VITÓRIA NO DESERTO
Lição 12 – A CRISE DA FÉ – Nm 13.26-33

 Há muitos irmãos julgando que a terra de Canaã tipifica a habitação celestial que desfrutaremos depois da morte. Isto, porém, está longe da verdade. Sabemos que o Egito tipifica o mundo com a sua escravidão, e que Canaã tipifica a vida cristã abundante. Entre o Egito e Canaã existe o deserto. O deserto é inevitável –todos nós passamos por ele. Todavia, não podemos imaginar que a vida cristã é para ser vivida no deserto.

O deserto tipifica a vida cristã vivida na carne, segundo o nosso esforço próprio. Os que andam na carne não podem agradar a Deus, nem desfrutar uma vida plena e vitoriosa. Todos nós temos que passar pelo deserto. É ali onde nos deparamos com a crise, antes da entrada em Canaã: é a crise da fé e da dependência – a crise de Cades-Barnéia.

Todos nós já estivemos no “Egito”, debaixo da escravidão de “Faraó” – o diabo. Todavia, o Senhor nos libertou pelo sangue do Cordeiro e pela travessia do Mar Vermelho. Agora o inimigo não tem mais autoridade sobre as nossas vidas.

Depois de ter deixado o “Egito”, que simboliza o mundo, entramos no deserto. Todos queremos ir direto para Canaã, porém, há um deserto a ser atravessado. O deserto aponta para os tratamentos de Deus na nossa carne.

É inevitável passarmos pelo deserto, mas não precisamos viver toda a nossa vida nele. Há uma relação íntima entre a carne e o deserto. É por esse motivo que o deserto simboliza a vida da alma, da carne e da incredulidade. Somente quando aprendemos a crer e a depender de Deus, entraremos em Canaã. Antes, porém, temos de passar pelo teste da fé em Cades-Barnéia.

De Cades-Barnéia, Moisés enviou doze espias para observarem a terra e trazerem um relatório. Todos eles testificaram que Canaã, de fato, era uma terra boa, onde manava leite e mel. Era uma terra tão fértil a ponto de produzir cachos de uvas, que um homem sozinho não podia carregar.

Deuteronômio 8.7-9 diz que a terra era “de ribeiros de águas, de fontes e de mananciais profundos que saíam dos vales e das montanhas; terra de trigo e cevada; terra de vides, figueiras e romeiras; terra em que se come o pão sem escassez, e nada falta nela; terra cujas pedras são ferro e de cujos montes cava-se cobre.”

Comeremos e nos fartaremos na boa terra que o Senhor nos deu. Canaã é um tipo das riquezas insondáveis de Cristo. As águas em abun­dância representam o refrigério do Senhor; o trigo e a cevada simbolizam o pão que desceu do céu para nosso alimento; e as vides e as figueiras exprimem as delícias que o Senhor tem reservado para nós. Há também a riqueza do ferro e do cobre, como uma expressão de que Deus não nos tem chamado para a pobreza, nem para a miséria, e sim, para a fartura e a abundância.

Os espias confirmaram que a terra realmente era boa e muito fértil. Havia, porém, alguns problemas: o povo que habitava na ter­ra era poderoso e as cidades eram fortificadas. Os espias, em vez de olharem para a herança que Deus estava lhes concedendo, olharam para os adversários e para si mesmos, sentindo-se desprezíveis diante deles. “O povo que vimos na terra são homens de grande estatura, gigantes diante dos quais éramos como gafanhotos, e assim também éramos vistos por eles”, disseram. Quem lhes disse que eram vistos como gafanhotos pelos inimigos? Na sua incredulidade, deram lugar às mentiras do diabo.

O grande problema do povo de Deus é este: desconhecer o seu próprio valor. Se eu não sei quem eu sou, fatalmente cederei às ameaças do inimigo. Contudo, quando eu conheço a minha força, as minhas armas, o poder que está em mim, eu me encho de coragem e destruo os meus adversários. Nós somos aquilo que falamos e aquilo que julgamos ser. Se nos virmos comos fracos, somos fracos; se nos virmos como ga­fanhotos, é nisso que nos tornamos. Os espias olharam para si mesmos, esquecendo-se de olhar para aquilo que Deus é e para o que eles eram em Deus. O relatório apresentado por eles desonrou a Deus.

Em Números 14.36, lemos que os dez espias que não acreditaram na Palavra de Deus foram feridos com praga diante do Senhor. Eles morreram porque induziram o povo à incredulidade.

O pecado deles foi muito grave, pois não apenas os afetaram, mas também a toda a congregação. Nós, os líderes, devemos ter muito cuidado para não conduzirmos o povo ao desânimo com as nossas palavras. Deve­mos ser como Josué e Calebe que tiveram uma palavra de fé e instigaram o povo para subir e conquistar a Terra Prometida.

Se lermos o restante da história, veremos que Calebe entrou em Canaã, derrotou os enaquins e tomou posse da terra. Em Josué 15.14, lemos que Calebe viu os gigantes, mas não os temeu. Também nós, ao nos depararmos com as dificuldades, não devemos temê-las. Em vez disso, fixemos os olhos nas promessas de Deus e no Seu poder sobre nós.

Por terem falhado no teste de fé, os filhos de Israel permaneceram no deserto. A condição estabelecida por Deus para a posse de Canaá restringia-se a duas atitudes somente: fé e dependência. Há muitos irmãos vivendo na sequidão do deserto, simplesmente porque não crêem que podem entrar na posse da herança a que têm direito.

A seguir, veremos os motivos por que os filhos de Israel foram der­rotados no deserto:

 1. Olharam para si mesmos

Porém os homens que com ele tinham subido disseram:

 Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós. (Nm 13.31).

 Quem havia dito ao povo que eles teriam de vencer o inimigo pela sua própria força? O inimigo pode ser mais forte do que nós. Todavia, aquele que está em nós é maior do que todos os nossos adversários. Quando lutamos, revestidos da força do Senhor, não importa se o adversário é maior ou mais numeroso do que nós.

 2. Duvidaram da fidelidade de Deus

 E, diante dos filhos de Israel, infamaram a terra que haviam espiado, dizendo: A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra que devora os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura (Nm 13.32).

 Este é o grande problema daqueles que vivem no deserto: duvidam da Palavra de Deus. Deus diz que eles são fortes, mas eles insistem em olhar para a própria fraqueza. Deus diz que Cristo levou sobre si, na cruz, todas as enfermidades, mas eles insistem em olhar para a doença. Deus diz que eles já foram libertos do pecado, mas eles insistem em vencer o pecado pela força própria. Deus disse que lhes daria a terra que mana leite e mel, mas eles duvidaram da fidelidade de Deus.

O incrédulo olha para o problema, e não para Deus. Todo aquele que anda na carne é introspectivo, olha demais para si mesmo. Se você fixar os olhos em si mesmo, com certeza cairá em autopiedade ou autocondenação. Ambas as atitudes são expressões de incredulidade, procedentes do diabo. Diante dos problemas, não olhe para si mesmo nem para as circunstâncias, olhe para Deus.

 3. Confessaram a derrota

A terceira atitude desastrosa dos espias foi a confissão antecipada de derrota. A Bíblia afirma que, na nossa língua, está o poder da vida e o poder da morte. O que falamos é o que possuímos. Se confessamos derrota, colhemos derrota, pois palavras são sementes. Palavras faladas são sementes plantadas; e palavras repetidas são sementes regadas.

Os espias confessaram que o povo da terra era mais forte do que o povo de Deus; por isso, jamais conquistariam a terra. E o que é pior: revelaram uma auto-imagem negativa, ao se compararem a gafanhotos. Devemos aprender a confessar somente aquilo que Deus diz que somos. Deus diz que eu posso todas as coisas n’Ele. Ele diz ainda que eu sou filho dele e um soldado valente. Somente confesse aquilo que Deus diz que você é, tem ou pode fazer. Qualquer confissão fora da Palavra, certamente gera a morte.

Os espias olharam para si mesmos, demonstrando falta de fé na Pa­lavra de Deus, e confessaram a derrota. Eis os três aspectos da derrota em Cades-Barnéia. Por esse motivo, aquela geração foi rejeitada e impedida por Deus de entrar em Canaã. Morreram no deserto porque não creram em Deus. Não há nada mais triste do que se libertar do Egito e viver uma vida miserável no deserto. Muitos há, ainda hoje, que de fato saíram do Egito, mas nunca provaram da abundância de Deus, que está em Canaã.

 GUIA DE COMPARTILHAMENTO

1. O deserto é inevitável – todos nós passamos por ele. Todavia, não podemos imaginar que a vida cristã é para ser vivida no deserto.

A. Qual a finalidade do deserto na vida do povo de Deus?

B. Qual o papel das crises na vida do crente?

C. Você já enfrentou ou está enfrentando alguma crise? Como se sentiu ou está se sentindo diante dela?

D. Se o deserto é apenas um período de transição, por que muitos irmãos ainda continuam vivendo lá?

E. Como é possível a uma pessoa em crise não conhecer seu verdadeiro estado?

F. Qual é a sua própria condição neste momento?

2. O grande problema do povo de Deus é desconhecer o seu próprio valor. Se eu não sei quem eu sou, facilmente cederei às ameaças do inimigo. Contudo, quando eu conheço a minha força, as minhas armas, o poder que está em mim, eu me encho de coragem e destruo os meus adversários.

A. Nós somos aquilo que falamos e aquilo que julgamos ser. Você concorda com esta afirmação? Explique.

B. Qual a imagem que você tem de si mesmo?

C. Os espias olharam para si mesmos, esquecendo-se de olhar para aquilo que Deus é e para o que eles eram em Deus. De que modo esta declaração é a descrição de nossa própria realidade?

D. Houve ocasião em que você sentiu Deus distante?

E. Qual a imagem que você tem de Deus?

3. Este é o grande problema daqueles que vivem no deserto: duvidam da Palavra de Deus.

A.  Qual o grande problema dos crentes no deserto? Descreva-os.

B. Em que essas atitudes assemelham-se ao seu próprio modo de viver?

C. O incrédulo olha para o problema, e não para Deus. E quanto a você, quando se vê cercado de problemas, para quem olha? Para as circunstâncias ou para Deus?