VITÓRIA NO DESERTO

LIÇÃO 7 – ESTRATÉGIAS DE CRESCIMENTO – Parte 1

Quando eu era menino falava como menino, pensava como menino, sentia como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. (1 Co 13.11)

Compartilhar: Leia 1Co 13.11. Em sua opinião, o que as pessoas estão querendo dizer quando falam em crescimento espiritual? 

O crescimento em Deus é um pouco diferente do crescimento natural, apesar de haver algumas semelhanças entre ambos. 

1. O CRESCIMENTO NATURAL

O crescimento natural é espontâneo. Você cresce, independente de querer ou não. Todos nós já fomos criança um dia e, ao chegarmos à fase adulta, naturalmente, abandonamos os comportamentos próprios de criança. Se isto não acontece, as pessoas passam a julgar-nos desajustados. O que se espera de uma pessoa de trinta anos? Que tenha o comporta­mento característico dessa faixa etária. As pessoas, em cada fase da vida (infantil, juvenil e adulta), têm um comportamento próprio.

Cada estação da vida tem as suas características e peculiaridades. Apesar disso, existem aqueles que apresentam comportamentos incoerentes com a sua faixa etária. Imagine alguém com 35 anos comportando-se como um garoto de 15 anos, andando de moto – tal qual um “Mauricinho” – e namorando garotinhas vinte anos mais novas. Quando as pessoas olham para um tipo desse logo dizem: “Esse sujeito devia se enxergar…” Todo mundo percebe que ele está fora da faixa. Na vida, tudo tem o seu tempo. E uma coisa fora da época fica desajustada — não se enquadra. 

2. O CRESCIMENTO ESPIRITUAL

O crescimento espiritual já não é espontâneo. Ao con­trário do crescimento natural, uma pessoa pode ficar a vida inteira como uma criança, sem crescer espiritualmente. De acordo com a Bíblia, só há crescimento espiritual quando desistimos de ser crianças na fé. O problema é que muitos de nós queremos continuar sendo tratados como crianças. É muito bom receber a atenção dos outros, ser paparicados como crianças… No entanto, chega o momento em que as pessoas esperam de nós atitudes diferentes das de crianças. Chega o momento em que precisamos começar a demonstrar atitudes e comportamentos apropriados ao tempo que já temos de convertido. Aliás, espiritualmente, existem apenas duas faixas etárias: novo convertido e crente maduro.

Tenho conversado com muitas pessoas que estão vindo para a Videi­ra. Nessas conversas, procuro saber se elas estão gostando daqui, se algo novo tem acontecido, etc. Na maioria das vezes, elas me respondem que o que mais as surpreende é a forma como estão crescendo aqui. Isso tem me levado a fazer uma ponderação: O que as pessoas estão querendo dizer quando falam em crescimento? Acham que crescer é só aprender um pouco mais da Bíblia? Será que elas dizem que estão crescendo porque estão adquirindo mais conhecimento bíblico? Será que, para essas pessoas, o critério de crescimento é o aprendizado? Será que uma criança precisa apenas conhecer coisas novas para crescer? Será que ela precisa apenas ir para a escola? Esta é a única dimensão do crescimento? 

Compartilhar: Muitos irmãos, apesar de serem crentes veteranos, não demonstram maturidade espiritual. Por que isso acontece? Quais são as áreas de sua vida que precisam ser desenvolvidas? Faça uma oração pedindo ao Senhor nesse sentido.

Creio que o crescimento espiritual tem, pelo menos, quatro di­mensões: 

a. Crescimento no caráter 

Eu porém, irmãos, não lhes pude falar como a espirituais; e, sim, como a carnais, como a crianças em Cristo. Leite vos dei a beber, não lhes dei alimento sólido; porque não podíeis suporta-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais. Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem? (1 Co 3.1-3) 

Paulo está expressando o seu desapontamento aos coríntios, pelo fato de eles não terem crescido espiritualmente. “São como crianças em Cristo” – lamenta-se o apóstolo. O que Paulo esperava deles é que desenvolvessem um caráter semelhante ao de Cristo.

A Palavra de Deus diz que o crescimento se expressa, primeiro, através do caráter. Se você disser que está mudando, mas o seu caráter não está sendo afetado, isso é preocupante. Certamente, existe alguma deficiência em alguma área. Se você disser que está crescendo espiritu­almente e, mesmo assim, as pessoas não percebem mudança alguma de comportamento, então… você não está crescendo coisa nenhuma. Não há crescimento sem mudança de conduta. 

b. Crescimento no conhecimento 

A vontade de Deus é que todo homem seja salvo e chegue ao pleno conhecimento da verdade. (1 Tm 2.4) 

Eu fiquei contente quando alguém chegou para mim e disse: “Pas­tor, está sendo tão bom estudar o livro de Gênesis! Eu estou conseguindo enxergar as coisas através da ótica de Deus”. O pleno conhecimento da verdade é isto: enxergar as coisas através da ótica de Deus — ver como Deus vê, enxergar como Deus enxerga.

A Bíblia afirma que Deus, ao criar Adão, criou alguém parecido con­sigo mesmo. O propósito de Deus era que Adão fosse a própria expressão da imagem divina e exercesse, sobre toda a criação, a autoridade que lhe fora outorgada. Assim, quando os demônios olhassem para Adão, veriam nele a imagem e semelhança de Deus. Deus criou o homem e colocou nela sua própria imagem e semelhança para que ele exercesse o domínio e a autoridade. Mas, por causa do pecado, a imagem de Deus – no homem – foi distorcida e este perdeu toda a autoridade.

Sabemos que existe uma relação entre a autoridade e a imagem de Deus. Quando a imagem de Deus é restaurada no homem, Deus também restaura a sua autoridade, para que o homem restaurado possa reinar em vida. É por esse motivo que precisamos crescer no caráter – que é o cres­cimento em imagem – e também no conhecimento, ou seja: entender os caminhos de Deus e conhecer todos os seus conselhos. O conhecimento ao qual me refiro não é conhecimento natural, e sim o conhecimento espiritual, que não é adquirido em livros. É um conhecimento que o Espirito de Deus nos dá, através da revelação.

Com efeito, quando devíeis ser mestres, aten­dendo o tempo decorrido, tendes novamente necessidade de que alguém vos ensine de novo quais são os princípios elementares dos orácu­los de Deus; assim vos tornastes como necessita­dos de leite, e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exer­citadas para discernir não somente o bem, mas também o mal. (Hb 5.12-14)

para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro, e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artima­nha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo. (Ef4.l4)

c. Crescimento em Fé

“E Jesus lhes disse: Por causa da vossa pequena fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá – e há de passar; e nada vos será impossível.” (Mateus 17:20)

“E ele disse-lhes: Por que temeis, homens de pequena fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.” (Mateus 8:26).

“Pois também eu sou homem sob autoridade e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu criado: faze isto, e ele o faz. E maravilhou-se Jesus, ouvindo isso, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tão grande fé.” (Mateus 8:9,10).

“Antes, tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos abundantemente engrandecidos entre vós …” (2 Coríntios 10:15).

O crescimento em fé é muito importante, porque a nossa fé tam­bém deve ser edificada. Crescer na dimensão da fé significa: andar por fé, romper em fé, olhar para Deus, e não para as circunstâncias. Quando crescemos em fé, aprendemos a descansar em Deus, pois reconhecemos que o trabalho não é nosso, e sim, d’Ele.

 d. Crescimento nos relacionamentos

Existem pessoas que, mesmo tendo intimidade com Deus e sendo fiéis, fervorosas, consagradas e espirituais, ainda não sabem se relacionar apropriadamente no trabalho, na Igreja, no lar, etc. Quando se trata de comunicar-se, compartilhar, realizar trocas afetivas, compreender os ou­tros, elas se fecham em si mesmas. Às vezes, pode até mesmo ser o caso de um pastor bem-sucedido nas outras três dimensões (caráter, conhecimento e fé), mas um fracasso no relacionamento familiar. Sua esposa e filhos queixam-se de sua frieza e distanciamento.

 A semana que vem estudaremos as estratégias utilizadas por Deus para promover o nosso crescimento.