VITÓRIA NO DESERTO

Lição 3 – O DEUS DA SEGUNDA CHANCE – 1ª Parte

Tendo os filhos de Israel tornado a fazer o que era mau perante o SENHOR, este os entregou nas mãos dos filisteus por quarenta anos.

Havia um homem de Zorá, da linhagem de Dã, chamado Manoá, cuja mulher era estéril e não tinha filhos.

Apareceu o Anjo do SENHOR a esta mulher e lhe disse:

- Eis que és estéril e nunca tiveste filho; porém conceberás e darás à luz um filho. Agora, pois, guarda-te, não bebas vinho ou bebida forte, nem comas coisa imunda; porque eis que tu conce­berás e darás à luz um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começará a livrar a Israel do poder dos filisteus (Jz 13.1-5).

Deus não é um Deus rígido e inflexível: Ele está sempre disposto a nos dar uma segunda chance. Na verdade, Ele nunca desiste de nós. Entre os seus contemporâneos, Sansão foi um dos homens que mais provou a longanimidade divina. Da parte de Deus, ele teve muito mais do que uma segunda chance. Por isso, caso você também tenha caído ou tropeçado, não desanime. Se o seu estilo de vida tem sido marcado por erros, quedas e fracassos, não desista, pois o nosso Deus é um Deus que sempre está disposto a nos dar uma nova chance.

Sansão foi escolhido por Deus desde o ventre materno. Um dia, um anjo apareceu aos pais dele e lhes disse que teriam um filho, o qual seria consagrado ao Senhor desde o ventre. O mesmo deu-se conosco: o Senhor também nos escolheu quando ainda estávamos no ventre materno. Talvez você não creia nesse chamado. Eu sei que, para muitos, é difícil crer nisso. Todavia, o Salmo 139 diz que Deus nos viu quando éramos uma substância ainda informe, e naquele momento foram escritos no livro de Deus todos os nossos dias. Cada um dos nossos dias foi escrito e determinado quando nenhum deles havia ainda. 

1. Consagrado ao Senhor

Sansão era nazireu. A palavra nazireu significa consagrado. De acordo com o livro de Números (Nm 6.1-7), três coisas eram proibidas ao nazireu: comer e/ou beber qualquer produto procedente da uva, cortar os cabelos e tocar em cadáveres. Cada uma dessas proibições aponta para realidades espirituais em nossas vidas.

1.1.Um nazireu não podia tomar vinho.

Na Palavra de Deus, o vinho simboliza a alegria e o prazer. Jesus reali­zou o primeiro milagre transformando água em vinho, para mostrar que o propósito principal de sua obra seria o de transformar a vida natural do ho­mem — tal como a água: inodora e insípida — numa vida plena e abundante.

O apóstolo Paulo compara o enchimento do Espírito Santo com a embriaguez com vinho (Ef 5.18). Esta é a razão por que um nazireu não bebia vinho: para mostrar que o seu maior prazer e deleite eram a pessoa do Senhor. Um nazireu renunciava a todo o prazer carnal, a fim de consagrar-se inteiramente ao Senhor. Do mesmo modo, a nossa consagração perde o sentido se não estiver baseada no amor ao Senhor e no prazer de andar em sua presença. Sem essa motivação, torna-se simplesmente um ato religioso ou legalista. 

1.2.Um nazireu não podia cortar o cabelo.

O cabelo do nazireu era um sinal notório de sua chamada. O apóstolo Paulo, discorrendo sobre o uso do cabelo comprido, esclareceu: para o homem, é vergonhoso ter o cabelo comprido; mas, para a mulher, é um sinal de submissão (l Co 11.10-14).

Creio que esses dois aspectos também são aplicados a nós, como nazireus. De um lado, a consagração ao Senhor, para muitos, é motivo de vergonha e zombaria; de outro, a consagração expressa a nossa submissão e o reconhecimento do senhorio de Jesus Cristo sobre nós.

O cabelo comprido do nazireu era o sinal mais evidente de sua consagração, porque expressava sua submissão e obediência. A nossa con­sagração ao Senhor sempre envolverá a disposição para sofrermos afrontas e zombaria e nos submetermos completamente a Deus. 

1.3.Um nazireu não podia tocar em cadáver algum.

Ser consagrado ao Senhor é mais que rejeitar o pecado, ou a carne. Ser consagrado ao Senhor é rejeitar tudo o que estiver impregnado pela morte.

No mundo espiritual, temos três inimigos e cada um deles opõe-se a uma Pessoa da Divindade. O diabo se opõe a Cristo (Mt 4.1-10), a carne faz guerra contra o Espírito (Gl 5.17) e o mundo se opõe ao Pai (l Jo 2.15-17). O mundo e tudo o que nele há é morte diante de Deus.

O pior inimigo de Deus é a morte. Se você não consegue discernir o que é a morte, basta olhar para dentro de si mesmo, após ter ficado horas diante da televisão, assistindo novelas, programas como os do Faustão, do Gugu, etc.

Para vencer o diabo, basta repreendê-lo e resistir-lhe pela fé; para vencer o pecado, basta confessá-lo e crer no poder do sangue do Cordei­ro. A morte, no entanto, só pode ser vencida através da comunhão e do amor do Pai.

Do mesmo modo, tal qual Sansão, nós também somos nazireus consagrados ao Senhor. E por causa dessa consagração, precisamos rejeitar o vinho da alegria e dos prazeres carnais e exibir o selo da submissão ao Senhor. O autor de Juizes diz que o Espírito de Deus se apossou de Sansão e passou a incitá-lo (Jz 13.25; 14.6).

Há muitos irmãos que não são cheios do Espírito, simplesmente, porque não têm um coração consagrado a Deus. Logo, a consagração é uma das condições para sermos usados por Ele. Não me refiro àquela consagra­ção religiosa ou legalista, mas àquela que vem de um coração que deseja a presença de Deus. A verdadeira consagração traz a unção, e a unção, por sua vez, manifesta o poder. Essas três coisas são visíveis na vida de Sansão. 

2. O inimigo quer quebrar nossa consagração

A fonte da nossa força espiritual é a unção do Espírito. E o inimigo sabe que sem a unção não temos poder; por isso, ele procura seduzir-nos, com o intuito de quebrar a nossa consagração espiritual. Foi o que aconteceu com Sansão.

De acordo com Juizes 14.5, Sansão gostava de passear entre as vinhas. Embora soubesse que, como nazireu, não lhe era permitido co­mer uvas, ele sempre dava um jeito de passar perto dos parreirais. Esta atitude é tão parecida com a nossa maneira de agir que, por um instante, julgamos que somos nós – e não ele – que estamos vivendo esses fatos.

Na verdade, nós também, apesar de não podermos comer as uvas do parreiral do mundo, apreciamos bastante o cheiro delas. É como se Deus nos tivesse proibido de comer pizzas. Em obediência ao Senhor, deixamos de comê-las. No entanto, encontramos um jeito de passar perto de uma pizzaria, só para sentir o cheiro de pizza e observar as pessoas comendo. “Quem brinca com fogo, uma hora se queima”, diz o provérbio popular.

O diabo é tão astuto que não nos conduz diretamente ao pecado. Primeiro, ele nos convence de que não há nada de errado em passear entre os parreirais e sentir o cheiro das uvas. “Não precisa comer, apenas faça dali seu local de caminhada” – diz ele, com ar inocente. Muitos irmãos não vivem no pecado ou no mundo, mas na fronteira entre ambos.

Certo dia, depois de fazer a caminhada habitual entre as vinhas, Sansão matou um leão (Jz 14.8-9). Dias depois, ao passar pelo local, percebeu que dentro do cadáver do leão havia uma colmeia com bas­tante mel.

Veja aqui como o diabo é astuto e sutil. A um nazireu era proibido tocar em cadáveres. E o que o ele fez? Colocou mel no cadáver. Sansão não tocou no cadáver do leão, mas chegou muito perto. Atenção! O inimigo pode estar colocando mel nas coisas do mundo para tentá-lo, atrai-lo e roubar-lhe a consagração. Cuidado com o mel no interior de “cadáveres!” 

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l . Sansão foi escolhido por Deus desde o ventre materno.

A.   Descreva uma ocasião em que você foi especialmente es­colhido para uma determinada missão. Como se sentiu? Lembra-se como foi?

C.  O que significa para você ter sido escolhido por Deus?

2. Sansão era nazireu.

A.   O que caracteriza aqueles que são chamados para o nazireado?

B.   O que você percebe em si mesmo que não esteja de acordo com esse chamado?