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LIÇÃO 21 - A MISSÃO DO DISCÍPULO”

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3ª LIÇÃO – OS IMPACTOS DA PROCLAMAÇÃO                                                                

Introdução

Esta parte do ministério de Jesus registra seus ensinos aos doze discípulos, quando eles são enviados para pregar o evangelho e ministrar aos necessitados. Há palavras chave que nortearão as instruções que eles receberam do Mestre e o impacto dessa proclamação do Reino dos Céus.

  1. 1.   COMISSÃO – Mateus 10:1-4

Comissionar significa delegar uma função ou incumbência. Foi o que os doze discípulos receberam de Jesus. Havia chegado a hora de se colocar em prática tudo o que eles receberam do Mestre, agora, em favor dos outros. Os nomes dos discípulos são mencionados de dois em dois: Pedro e André, Tiago e João, Filipe e Bartolomeu, Tomé e Mateus, Tiago e Tadeu, Simão e Judas. Eclesiastes 4:9-12 revela o poder da ação conjunta: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante.
Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará?
E, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa.”

  1. 2.   DIREÇÃO – Mateus 10:5-6

A direção era a Casa de Israel. Naquele momento a pregação do evangelho ainda não havia sido liberada aos gentios (não judeus), o que só aconteceu após a ressurreição de Cristo. Desenvolver o ministério dentro da direção divina é imprescindível. Devemos aplicar essa recomendação também em nossos dias. É importante pregar o evangelho a todas as pessoas e em todas as oportunidades. No entanto, a direção divina nos mostrará onde seremos mais eficazes, com resultados mais significativos. O exemplo bíblico é o ministério de Pedro entre os judeus e o de Paulo junto aos gentios.

  1. 3.   PREGAÇÃO – Mateus 10:7

A mensagem era uma só: está próximo o Reino dos Céus. O mundo estava acostumado a viver sob o domínio do reino das trevas, com todas as suas prisões. Mas agora um novo reino estava se apresentando, para o qual as atenções deviam ser voltadas. Através da pregação da chegada do reino dos céus, a fé seria despertada e os corações aquecidos para receberem uma nova constituição de leis divinas e de valores mais sublimes. Esse reino celestial determinava o fim do domínio do pecado, das doenças e de toda sorte de prisões espirituais, tendo como única porta de entrada o arrependimento e a fé em Deus.

  1. 4.   MISSÃO – Mateus 10:8

“Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça daí.” Como dissemos no item anterior, o reino das trevas é opressor, enquanto o dos céus,  libertador. Libertação das doenças, da morte, da impureza física, emocional e espiritual, e da ação de demônios. O evangelho teria de se manifestar não apenas em palavras, mas, sobretudo em poder.

  1. 5.   PROVISÃO – Mateus 10:9-10

A recomendação de não se proverem de ouro ou prata, bem como dos demais recursos, tinha como objetivo livrar os discípulos dos cuidados em relação à provisão financeira, tendo em vista que o próprio Senhor os alimentaria através das pessoas para quem eles estavam sendo enviados. Assim como a viúva de Sarepta sustentou Elias sob o comando do Senhor (1 Reis 17:9), assim os discípulos o seriam também por meio das famílias hospedeiras. Todo aquele que obedece ao chamado do Senhor e se planta no lugar da perfeita vontade de Deus, deve contar com essa provisão firme e segura. Deus é fiel!

  1. 6.   IDENTIFICAÇÃO – Mateus 10:11-15

O lugar onde os discípulos deviam se fixar dependia de quem se manifestasse aberto à mensagem do evangelho. Estes seriam chamados de filhos da paz (Lucas 10:6). Por meio da abertura deles muitos outros conheceriam a mensagem redentora, tornando-se elos entre o pregador e o mundo perdido. Em contrapartida, os discípulos também estariam sujeitos à total rejeição, dependendo do lugar. Para essas cidades ou regiões endurecidas, o pó dos pés deveria ser sacudido (figuradamente), como sinal de que o evangelho da salvação os visitou e eles o rejeitaram.

  1. 7.   ADMOESTAÇÃO (Advertir, chamar a atenção) – Mateus 10:16-23

Desde o início Jesus deixou claro que o ministério da pregação do evangelho do reino não seria fácil. A mensagem é confrontadora. O verdadeiro evangelho anuncia ao mundo os seus pecados, abrindo diante de si duas vertentes: a salvação, para os que se arrependem e crêem; e a perdição, para os que se rebelam. Tal rebelião pode suscitar discordâncias e violência, situações para as quais os pregadores deviam estar atentos e preparados. Alguns seriam presos, açoitados e até mesmo mortos, por pregarem a verdade. Foi o destino de João Batista, Estevão, Tiago, Paulo e muitos outros. Conservando o caráter inofensivo da pomba, ao mesmo tempo em que se mantém a prudência de uma serpente, os discípulos do Senhor deviam ter como garantida a oposição por parte de muitos. Diante disso devemos nos perguntar acerca de que tipo de evangelho que temos pregado. A mensagem permissiva, não confrontadora, e mais destinada a agradar as pessoas, certamente não é evangelho.

  1. 8.   EXORTAÇÃO (encorajar, consolar, confortar) – Mateus 10:24-33

Diante da certa oposição, os discípulos deviam ter a consciência do cuidado divino nos mínimos detalhes. Se o mundo chamou ao próprio Messias de Belzebu “senhor das moscas”, como não chamaria seus discípulos? Mais do que oposição em palavras, a vida dos pregadores também estaria sob ameaça. No entanto, o consolo divino baseava-se no fato de que suas vidas eram preciosas aos olhos de Deus, e que nada, absolutamente nada, estaria fora do controle, da permissão e da vontade divina. O máximo que o adversário podia fazer era matar o corpo, mas nunca a alma. Com essa confiança os discípulos eram encorajados a confessar a Cristo publicamente, sem temor; com a certeza de que o próprio Cristo os confessaria diante do Pai, por sua vez.

  1. 9.   OPOSIÇÃO – Mateus 10:34-39

Poderíamos chamar esse tópico de oposição familiar. Os inimigos do homem seriam os de sua própria casa. Jesus está dizendo que o evangelho não confronta apenas pelo conteúdo da mensagem, mas sobretudo pela mudança de comportamento efetivo por parte dos que se abriram para a mensagem. Essa transformação comportamental afeta os relacionamentos mais próximos, entre a própria família, gerando oposição familiar. Como uma coisa boa pode gerar algo mau? Não é o evangelho que produz o mal e sim o mal já existente se opondo à chegada da luz. Diante desse conflito entre os mais próximos, o cristão precisa ficar firme, sabendo a quem deve amar acima de tudo, mais do que a pai, mãe, filho ou filha. Tomar a cruz significa identificar-se com aqueles que caminham para a morte a fim de receberem a verdadeira vida. Nesse caso, a morte para a aceitação pública, para o reconhecimento popular ou mesmo a aceitação da condição de rejeição familiar em troca da perseverança na confissão do senhorio pessoal de Cristo Jesus.

  1. 10.               GALARDÃO – Mateus 10:40-42

Em meio aos registros de tanta oposição, Jesus conforta seus discípulos com a palavra de que nem tudo será espinho. Muitos os receberiam de coração aberto, para quem ficava a promessa de um galardão, de uma recompensa. Galardão de profeta aos que recebem um profeta; galardão de justo aos que recebem um justo. Mesmo aos que dessem apenas um copo de água ao menor dos discípulos, não ficariam sem a sua recompensa. Ao mesmo tempo em que Jesus valoriza aos que recebem a palavra de Deus, valoriza ainda mais o ministério de seus discípulos pregadores. Subentende-se que o ministério deles é importante. Tão importante a ponto de se premiar aos que os recebem. Se há galardão para os que abrem as portas ao evangelho, o que se não dará aos seus proclamadores?

CONCLUSÃO

É um privilégio servir a Deus sob todos os aspectos. A nossa missão é sublime. Pregar o evangelho com o auxílio do Espírito Santo e a autoridade de Cristo é uma honra que até os anjos queriam desfrutar. Mas essa glória nos foi concedida, a nós que sabemos o que é ser redimidos por essa mensagem celeste. Mesmo em meio a todas as implicações de sofrimento, perseguição e dor, a mensagem precisa avançar através de nós. O resultado será uma missão cumprida, um mundo evangelizado, e o nosso Deus glorificado.