RESPOSTAS PARA OS GRANDES PROBLEMAS DA VIDA

 RICK WARREN

POR QUE ISTO ESTÁ ACONTECENDO COMIGO? – PARTE 1

 

Compartilhe: Como devemos reagir quando outras pessoas nos fazem mal?

José, personagem do Antigo Testamento cuja história está em Gênesis 37—50, é um dos principais exemplos de alguém que sofreu em função de dificuldades criadas por outras pessoas.

Como você deve saber, José foi o décimo primeiro filho entre doze irmãos. Em sua família havia muita rivalidade e os irmãos mais velhos começaram a sentir um ciúme especial de José por ele ser o favorito de seu pai. Quando o problema atingiu um ponto crítico, seus irmãos jogaram José num poço e o deixaram lá para morrer. Contudo alguns mercadores estavam passando e os irmãos disseram: “Em vez de matá-lo, vamos vendê-lo”. Assim, os irmãos mais velhos de José o venderam a esses mercadores es­trangeiros que o levaram como escravo para o Egito.

Aqui está José, num outro país. Não conhece ninguém, não fala o idioma local e está na condição de escravo contra sua von­tade. Como se não bastasse, certo dia a esposa de seu patrão decidiu seduzi-lo. Depois de rejeitar a proposta, ela o acusou fal­samente de ter abusado dela, fazendo com que José fosse lançado na prisão. Ele estava sozinho e sofria; tinha todo o direito de per­guntar: “Por que eu?”.

Observe, porém, a atitude de José muitos anos mais tarde, quando conversa com seus irmãos a respeito da situação: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos” (Gn 50.20).

Aprendendo com José

Por que Jose foi capaz de permanecer firme? Por ter reconhecido três verdades importantes em sua vida. Primeiramente, José sa­bia que Deus vê tudo o que acontece conosco e se importa. Isso fica muito evidente na vida de José. Ele nunca duvidou de que Deus soubesse o que estava acontecendo com ele e se importasse com a situação. Há uma frase muito importante que aparece cinco vezes na história de José, cada uma delas depois de um grande problema ou de uma derrota: “O SENHOR estava com José”. Mes­mo quando tudo estava dando errado, o Senhor ainda estava com José.

A segunda verdade que José reconheceu foi a de que Deus deu liberdade de escolha a todos. Você não é um fantoche ou um robô que faz pequenos pedidos a Deus. Deus deu liberdade de escolha a todos nós e, quando decidimos ignorar o que é certo, Deus não nos impõe sua vontade. Quando criamos problemas para nós mesmos, geralmente culpamos Deus, como se tudo fosse culpa dele. Culpamos Deus por muitas coisas que ele nunca cau­sou! Quando vemos um acidente grave, um problema, uma situa­ção difícil, tentamos parecer espirituais dizendo: “E a vontade de Deus” — como se Deus tivesse prazer em planejar dificuldades e dores de cabeça!

Na verdade, o que acontece é que a vontade de Deus nem sempre é feita. Deus tem um plano para cada um de nós, mas ele também nos deu o livre-arbítrio. Quando escolhemos seguir nos­so próprio caminho, Deus limita sua atuação; ele respeitará nossa liberdade de escolha mesmo que venhamos a cometer erros e causar problemas a nós próprios.

Deus também respeita as escolhas das outras pessoas e os erros delas podem vir a nos machucar. No caso de José, seus irmãos escolheram deliberadamente conspirar contra ele. Eles comete­ram um pecado, mas Deus o permitiu porque as pessoas não são fantoches em suas mãos.

A terceira verdade reconhecida por José foi a de que Deus tem o controle supremo do desfecho de todas as coisas. Ele pode pegar todos os nossos erros e também os pecados que os outros cometeram contra nós e, então, tornar tudo em bem. Ainda que você perca uma batalha uma vez ou outra, Deus já venceu a guer­ra. Deus pode tomar até mesmo situações muito difíceis e torná-las em bem. Quando imaginamos que nossa vida está desmoronando, Deus tem a palavra final. Ele decide o que acontecerá.

Considere José. Ele quase foi morto, depois foi vendido como escravo, foi acusado de estupro e finalmente o colocaram na prisão. Sua vida, até aquele momento, estava indo por água a baixo. Todavia Deus tomou essas tragédias, transformou-as e promoveu o bem por meio delas. Enquanto estava na prisão, José fez amizade com um homem que era o braço direito do faraó. Quando esse homem foi restaurado a sua posição, o faraó teve um sonho e, então, o homem lembrou-se de que José podia interpretar sonhos. José foi chamado ao palácio do faraó e inter­pretou o sonho: “Faraó, Deus está-lhe dizendo que você terá sete anos de boas colheitas e, depois, sete anos de fome; portan­to, você precisa preparar-se”.

O faraó ficou tão impressionado com José que fez dele o segun­do no comando de todo o Egito. José saiu da posição de escravo estrangeiro aprisionado para comandante do Egito e, assim, ele salvou da fome o Egito e muitas outras nações, incluindo Israel.

Deus vê o que está acontecendo, mas ele nos deu liberdade de escolha e não interfere contra a nossa vontade. Ele usará até mesmo nossas péssimas escolhas e as coisas ruins que acontecem conosco, transformando-as em bem no final — se nós permitir­mos. Foi por isso que José pôde dizer no fim de sua vida: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus tornou em bem”. Deus só pôde tornar o mal em bem porque José confiou em Deus mes­mo quando não entendia o que estava acontecendo.

Suportando a adversidade

Talvez você esteja enfrentando uma provação. Talvez você seja a parte inocente. Talvez seja vítima de uma situação que não foi causada por você. Bem, considere a reação de José. A primeira coisa que ele não fez foi entregar-se à autocomiseração. Se você está passando por uma dificuldade ou provação, então não pode dar lugar à autocomiseração. Essa é uma das principais causas de depressão. De modo geral, quando se tem um problema sério e nossa auto-estima já está num nível baixo, começamos a nos con­denar, a fazer pouco de nós mesmos e acabamos repletos de au tocomiseração.

José não fez isso; ele não culpou a si próprio. Ele não era cul­pado pela situação que estava enfrentando e tentou ver as coisas de modo realista. Um barco só conseguirá vencer uma tempesta­de se a encarar de frente. Se estiver de lado, o barco vai naufra­gar. A melhor forma de enfrentar as tempestades que aparecem em nossa vida é agir de cabeça erguida.

Se você estiver atravessando um período de desânimo por enfrentar uma provação e estiver perguntando-se “Por que isso está acontecendo comigo?”, considere o seguinte: nunca tome uma decisão importante quando estiver deprimido. Com freqüência, quan­do estamos desanimados, somos tentados a dizer: “Vou desistir”. “Vou-me mudar.” “Vou mudar de emprego.” “Vou-me divorciar.” Nunca tome uma decisão importante quando estiver deprimido porque, nessa situação, você não poderá fazer julgamentos corre­tos. Seu foco está ofuscado e sua perspectiva, distorcida. Em vez disso, enfrente a tempestade com coragem e não se entregue à a u tocomiseração.

Há outro aspecto que podemos perceber na vida de José quan­do todas essas coisas estavam acontecendo: ele não deu lugar à amargura. Depois de muitos anos, José encontrou novamente seus irmãos, pois eles tiveram de ir ao Egito comprar trigo. Quan­do entraram na presença de José e se curvaram diante do se­gundo no comando do Egito, não o reconheceram como seu irmão mais novo.

Eles ficaram tanto chocados quanto temerosos quando José lhes tentou dizer quem era. Ali estava o irmão que eles haviam tentado matar muitos anos antes e, naquele momento, estavam-se curvando diante dele. Mas José perdooudhes. José sabia que ama pessoa não pode suportar o excesso de peso que a amargura traz à sua vida.

O que devemos fazer quando somos tentados a sentir amargu­ra? Entregar ao Senhor. Foi isso que José fez: ele colocou sua fé e sua esperança em Deus. Ele creu que as coisas ficariam bem no final e seguiu em frente na vida espiritual.

Quando as coisas não estão bem, com freqüência rejeitamos a pessoa de quem mais precisamos: o Senhor. Quando um proble­ma surge em sua vida, talvez você comece a dizer: “Deus, por que você permitiu que isso acontecesse?”. Talvez você se rebele contra Deus como se a culpa fosse dele.

Em vez disso, você deveria dizer: “Senhor, entrego a ti este problema”. Deus pode tomar situações terríveis e torná-las em bem. Deus pode usar situações que visam a destruir você para fazer com que você se desenvolva. Ele adora transformar crucifi­cações em ressurreições.

A Bíblia não apenas mostra as razões pelas quais sofremos, mas também nos conforta e nos ajuda quando sofremos. Se aplicarmos à nossa vida as fontes de força interior apresentadas a seguir, nenhuma situação poderá arrasar-nos e nenhuma dificuldade po­derá afligir-nos de modo permanente.