era uma situação fora de seu controle.

A lição que aprendemos aqui é a de que, quando Deus nos quer transformar, ele primeiramente chama nossa atenção, colocando-nos numa situação frustrante totalmente fora de nosso con­trole. Não podemos vencer e ficamos apenas mais e mais cansa­dos. Deus usa situações, problemas e crises para chamar a nossa atenção. Se estivermos atravessando uma crise, é porque Deus está pronto para nos transformar para melhor. Nunca mudamos, a não ser que cansemos de nossa situação atual, de nossa condi­ção. Nunca mudamos, até ficarmos desconfortáveis, desconten­tes e comecemos a nos sentir infelizes. Quando nos sentimos in­felizes, desconfortáveis e insatisfeitos o suficiente, finalmente nos motivamos a deixar Deus fazer algo em nossa vida.

Deus pode permitir que nossa vida passe por um problema, uma crise, uma irritação ou uma frustra­ção para nos chamar a atenção. Ele precisa fazer isso porque não mudamos até que a dor que sentimos supere nosso medo de mu­danças.

Compromisso

A segunda etapa para sermos transformados por Deus é a do com­promisso. Preste atenção ao que o anjo e Jacó disseram. “Então o homem disse: ‘Deixe-me ir, pois o dia já desponta’. Mas Jacó lhe respondeu: ‘Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes”‘ (v. 26). Jacó estava compromissado; era persistente; não desistiu da si­tuação até resolvê-la. Ele não gostou da situação — era frus­trante e aquilo estava derrotando-o — mas ele disse: “Estou 100% decidido a permanecer aqui até que Deus mude a situação para melhor”.

Essa é a lição que aprendemos aqui: depois que Deus atrai a nossa atenção por meio de um problema, ele não o soluciona ime­diatamente. Ele espera um pouco mais para ver se realmente es­tamos sendo sinceros. Muitas pessoas perdem o melhor de Deus para suas vidas porque desistem cedo demais. Elas abrem mão. Desanimam. Quando Deus permite que surja um problema em sua vida, em vez de permanecerem firmes em Deus e dizerem “Deus, eu não vou desistir até que tu me abençoes, até que mu­des esta situação”, elas simplesmente abandonam tudo e perdem o que Deus tem de melhor para elas.

Estamos tão condicionados a recebermos tudo instantanea­mente, incluindo o sucesso, que, se não obtivermos uma resposta ins­tantânea à primeira oração que fazemos — ou sucesso instantâneo, ou mudança instantânea —, dizemos: “Esqueça, Deus”. Às vezes um casal está a ponto de desistir do casamento quando a solução está logo adiante. Eles estão prontos a abandonar tudo, quando a resposta está bem ali à frente.

Mesmo quando desejamos realmente mudar é importante lem­brarmos que o problema que nos aflige não surgiu da noite para o dia. Aquelas atitudes, ações, hábitos, medos, fraquezas e manei­ras de responder ao nosso cônjuge levaram anos para se desen­volver e, às vezes, Deus tem de removê-los camada por camada. De modo geral, leva algum tempo para Deus transformar você. Mas não desista. Há esperança. Permaneça firme. Comprometa-se a alcançar o que Deus tem de melhor para sua vida.

Confissão

A terceira etapa para sermos transformados por Deus é a da con­fissão. O anjo perguntou a Jacó “Qual é o seu nome?” e ele res­pondeu: “Jacó”. Qual era o propósito da pergunta do anjo? Era para que Jacó tomasse conhecimento de seu caráter ao pronun­ciar seu próprio nome, que significa “enganador” ou “trapacei­ro”. Jacó lembrou-se do problema que criara enganando seu ir­mão Esaú. Então, quando o anjo perguntou “Como você é realmente? Qual é seu caráter?”, Jacó admitiu: “Eu sou um enga­nador. Sou um trapaceiro”. Ele admitiu suas fraquezas porque era honesto. Quando se identificou como “Jacó”, ele estava admitin­do suas falhas de caráter.

Esse é um processo importante para que Deus possa transformar-nos, pois nós nunca mudamos até encararmos e admitirmos nossas falhas, nossos pecados, nossas fraquezas e nossos erros. Deus não vai resolver o nosso problema até que primeiramente reconheçamos que temos um. Precisamos dizer: “Senhor, estou com um problema e ad-’ mito que eu mesmo o criei”. Só então Deus pode operar.

Você já percebeu como é fácil darmos desculpas para os nos­sos problemas? Tornamo-nos especialistas em culpar os outros: “Você sabe que, na verdade, não é culpa minha. Foi o ambiente no qual fui criado — meus pais são os responsáveis”. Ou então: “A situação em que me encontro foi criada por meu chefe”.

Por que devemos confessar nossas falhas a Deus? Para que ele saiba o que está acontecendo? Não. Não é surpresa alguma para Deus quando dizemos que pecamos, porque ele já sabe quais são as nossas dificuldades. Nós confessamos nossas falhas a ele por­que ele quer que digamos “Deus, você está certo, eu tenho um problema. Aqui está o meu erro ou a minha fraqueza”. E humi­lhante termos de admitir nossos erros, mas, uma vez que o faze­mos, Deus usa todos os seus recursos e todo o seu poder para nos ajudar a mudar para melhor. A partir desse ponto podemos come­çar a nos tornar a pessoa que sempre desejamos ser.

Esse evento da vida de Jacó foi muito mais do que uma sim­ples luta. Foi um exemplo de como Deus trabalha em nossa pró­pria vida. Primeiro, ele permite uma frustração, como a luta, em que nós realmente batalhamos contra aquela situação. Por fim, reconhecemos: “É óbvio que não vou vencer. Não consigo man­ter controle sobre isso — se eu me mantiver na minha própria força, vou apenas continuar estragando tudo”.

Depois, precisamos continuar: “Mas vou firmar o compromisso de permanecer firme e deixar Deus resolver”.

Deus responde: “Eu não vou tirá-lo disso instantaneamente, porque quero ver se você está sendo realmente sincero”.

Se desistirmos nesse ponto, enfrentaremos um problema se­melhante um pouco mais adiante. Se não aprendermos a lição agora, teremos de aprender depois, porque, de um modo ou de outro, Deus vai-nos ensinar. Podemos evitar muitas dificuldades se agirmos corretamente na primeira vez que uma crise surgir.