VITÓRIA NO DESERTO

LIÇÃO 7 – ESTRATÉGIAS DE CRESCIMENTO – Parte 2

 

3. ESTRATÉGIAS USADAS POR DEUS PARA PROMOVER NOSSO CRESCIMENTO ESPIRITUAL 

a. Ensino

O ensino é uma estratégia que produz mudanças contínuas na conduta humana. Quando a Palavra ministrada toca em alguém, imediatamente produz mudanças na vida dessa pessoa. A visão e percepção espiritual são alargadas através do ensino. Quando a Palavra é ensinada, há crescimento espiritual. Essa é a razão por que insistimos tanto com você para participar das reuniões da Igreja. Cada reunião de que você participa ou cada irmão que ministra em sua vida, seja no templo ou nas células, é um instrumento usado pelo Espí­rito Santo para tratar o seu caráter, a sua alma ferida, o seu relacionamento pessoal e a sua comunhão com Deus. Quando você vem à casa de Deus e louva ao Senhor, você se enche do Espírito Santo e da vida de Deus.

A Palavra de Deus é arma que habilita o crente para guerrear contra o inimigo. A Palavra também é vida. Jesus disse: “… as palavras que vos te­nho dito são espírito e são vida” (Jo 6.63). Isso significa que, quando você vem à Igreja e ouve a Palavra, você se enche da vida de Deus. A Palavra é o próprio Deus. A Bíblia diz: “No princípio era a palavra, e a palavra estava com Deus e a palavra era Deus” (Jo l. l). Quando eu me encho da Palavra, estou me enchendo de Deus.

Às vezes, você vem para o culto sentindo como se estivesse carregando um fardo pesado. E, à medida que a Palavra é ministrada, você começa a sentir-se aliviado. Não consigo entender como um crente consegue sobrevi­ver distante da Igreja. É por isso que os faltosos não crescem. Participar das reuniões, ouvir a Palavra, ministrar ao Senhor, receber oração, ser ministrado, ter comunhão, tudo isso é fator de crescimento.

O crescimento espiritual está ligado à instrução. Não pensem que a instrução vem somente através da Palavra ministrada na Igreja. Somos também instruídos quando um irmão compartilha seu testemunho ou uma experiência marcante com Deus. Sempre que uma verdade da Palavra é inserida dentro do seu espírito, você é edificado e cresce espiritualmente.

Participar de reuniões de ministração e de ensino é absolutamente vital para o nosso crescimento espiritual. Nessas ocasiões, o nosso coração é arado, quebrantado e encharcado com a água do Espírito Santo de Deus. E nessas condições, quando a Palavra ministrada entra pelo ouvido e che­ga ao coração, a semente semeada germina. E, sem que você faça nada, a semente que brotou firma as raízes, cresce e frutifica. A semente cresce e frutifica por si mesma. Assim também é o nosso crescimento espiritual. Ninguém precisa ficar se vigiando, noite e dia, para comprovar mudanças em si mesmo. O crescimento vem de Deus, através da Palavra.

Compartilhe uma experiência em que você sentiu o “toque” da Palavra de Deus e o que isso trouxe de mudanças práticas para a sua vida.

b. Inspiração (Motivação)

Ninguém cresce espiritualmente se não estiver inspirado ou motivado a crescer. O apóstolo Paulo foi um dos homens que mais praticou esse princípio. Nós o encontramos, o tempo todo, incenti­vando seus discípulos a conquistarem novos desafios, dizendo-lhes:

“Sejam meus imitadores como eu sou de Cristo” (l Co 11.1).

Se você anseia crescer espiritualmente, então procure andar com pessoas perseverantes na fé, disciplinadas na oração, comprometi­das com a Palavra e identificadas com os princípios de pureza, de santidade, de humildade, de obediência e de submissão. Andar na companhia de pessoas com esse perfil motiva-nos a alcançar novos níveis. Se você estiver passando por lutas, busque a inspiração para vencer junto àqueles que passaram pelas mesmas lutas e venceram. Se você quiser ir em frente, caminhe com aqueles que estão rompendo em fé e conquistando novos desafios.

c.  Tribulação

Sem adversidade não há crescimento. A adversidade tem o mérito de testar a nossa estrutura. Jesus disse que aquele que ouve as palavras dele e as pratica é semelhante a um homem prudente, cuja casa foi edificada sobre a rocha, enquanto aquele que ouve e não as pratica é semelhante a um homem insensato, que edificou a própria casa sobre a areia. Jesus disse ainda que ambas as casas passariam por um teste de resistência: viria uma chuva forte — seguida de ventos impetuosos – cujas águas fariam transbordar os rios. Isto nos fala de circunstâncias espirituais. Como a chuva vem de cima, significa que Deus mesmo criaria situações para testar a estabilidade de cada uma dessas casas. Os ventos sopram dos lados e estão relacionados à atividade demoníaca. A Bíblia diz que os demónios são potestades dos ares, e que todos nós estamos sujeitos aos ataques deles. Esses ataques, que são inevitáveis, têm um lado positivo: mostrar qual das duas casas é firme.

Jesus disse também que as águas provocariam o transbordamento dos rios. Esse transbordamento vem de baixo, ou seja: é coisa que vem do homem. O homem, às vezes, constitui-se numa fonte de problemas. Quem já lidou com um chefe rabugento ou com um mau vizinho, sabe do que estou falando. Mas, ao contrário do que muitos pensam, a Bíblia afirma que isso é bom para nós. Você acredita nisso? Então veja: “Meus irmãos, tende por motivo de muita alegria o passardes por várias tribu­lações..” (Tg 1.2). Quando você passa pela tribulação, a sua fé cresce e desenvolve, em seu caráter, a perseverança.

Como é que alguém cuja vida vai de bem a melhor aprende a perseverar? O que exige mais esforço e resistência física, subir ou descer uma ladeira íngreme? Aliás, é numa subida que testamos o motor do carro. Se de vez em quando não houver uma subidinha, a vida fica sem graça. A tribulação é que gera a pressão que nos impulsiona à vitória.

Em circunstâncias normais, não temos como saber quem, de fato, somos. As circunstâncias têm o mérito de fazê-lo. Você passa a se conhe­cer melhor depois de ter “esquentado” a cabeça, por exemplo. Temos a tendência de relevar o que as pessoas dizem ou fazem no momento da raiva, porque estão com a cabeça “quente”. Nesse aspecto, Deus é diferente: Ele quer ouvi-lo quando você está com a cabeça “quente” por­que com a cabeça “fria” tudo o que você diz e faz é premeditadamente religioso. Com a cabeça “quente” ninguém finge nada – a pessoa é o que é. Eu sei que nessa hora até você se assusta e diz: “Nossa, perdi a cabeça.” Perdeu nada; ao contrário, descobriu tudo o que você era e não sabia. Então, nesse caso, a provação foi uma bênção. Por isso, diz Tiago: “Louve a Deus pelas tribulações.”

Desenvolvemos nossa sensibilidade quando sofremos tribula­ções. Somente aquelas pessoas que passam por circunstâncias adversas aprendem a sentir a dor do outro. Se você nunca passou por nenhum momento de dor, talvez riria da dor do outro. Você pode até achar engraçado o tombo sofrido por alguém. Mas, provavelmente, não achará graça nenhuma, nem apreciará que os outros riam se você também tropeçar e cair. A partir daí, você se tornará sensível aos tro­peções alheios. A vontade de Deus é que nos tornemos sensíveis à dor do nosso irmão.

d. Experiência

Nada substitui o tempo. O autor de Eclesiastes diz que há tempo para tudo. Há tempo de ser criança, tempo de crescer e desistir das coisas de criança. Existem pessoas querendo pular a lição na “cartilha” de Deus. O crescimento, todavia, demanda tempo. A experiência está ligada ao crescimento. Você pode me ouvir todos os dias, durante um ano inteiro, e aprender tudo o que eu sei. Mas você não terá a mesma maturidade que eu tenho.

Todas as estratégias de crescimento vistas anteriormente – a instru­ção, a inspiração e a tribulação – são importantes; mas nada substitui a experiência. Viver uma situação qualquer e aprender com a própria expe­riência produz crescimento. Também aprendemos ouvindo. É tão bom conversar com alguém experiente! A experiência é o troféu das pessoas mais velhas, que já foram provadas pela vida. As coisas que aprendemos e as experiências pelas quais passamos podem ser ensinadas e transmitidas para outros.

e. Desafio

O desafio é diferente da tribulação. Na tribulação, Deus joga você no meio das feras e diz: “Agora, você tem que lutar com elas.” Aí você tem de dar um jeito de crer que vai ministrar-lhes uma unção de sono e fazê-las dormir. No desafio, Deus chega para você e diz: “Vem cá, meu filho! Você está vendo aquela trilha ali, cheia de cobras? Siga através dela, pois, mais à frente, eu tenho algo para você.”

A tribulação é diferente do desafio. Nela, você não tem saída: ou você mata o leão, ou o leão mata você. No desafio, você pode retroceder. A nossa vida é feita de desafios. O desafio assusta, mas se você não recuar, com certeza, sairá daquela situação com a fé robustecida e de cabeça erguida. E, quanto mais forte o desafio vencido, mais forte torna-se sua fé e confiança na Palavra. Depois disso, você pode então declarar com firmeza: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13). Em Jesus, não importa o desafio a enfrentar, somos sempre mais que vencedores (Rm 8.37). Não há crescimento espiritual sem desafios.

Compartilhar: Sem adversidade não há crescimento. Qual a sua opinião sobre isso?

 

f. Relacionamentos

O discipulado é um tipo de relacionamento que nos ajuda a crescer. No discipulado, eu me coloco debaixo da autoridade de alguém. Bibli­camente, todos nós precisamos manter um relacionamento desse tipo, no mínimo, com três pessoas, conforme o exemplo de Timóteo, Paulo e Barnabé. Todos nós precisamos de um Paulo, de um Timóteo e de um Barnabé na nossa vida. Timóteo é aquele a quem estamos ensinando, instruindo, inspirando. Com a nossa experiência ajudamos o Timóteo a crescer e a desenvolver-se espiritualmente. E não é só o meu Timóteo que cresce, eu também cresço junto com ele, ensinando-o, tirando-lhe as dúvidas, ajudando-o a resolver seus conflitos. Se você ainda não tem um Timóteo, então você não está crescendo.

Barnabé é aquele companheiro com quem conversamos de igual para igual, com quem choramos e rimos juntos.

Paulo é aquele que está acima de nós, motivando-nos, inspirando-nos e ajudando-nos a crescer. Paulo é aquele a quem nos submetemos e prestamos conta da nossa vida. Paulo é alguém a quem dei liberdade para interagir na minha vida. Ele fala, e eu ouço; ele me exorta, e eu me cor­rijo. Ainda que eu não goste de ouvir o que ele me diz, eu vou continuar ouvindo-o, respeitando-o e honrando-o. Ainda que a correção produza feridas, eu sei que elas serão curadas. Por isso, não deixarei de responder — e não apenas reagir — ao tratamento.

A maioria dos crentes apenas reage — e não responde — às correções. Nesse caso, reagir é o mesmo que levar uma martelada no joelho, por exemplo. Imediatamente, num reflexo, você desfere um chute nessa pessoa. Muitos só têm este reflexo. Responder é diferente — a martelada vem e eu me pergunto: “Por que ganhei essa martelada? Por que ele me deu essa martelada?” Então, em vez de chutar, eu respondo: “Eu mereci. Glória a Deus por essa martelada” Isso, sim, é que é responder. Infelizmente, essa é a razão por que aqueles que só reagem e não respondem acabam fugindo dos relacionamentos, por não terem um Paulo a quem responder, um Barnabé com quem compartilhar, nem um Timóteo a quem ministrar. Você quer crescer e avançar no Senhor? Esses são os seis fatores de crescimento que o Senhor quer usar na sua vida.

Compartilhar: Quais os tipos de pessoas que mais contribuem para o nosso crescimento espiritual? Como elas fazem isso? Será que outras pessoas podem fazer de você um referencial para o seu próprio crescimento espiritual? Assim como Paulo, você também pode dizer-lhes: “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo”? (l Co 11.1).

  • Se a estratégia que o Senhor quer usar hoje for a instrução, responda imediatamente: absorva e coma a Palavra.
  • Se você está deslumbrado com a igreja, então dê glórias a Deus por isso. Uma pessoa deslumbrada cresce, porque imita e absorve os exemplos que a deixaram deslumbrada.
  • Se for a tribulação, responda a Deus e pise na cabeça do diabo. Aprenda a pelejar; tenha uma fé robusta; aprenda a perseverança; não ande por sentimento; cresça no meio da tribulação.
  • Se Deus está querendo levar você a crescer através do rela­cionamento, responda ao Senhor, procurando de imediato um Timóteo, um Barnabé e um Paulo. Relacione-se com eles e cresça.

Eventualmente, Deus pode mudar suas estratégias. Numa ocasião, Ele usa a tribulação e, em outra, a instrução. Apesar de variar e mudar os métodos, Deus jamais deixa de lidar conosco. O que Ele quer de nós é que cheguemos à estatura de varão perfeito. Só reinará com o Senhor quem for maduro espiritualmente. E aqui e agora é o tempo para crescermos nessa maturidade; aqui e agora é o tempo de ser restaurada em nós a imagem do Senhor. Portanto, vamos responder a Deus.