VITÓRIA NO DESERTO
Lição 11/15 – LIBERTOS DO PECADO

Disse Paulo:  Estou crucificado com Cristo, logo já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim, e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim (G1 2.20).

O que temos aqui é o padrão de Deus para a vida de todo crente. Não se trata de uma fórmula, mas de um estilo de vida totalmente novo. Não se trata de uma doutrina, mas do pleno suprimento de Deus para todas as nossas necessidades. Precisamos entender que a vida cristã é ca­racterizada por duas substituições: a primeira, é aquela que foi realizada na cruz, quando Cristo morreu em meu lugar; a segunda, é aquela que deve ocorrer no meu viver diário, onde Cristo vive em meu lugar, conquistando por mim a vitória sobre o pecado e levando-me a fazer a vontade de Deus.

Já aprendemos que o sangue trata com aquilo que fazemos. Todavia, Deus quer algo mais: Ele quer resolver a questão daquilo que somos. Todos nós éramos lobeira brava (uma árvore típica do cerrado): só produzíamos frutos de morte. Pelo sangue da cruz, o Filho de Deus eliminou todos aqueles frutos de morte, e ainda fez mais: incluiu-nos nele. Nós éramos a lobeira brava, e ele a Videira. Quando nós – como lobeira brava – fomos enxertados n’Ele, a Videira, um milagre aconteceu: a nossa natureza foi mudada. A lobeira brava, enxertada no tronco da Videira, passou a receber a seiva da vida e, em lugar de produzir frutos de morte, passou a produzir uvas – frutos de vida. Que maravilha! Que milagre extraordinário!

O sangue de Jesus tem poder para tirar os meus pecados, mas não tem poder para mudar a minha natureza. É na cruz, quando sou cruci­ficado com Cristo, que a minha natureza é transformada. O sangue de Jesus trata com o pecado, mas a cruz trata com o pecador.

Incluídos na morte de Cristo

A questão que mais gera angústia e ansiedade entre os homens, de uma forma geral, é que uma vez que todos nós nascemos pecadores, como podemos deixar de sermos pecadores? Desde que nos tornamos pecadores pelo nascimento, a única maneira de sermos livres do pecado é através da morte. Como pode ser isso? Devemos nos matar? É claro que não! Precisa­mos apenas reconhecer que já estamos mortos para o pecado.

Quando Cristo morreu, fomos enxertados n’Ele, isto é, fomos in­cluídos na sua morte. “Sabendo isso, que foi crucificado com Ele (Jesus) o meu velho homem…” (Rm 6.6). A lógica do Espírito é muito simples: “Um morreu por todos, logo todos morreram…” (2 Co 5.14). Existe uma grande verdade: “Cristo morreu por você!” Mas há outra verdade igualmente grande: “Você morreu com Ele!” Ele morreu para que você pudesse morrer para o pecado. Talvez isso pareça estranho para a mente humana, mas quando estas verdades são reveladas no espírito, então pode­mos experimentar a realidade da plena libertação da escravidão do pecado.

Recebendo uma nova natureza

É verdade: o sangue de Jesus nos purifica dos nossos pecados. Deus, porém, quer mais do que pecadores perdoados – Ele quer filhos que tragam dentro de si a sua natureza. Muitos há que querem tornar-se filhos de Deus mediante seus próprios esforços, tais como: religião, educação, boas obras ou penitências. Todavia, a única maneira de sermos feitos filhos de Deus é recebendo a natureza do Pai.

Suponhamos que você tem em casa um cachorro de estimação e resolve adotá-lo como filho. E então, começa a ensinar o cão a comer, andar, banhar-se e vestir-se igual gente. Depois de um extraordinário esforço, você consegue que ele articule algumas palavras. E, como prêmio a tanta diligência, o ani­mal, enfim, começa a se parecer com gente. Mas, apesar de tudo, existe um problema: ele ainda é um cachorro. Embora o seu cachorro se pareça com gente e receba um tratamento de filho, definitivamente, ele é apenas um cachorro.

Qualquer semelhança com a vida real não é nenhuma coincidência. Muitos de nós temos transformado a vida cristã nesse esforço inútil. Não adianta mudar a aparência exterior; é preciso ter a realidade de filho, interiormente. A vitória sobre o pecado não é alcançada mediante nosso próprio esforço. O  que precisamos é de uma mudança de natureza. Somente um milagre transformaria aquele cão em gente e, consequentemente, em filho do dono. A natureza canina teria de morrer e, em lugar dela, ressurgir a natureza humana. Dessa forma, não mais como um cão, e sim como um homem, seria possível adotá-lo como filho.

Foi exatamente isso que Deus fez conosco. Todos nós éramos filhos da serpente e trazíamos, interiormente, a natureza viperina. Mas Deus nos amou e resolveu adotar-nos como filhos. Para isso, foi necessário um milagre: Ele nos fez morrer como filhos da serpente e ressuscitou-nos como filhos de Deus, revestidos com a natureza divina.

Como ocorreu isso? O apóstolo Paulo responde-nos, dizendo que o nosso velho homem (natureza viperina) foi crucificado com Cristo (Rm 6.6). Dessa forma, a morte de Cristo tornou-se a nossa própria morte, porque fomos incluídos nele, ou seja: “plantados juntamente com ele na semelhança de sua morte” (Rm 6.5). O nosso destino está ligado ao de Cristo, porque nós estamos nele. É como o bebê no ventre da mãe. O bebê está incluído na mãe, e o destino da mãe é também o destino do bebê. “E assim” – diz-nos Paulo – “se alguém está em Cristo é nova criatura, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).

 Somos novas criaturas

Com o novo nascimento, mudamos não apenas de natureza, mas também de nacionalidade: tornamo-nos cidadãos do Reino dos Céus. Atualmente, muitos brasileiros estão saindo para o exterior. Por mais que tentem, nunca poderão deixar de ser brasileiros. Ainda que mudem de nome, tornem-se cidadãos desse novo país, aprendam um novo idioma e novos costumes, continuarão sendo brasileiros – é uma questão de nasci­mento. Somente deixariam de ser brasileiros se lhes fosse possível realizar o milagre de morrer aqui, onde nasceram, e ressuscitar noutro país.

O que Deus fez conosco foi justamente isso. Todos nós nascemos no império das trevas e vivíamos debaixo da opressão de satanás, o príncipe deste mundo. Mas Deus, por causa do grande amor com que nos amou, nos enviou Jesus para que, pela sua morte morrêssemos no império das trevas e, pela sua ressurreição, ressuscitássemos no Reino da luz. Agora, somos cidadãos do Reino de Deus, não por naturalização, mas por nascimento. Temos direitos e privilégios neste Reino, pois somos cidadãos nascidos nele. Somos filhos da luz. Não somos mais escravos do diabo. E o veneno que a serpente inoculou em nós — o pecado — foi eliminado pelo poder da cruz de Cristo, onde a cabeça da serpente foi esmagada.

O Batismo nas águas é a experiência cristã que representa essa mudança de natureza. Em primeiro lugar, precisamos ir até às águas e entrar nelas. Em outras palavras, somos inseridos ou “plantados” em Cristo. Em seguida, imergimos. Paulo afirma que, com a imersão, estamos sendo mortos e sepul­tados com Cristo (Rm 6.3,4). E, por último, emergimos. De acordo com Paulo, a emersão é o ato semelhante ao da ressurreição de Cristo (Rm 6.5).

Agora, nos tornamos parte de uma outra criação, na qual as coisas velhas já passaram. “Fomos pois sepultados com Cristo na sua morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, assim andemos nós em uma nova vida ressurreta” (Rm 6.4). Por isso, abra agora mesmo a sua boca e confesse: “Quando Cristo morreu, eu morri com Ele, e quando Ele ressuscitou, eu ressuscitei com Ele. Fui liberto de toda escravidão. Agora, sou participante da natureza de Deus; sou um novo homem. Eu sou filho de Deus, gerado pela sua semente de vida.”

 Vivendo vitoriosamente

Viver vitoriosamente é um ato que exige de nós duas atitudes: rendição e fé. O primeiro passo para nos apropriarmos de uma vida vito­riosa é a fé. Precisamos crer no milagre da libertação. Infelizmente, para muitos irmãos, é fácil crer que foram perdoados, mas não é tão fácil crer que foram libertos. O fato, porém, é que estas duas bênçãos — perdão e libertação — nos pertencem. A mesma cruz que nos garantiu o perdão, também nos concedeu a libertação. É terrível ver um preso lutando para sair de uma cela que está aberta. Você precisa entender que a vitória já lhe foi dada. Não tem mais de conquistá-la. A fé deve confiar, apesar da completa ausência de sentimentos e evidências naturais. É preciso erguer a sua voz com fé inabalável, e dizer: “Eu sei que o Senhor supriu e está suprindo todas as minhas necessidades de vitória.”

O segundo passo para nos apropriarmos de uma vida vitoriosa é a rendição absoluta e incondicional a Cristo. Antes, quando eu estava no império das trevas, era escravo de satanás que me oprimia; hoje, eu fui transportado para o Reino de Cristo, e aqui sou escravo d’Ele. Eu O sirvo por amor e Ele é Senhor sobre mim, não com tirania, mas com bondade e amor. E, nessa condição, como dono e Senhor de nossas vidas, Ele exige que lhe entreguemos cada hábito, cada ambição, cada posse.

Portanto, deixemos de lado todo esforço humano para alcançar vitória e fazer a vontade de Deus. Devemos estar atentos a esta verdade: a vida cristã é uma vida substituída. O mesmo Deus que me faz santas exigências, Ele mesmo se encarrega de cumprir a sua vontade em mim. Mas, para isso, eu preciso sair de cena com a minha força natural. Logo, precisamos entender que a vitória não é conquistada: a vitória nos é dada.

Todas as vezes que o inimigo quiser fazer você pecar, não faça coisa alguma; apenas volte-se para o Senhor, que habita em você e diga-lhe: “Senhor, eu me entrego a Ti agora. Eu me rendo em Tuas mãos. Eu não posso vencer pelo meu esforço próprio, mas eu creio que Tu já venceste por mim e, agora, vais manifestar a Tua vitória na minha vida contra o diabo.”

 GUIA DE COMPARTILHAMENTO

l. A vida cristã é caracterizada por duas substituições: a primeira é aquela que foi realizada na cruz, quando Cristo morreu em meu lugar; a segunda é aquela que deve ocorrer no meu viver diário, onde Cristo vive em meu lugar, conquistando por mim a vitória sobre o pecado e levando-me a fazer a vontade de Deus.

A. “Jesus padeceu em nosso lugar — o justo pelo injusto”, afirma Pedro (l Pe 3.18). Você concorda com esta afirmação? Se sim, quem merecia ir para a cruz? Se não, por quê? Por que Deus inverteu os nossos papéis?

B. Leia Isaías 55.4-5. Quantos exemplos dessa inversão você identifica neste texto? Qual a impressão que lhe causa?

2. Deus quer mais do que pecadores perdoados – Ele quer filhos que tragam dentro de si a sua natureza.

A. Leia 2 Pe l .4. Qual a promessa que nos é feita neste versículo? De acordo com l Jo 3.9, como nos tornamos participantes da natureza divina? A semente divina permanece em você?

B. Leia 2 Pe 1.5-7. Especifique os frutos da natureza divina listados nestes versículos. Em que quantidade esses frutos devem frutificar em nossas vidas (versículo 8)? O que Pedro diz daqueles em quem há escassez desses frutos? Será que os não-crentes podem afirmar que você tem a natureza divina?

3. Todos nós nascemos no reino das trevas e vivíamos debaixo da opressão de Satanás, o príncipe deste mundo. Mas Deus, por causa do grande amor com que nos amou, nos enviou Jesus para que pela sua morte pudéssemos morrer e, pela sua ressurreição, pudéssemos ressuscitar no reino da luz.

A. Qual é o único processo pelo qual mudamos a nossa natureza e nos tornamos cidadãos do reino dos céus?

B. O que significa nascer de novo?

C. A quem você pertence agora?