VITÓRIA NO DESERTO

LIÇÃO 4 – AS PROPOSTAS DE FARAÓ – 1ª Parte 

Na Palavra de Deus existem algumas ilustrações – ou alegorias – que mostram as realidades espirituais. Uma delas encontra-se no Livro de Êxo­do. O povo de Deus foi escravizado no Egito, por Faraó, durante muitos anos. Faraó é um símbolo do diabo, e o Egito é um símbolo do mundo. Todos nós, no passado, fomos escravos de “Faraó”, no mundo. Éramos escravos da bebida, das drogas, do sexo, do dinheiro; enfim, de todo tipo de pecado. Mas um dia Deus mandou Moisés a Faraó, com a seguinte ordem: “Deixa o meu povo ir.” (Moisés, naturalmente, simboliza Jesus.)

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Se você tem consciência de ter sido escravo de “Faraó”, responda: Existem pessoas, sentimentos, situações ou hábitos de cuja influência e do­mínio desejaria libertar-se?

Deus disse a Moisés que ordenasse Faraó a libertar o povo de Isra­el. Faraó, entretanto, não tinha a intenção de fazê-lo. Em cada um dos encontros que se seguiram, Faraó mostrou-se irredutível, mas o que ele queria mesmo era negociar com Moisés (SIRVAM AO SEU DEUS NO EGITO / SIRVAM A DEUS FORA DO EGITO, MAS NÃO MUITO LONGE / SIRVAM A DEUS, MAS DEIXEM A FAMÍLIA FORA DISSO / SIRVAM A DEUS, MAS DEIXEM OS SEUS BENS FORA DISSO). Hoje, todos nós também lidamos com Faraó (o diabo). O que Deus espera de nós é que ordenemos o inimigo a cumprir a vontade do Senhor.

Aqui, existe um princípio espiritual. Sempre que enfrentamos Faraó para tomar-lhe algo, que de direito nos pertence, o revide vem imediata­mente. Assim, uma situação que já era difícil, agrava-se ainda mais. Veja o que aconteceu aos israelitas, logo que Moisés enfrentou Faraó:

Naquele mesmo dia, pois, deu ordem Faraó aos superintendentes do povo e aos seus capatazes, dizendo: – Daqui em diante não torneis a dar palha ao povo, para fazer tijolos, como antes; eles mesmos que vão e ajuntem para si a palha. E exigireis deles a mesma conta de tijolos que antes faziam; nada diminuireis dela; estão ociosos e, por isso, clamam: Vamos e sacrifiquemos ao nosso Deus. Agrave-se o serviço sobre esses homens, para que nele se apliquem e não dêem ouvidos a palavras mentirosas (Ex 5.6-9).

 

De início, o monarca egípcio não deu crédito à Palavra do Senhor; em vez disso, sobrecarregou os hebreus com mais tarefas, exigindo deles a mesma produção de tijolos (Ex 5.6-14). Os novos convertidos são os que mais vivem, na prática, essas experiências. Depois da conversão, parece que as coisas tornam-se piores do que antes. A situação financeira, familiar ou profissional parece ficar de pernas para o ar. Mas não se preocupe; é o diabo esperneando porque alguém escapou do controle dele.

Em seguida, Faraó acusou os filhos de Israel de estarem ociosos. Quando nos decidimos por Cristo, o mundo também nos acusa de ocio­sidade. “Gente ociosa” – dizem maldosamente nossos acusadores – “é que tem tempo de sobra para participar de reuniões de estudos bíblicos e de oração, encontros, seminários…” Alguns chegam a dizer que todo crente é preguiçoso.

E, por último, o imperador egípcio tentou induzi-los a crer que as palavras de Moisés eram palavras vãs e mentirosas. O propósito de Faraó é impedir que as pessoas ouçam a Palavra de Deus. Ele sabe que a Palavra tem o poder de transformar vidas. Como resultado de tudo isso, a vida do povo de Israel tornou-se muito mais atribulada.

Você já observou que, após ter-se convertido, também passou pelas mesmas circunstâncias? Você já percebeu também que basta começar a orar por alguém que a situação dessa pessoa, a princípio, parece piorar? Isso acontece porque estamos lidando com Faraó. E, nessa situação, a única arma que ele tem contra nós é a intimidação. Mas lembre-se: “O diabo só se levanta para ser derrubado, e só mostra a cara para ser envergonhado.”

Compartilhando:

Sempre que enfrentamos Faraó para tomar-lhe algo, que de direito nos pertence, o revide vem imediatamente. Assim, uma situação que já era difícil, agrava-se ainda mais.

A. Analise sua própria experiência. O que você ganhou esse tempo todo sob a escravidão de “Faraó”? Quais as áreas mais atingidas na sua vida?

B. Você já observou que, após sua conversão e rompimento com Faraó, de repente, surgiram mais problemas, mais lutas, mais perseguições, mais levantes em sua vida, parecendo até que você está literalmente cercado de trincheiras ou caminhando em terreno minado?

C. “Ó Senhor nosso Deus, outros senhores têm tido domínio sobre nós”, confessou o profeta Isaías ao enfrentar situação semelhante (Is 26.13). Se lhe perguntassem se outros senho­res estão dominando sobre você, qual seria a sua resposta? Você tem um mau gênio? Tem acessos repentinos de raiva? Tem dificuldade de esquecer ofensas, maus tratos, traições…? Que outros senhores podem ser identificados?

Não precisamos temer o adversário, nem as suas intimidações. O diabo sabe que não pode resistir à autoridade do nome de Jesus. O Senhor afirmou que as portas do inferno não prevaleceriam contra nós (Mt 16.18). E você sabe por quê? Porque o Senhor Jesus nos deu as chaves do Reino dos Céus. O que é maior, a porta ou a chave? A porta, naturalmente; mas a chave, incomparavelmente menor, prevalece sempre sobre a porta.

O inimigo pode se levantar contra nós como uma grande porta, mas nós não o tememos porque temos as chaves que prevalecem sobre a porta – o nome do Senhor Jesus Cristo. O diabo tem a porta, mas nós temos as chaves. O inimigo sabe que já não poderá mais nos resistir. Então, assim como fez com Moisés, tenta também negociar conosco.

Infelizmente, muitos de nós, diante das intimidações e pressões, temos cedido e negociado com Faraó. Como o diabo nunca muda, ele vai continuar fazendo para nós as mesmas propostas que fez, no passado, a Moisés. Senão, vejamos:

  1. 1.      SIRVAM AO SEU DEUS NO EGITO

 Chamou Faraó a Moisés e a Arão e disse:

-   Ide, oferecei sacrifícios ao vosso Deus nesta terra.

Respondeu Moisés:

-   Não convém que façamos assim, porque ofe­receríamos ao SENHOR, nosso Deus, sacrifícios abomináveis aos egípcios; eis que, se oferecermos tais sacrifícios perante os seus olhos, não nos ape­drejarão eles? Temos de ir caminho de três dias ao deserto e ofereceremos sacrifícios ao SENHOR, nosso Deus, como ele nos disser (Ex 8.25-27).

A primeira proposta de Faraó sugeria que o povo servisse a Deus, desde que não deixasse o Egito. O nosso adversário, no mundo espiritual, não se importa quando servimos a Deus no “Egito”. Entretanto, essa política de boa vizinhança entre a Casa de Deus e o “mundo” tem sérias implicações:

Em primeiro lugar, cria o perigosíssimo precedente de que, para ser­vir a Deus, não precisamos da Igreja. O inimigo usa até mesmo as pessoas para nos convencerem de que podemos servir a Deus em nossa casa, sem nenhum prejuízo à nossa fé ou vida espiritual.

Em segundo lugar, estabelece o conceito de que, ao mesmo tempo, podemos servir a Deus e ao “mundo”. Não precisa haver separação nem diferença alguma. “Você pode ser crente, desde que não seja um desses fanáticos e estressados” – diz o diabo. “O que importa” – conclui o pai da desobediência – “é receber as bênçãos de Deus, não a forma nem o lugar onde servi-lo.”

Por último, essa política de boa vizinhança entre a Casa de Deus e o mundo fortalece a visão de que a Igreja é simplesmente uma prestadora de serviços espirituais. E, por terem abraçado essa visão, muitas igrejas estão correndo atrás de clientes, fazendo-lhes promessas mirabolantes, numa competição acirrada às concorrentes.

  • Se você está precisando de oração, nós oramos por você!
  • Se você não tem fé, não se preocupe: nós temos fé por você!
  • A nossa oração é forte: afasta energia negativa, encosto, mau-olhado e qualquer praga ou maldição lançada contra sua vida financeira e sentimental!
  • Se você está precisando de libertação, venha para a nossa igreja, pois aqui nós pisamos na cabeça do diabo!
  • Não importa qual é a natureza dos seus problemas: aqui temos a solução. Participe da corrente dos X-Pastores, que todos eles serão resolvidos!

Alguém pode até deslumbrar-se com esse tipo de Igreja e dizer: “Não é maravilhoso isso, pastor?” O problema é que a Igreja não é uma prestadora de serviços espirituais. Cremos que devemos orar pelas pessoas, libertá-las, curá-las e ensiná-las, mas tudo isso deve ser feito dentro do contexto de uma Igreja com compromisso e relacionamentos. Se tudo isso for feito sem a contrapartida da fidelidade a Deus, do compromisso com a Palavra e com o discipulado, então correremos sérios riscos.

- “Pastor! Que há de mais, quando estamos abençoando as pessoas?” Alguém questiona.

Precisamos entender que as coisas espirituais nunca são neutras. Muitos pensam que a oração de imposição de mãos é sempre bem-vinda porque, se não fizer nenhum bem, com certeza, também não fará mal. Isso é um engano. Jesus disse em Lucas 11.24-26 que um demônio, depois que sai de uma pessoa, anda por lugares áridos procurando repouso; e, não o achando, volta para sua antiga residência – que se encontra varrida e ornamentada, mas vazia — e traz consigo outros sete demônios piores que aquele. E o estado dessa pessoa torna-se pior do que o anterior. É algo muito sério e arriscado querer apenas a oração de libertação, e não o compromisso correspondente com Deus. Se a casa não for ocupada, o inimigo com certeza voltará e a situação ficará pior do que antes.

Nem mesmo a Bíblia é neutra. Veja o que está escrito em 2 Coríntios 3.6: “… a letra mata, mas o espírito vivifica”. Se nos voltarmos para a Palavra de Deus sem a intenção de obedecer, aquela mesma Palavra que é vida para muitos pode ser morte para nós. Até mesmo servir a Deus não é uma atitude neutra.

Em Levítico 10, lemos a história de dois jovens, Nadabe e Abiú, que queriam fazer a Obra de Deus sem o temor e a santidade devida. Qual foi o resultado disso? Ambos morreram diante de Deus. Em Atos 5, temos o caso de Ananias e Safira, um casal da Igreja Primitiva, cujo único pecado foi ofertar a Deus, religiosamente, sem o coração.

Paulo também nos exorta,em l Coríntios11.28-30, sobre a se­riedade de participar da mesa do Senhor e mostra que, inclusive, alguns já partiram e outros estão doentes porque tomaram a Ceia de modo ilícito, como se fosse apenas um ato litúrgico. Penso que tais exemplos são suficientes para convencemos de que no mundo espiritual não há neutralidade – é morte ou vida.

“Faraó” não dá a mínima importância se o povo serve a Deus, desde que continue no “Egito”. Ele não se importa se recebemos oração, desde que continuemos debaixo de seu jugo. Isso lhe permitirá enviar depois outros sete espíritos demoníacos, piores do que o primeiro. Você pode ler a Bíblia, desde que seja somente a letra. No entanto, toda essa dedicação à Obra de Deus — estando você ainda no “Egito” — será apenas um fogo estranho.

O inimigo não se importa que entreguemos nossas ofertas, desde que o façamos como Ananias e Safira – de forma religiosa. Ele sabe que tudo o que fizermos ou recebermos de Deus, conforme o padrão deste mundo, resultarem em morte. Não podemos fazer negócios de espécie alguma com “Faraó”. Vamos servir a Deus e o faremos fora do “Egito”.