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LIÇÃO 20 - CASAMENTO & DIVÓRCIO”

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O Sermão da Montanha – 2ª Lição

  1. Sal da Terra e Luz do Mundo (Mateus 5:13-16)

Depois de apresentar as bem-aventuranças, onde os valores do Reino de Deus são ressaltados em oposição aos valores do mundo, Jesus acrescenta que somente a vivência efetiva desses valores é que pode transformar seus discípulos em sal da terra e luz do mundo. A ausência desses valores corrompe o mundo e o deteriora. A função do sal, espiritualmente falando, seria a de agir sobre ele, impedindo sua deterioração completa enquanto o tempera, através das vidas que são extraídas da corrupção e agregadas ao Reino de Deus; não saindo do mundo, mas influenciando-o e transformando-o. Como luz, a igreja se torna a única sobre a face da terra que pode mostrar o caminho aos que vivem nas trevas. O sal recebe o desafio de não se degenerar como o mundo, ou seja, manter-se firme nos valores do reino de Deus sem deixar-se contaminar pelo pecado, condição em que perderia sua capacidade diferenciada de influenciar e salgar. Na condição de luz, a igreja recebe o desafio de não se esconder, e sim de permitir que o Espírito Santo a coloque nos lugares estratégicos para poder iluminar aos homens e conduzi-los ao conhecimento de Deus.

  1. A Lei e Cristo (Mateus 5:17-48)

Muitos religiosos da época de Jesus entendiam a lei de forma errada. Não conseguiam, muitas vezes, discernir o verdadeiro espírito (intenção) da lei, e sendo assim, viviam de forma errada e ensinavam da mesma forma. Jesus se apresentou como aquele que viveria a lei integralmente, sem deixar um til de fora, diferentemente de como fariseus e escribas faziam em seus dias. A advertência sobre o perigo de violar um dos menores mandamentos e ensinar aos homens foi dada à classe religiosa de que estamos falando, porque era exatamente que o faziam. Porém, Jesus cumpriria a lei não da forma como ela era conhecida. O Senhor a cumpriria cabalmente respeitando seu espírito, intenção original. Por isso, ele se refere aos mandamentos: não matarás e não adulterarás, bem como aos preceitos não jurar e olho por olho e dente por dente, e ainda finalizando ao mandamento áureo de amar o próximo, enfim, a todos eles, Jesus os menciona com uma conotação diferente daquela com que o povo em geral era ensinado pelas autoridades de seus dias. Para o não matarás, o Mestre ensina que o espírito desse mandamento não é o de apenas impedir que as pessoas se matem fisicamente, mas acima de tudo, que se amem a ponto de não se difamarem mutuamente, não se odiarem, não se vingarem, etc. O ódio do coração já seria uma quebra do mandamento. O mesmo em relação ao não adulterar, que já tornaria culpado quem olhasse para uma mulher com olhar impuro. As ações pecaminosas sempre são primeiramente geradas no coração, para depois se materializarem através do corpo. Por isso, o coração era justamente o alvo perseguido por Jesus em todos os seus ensinos. Os fariseus se preocupavam com a aparência; Jesus, com o coração.

  1.   A Aparência e a Essência (Mateus 6)

Dando continuidade às ênfases opostas entre o ensino dos fariseus e os de Jesus, o Capítulo Seis de Mateus revela o valor de se buscar a essência e não a aparência. As esmolas, a vida de oração e o jejum, deviam ser desenvolvidos com discrição, unicamente para serem vistos por Deus e não pelos homens. Os que buscam o reconhecimento dos homens, dos homens receberão a recompensa, em forma de aplausos e glória. Mas os que buscam a apreciação divina, bem como a providência dos céus para suas necessidades, devem fazê-lo no secreto, fechando a porta do quarto (figuradamente), derramando a alma, e esperando em Deus pela resposta. Nesse meio tempo, Jesus ensina sobre a oração. O Pai Nosso se torna um modelo, não de reza a ser decorada, mas de valores a serem assimilados. O valor da Paternidade Divina, o Reconhecimento de que Ele é dos Céus e não da Terra, Sua Santidade, Seu Reino a ser buscado acima de tudo, Sua Vontade a prevalecer sobre a nossa, o Pão (maná) diário como resultado de uma vida na presença d´Ele dia a dia, o Perdão a ser apropriado na medida do Perdão liberado ao outro, o Livramento para a Tentação que só Ele pode dar, e o Reconhecimento final de que d´Ele é o Reino, o Poder e a Glória para sempre. Depois disso Jesus apresenta a necessidade de transferirmos nossa visão de valores da terra para o céu. Não ajuntar tesouros na terra resultará em uma vida menos ansiosa. Quanto às necessidades básicas fica a certeza de que o Pai sabe o que precisamos e nos socorrerá como faz com as aves dos céus e os lírios do campo.

  1. A Cura Pessoal que Precede o Serviço aos Outros (Mateus 7)

Jesus começa o Capítulo Sete advertindo sobre o fato de que ninguém pode de fato ajudar ao outro sem que primeiro esteja em condições de fazê-lo. Tirar a trave do próprio olho é de fundamental importância para se conseguir com êxito tirar o argueiro do olho do próximo.  O exagero é proposital, e usado com frequência no ensino de Jesus. É apenas para dizer que é possível termos mais problemas internos do que a pessoa a quem queremos ministrar. Mais uma vez, certamente, Jesus está pensando também nos fariseus. Lindos por fora e sujos por dentro. Vivendo com a proposta de tirar os argueiros (ciscos) dos outros, sem se darem conta da enorme trave (grande pedaço de madeira) em seus próprios olhos. Aos que conseguissem fazer esse mergulho primeiro dentro de si mesmos, com o devido êxito de se libertarem de suas traves e consequentemente com melhores condições de ajudar sinceramente aos outros, também cabe-lhes a advertência seguinte: cuidado para não ministrar o que de mais precioso vocês possuem (pérolas e coisas santas), a quem só usará isso contra vocês mesmos. Não seria isso uma profecia acerca do que o próprio Jesus vivenciaria nas mãos dos religiosos de sua época? Diante de tremendas pérolas da Palavra de Deus e de um comportamento tão santo, Jesus foi recebido com insultos, calúnias e flagelos, que culminaram em sua crucificação e morte. Aquelas autoridades religiosas agiram como os porcos que calcaram aos pés tudo o que ouviram e, voltando-se, despedaçaram seu próprio Messias. Claro que Jesus não foi uma vítima nas mãos deles, uma vez que a Si mesmo se entregou voluntária e conscientemente por nós. Pedir, buscar e bater, deve ser a atitude de quem vive na expectativa do agir de Deus. Veja que Ele está falando daquele mergulho interno que todos nós devemos fazer dentro de nós mesmos, identificando nossa fraqueza de caráter e buscando um novo coração. Quem o buscar com essa intensidade e qualidade de coração, certamente o achará. Os que pedem e recebem, buscam e acham, e batem até que se lhes abram, receberão um coração puro e um novo olhar acerca do próximo, a ponto de enxergarem como fazer primeiro ao outro aquilo que gostariam que se fizesse a eles. Os que desejam essa transformação serão conduzidos pela porta estreita da renúncia e da negação do mundo. Os que entram pela porta larga pedem, buscam e batem apenas para si mesmos e nunca em benefício dos outros. Mas o que o fazem para que sejam melhores para o próximo e para Deus, conseguem passar pela porta estreita pela qual o próprio Senhor que não veio agradar-se a si mesmo, passou. Os que erram a porta estreita e ainda assim querem se fazer passar por homens espirituais, não passam de falsos profetas, cujo fruto não tardará de revelar-se. Jesus termina o Sermão do Monte dizendo que tudo se resumirá em dois grupos de pessoas: os que ouvem as Palavras do Reino e as colocam em prática, e os que as ouvem igualmente e nunca permitem que elas os transformem de dentro para fora. Aos primeiros, a promessa de que suas casas (vidas) prosperarão de verdade e conseguirão resistir às provas a que serão submetidos na caminhada cristã. Diferente do segundo grupo que mais cedo ou tarde, verão seus castelos ruindo ao sopro dos ventos e das águas.