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LIÇÃO 17 – A HORA BENDITA”
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5ª LIÇÃO – TOCANDO A ALMA PARA CURAR O CORPO

“Ora, descendo Ele do monte, grandes multidões O seguiram. E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-O, dizendo: SENHOR, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra. Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho ao povo.”
Mateus 8:1-4

INTRODUÇÃO

A lepra era uma doença terrível nos tempos bíblicos. Aqui, ela será apenas um exemplo dentre tantas moléstias que hoje continuam afligindo, aprisionando e envergonhando tantas pessoas. A lepra era cruel não somente por causa do sofrimento físico, mas pela agonia emocional e social que o seu portador experimentava, tendo de se afastar da própria família e da sociedade pra viver isoladamente. A alma do leproso, geralmente, era mais enferma do que o seu corpo. Sua solidão o deixava no estado de permanente tristeza. Jesus sabia, portanto, que a cura daquele homem devia se processar primeiro em sua alma, para depois se manifestar em seu corpo. Vejamos como ele lidou com esse problema.

  • JESUS DESEJOU CURÁ-LO

“Quero, fica limpo!”

É óbvio que Jesus desejou curar aquele homem, como curou a muitas outras pessoas. Mas a ênfase nesse querer de Jesus tinha um motivo especial. Veja que o doente se aproximou dele implorando que algo se fizesse em seu favor, mas com certa dose de desconfiança. Talvez ele pensasse na possibilidade de estar diante de mais um que não desejasse fazer-lhe qualquer coisa, como a grande maioria que o via todos os dias.

A coisa mais comum na vida de um leproso era se deparar com pessoas que queriam mais estar longe dele, do que prontas para ajuda-lo. Ele próprio era obrigado a clamar em alta voz: “leproso”, “leproso”, a fim de manter as pessoas longe de si. Quem nele tocasse ficaria imundo, e por essa razão, cogitou a possibilidade de Jesus não querer curá-lo – “se quiseres…”. Mas Jesus quis. Glória a Deus! Isto demonstra que não há barreiras criadas pelo homem que o amor divino não derrube. Ele veio realmente buscar e salvar o que se havia perdido (Lucas 19:10).

Hoje encontramos outros tipos de doenças que talvez nos provoquem o mesmo tipo de repulsa, como a lepra provocava no passado. No entanto, precisamos entender que por detrás das chagas há uma vida. Jesus nunca deixou de ver além da primeira impressão. Ele nos ensinou a não rotular as pessoas, e sim a vê-las sempre a partir dos óculos da graça, da misericórdia e da compaixão.

Bases: Lucas 19:10.

  • JESUS COMPADECEU-SE DELE E O TOCOU

“E Jesus, movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e disse-lhe: Quero, sê limpo.”
Marcos 1:41

A compaixão de Jesus por aquele homem foi o combustível divino através do qual todo o poder se desencadeou. Somente a compaixão é capaz de quebrar as rígidas cadeias do desprezo, da opressão, da vergonha e da dor. E isso Jesus tinha de sobra.

Um olhar cheio de amor, desprovido de qualquer julgamento maldoso ou indiferença quanto ao sofrimento alheio. A compaixão de Jesus é a expressa manifestação do mais puro e absoluto amor de Deus, que ao mesmo tempo em que é suave para quem o recebe, é violento e intenso contra as cadeias opressoras presentes. Suave para com o leproso, de maneira a conduzi-lo pelos rios do amor de Deus que toca primeiro a alma para depois curar o corpo. Violento para com o poder das trevas, manifestando autoridade e dizendo em alto e bom som: “Chega! Aqui você não reina mais!!!”

A igreja de Jesus Cristo precisa familiarizar-se com esse nível de compaixão. Sem ela não há liberação de poder para curar, nem autoridade para quebrar a opressão.

Bases: Mateus 9:36; Mateus 14:14; Lucas 10:33; Lucas 15:20.

  • JESUS O RESTITUIU À COMUNIDADE

Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho ao povo.”

 

Através da ordem dada ao leproso curado, Jesus demonstra que sua preocupação maior naquele momento não era a de se utilizar daquele feito para servir de testemunho em favor do evangelho. A preocupação era outra: a restauração da vida social daquele homem que há tantos anos estava privado do convívio em comunidade. Até sigilo daquele milagre Jesus lhe pediu. Quando o encaminha ao sacerdote a fim de apresentar as ofertas requeridas pela lei, tudo isso culminaria na declaração de que aquele homem estava curado da lepra, e que por isso, tinha condições de voltar ao arraial onde antes morava. Essa declaração tinha de ser feita pelo sacerdote, após exame minucioso. A palavra sacerdotal era pública e notória, permitindo ao homem curado voltar tranquilamente à vida normal. Ao buscar esse sigilo, Jesus demonstra que mesmo a publicidade do reino de Deus precisa dar lugar à satisfação da necessidade do homem.

Quando somos usados por Deus para curar ou libertar alguém, não devemos ter como objetivo a publicidade do nosso ministério, igreja ou lugar onde realizamos nossas reuniões. Alguns chegam a filmar pessoas endemoninhadas passando por libertação, com o objetivo de divulgarem seus ministérios. Lamentável! A nossa alegria, no entanto, deve se ater ao fato de que aquela pessoa voltou a ter uma vida digna e harmoniosa, ao lado de seus familiares e amigos, dos quais estava privada por alguma razão.

Bases: Marcos 5:15; Marcos 5:19; Marcos 2:11; Mateus 9:6.

RESUMO

 

Na aula de hoje vimos que Jesus olhou para o homem antes de ver a sua lepra. Ele desejou curá-lo e o fez demonstrando genuína compaixão, que é a manifestação do mais puro amor de Deus pela humanidade. Antes de querer a publicidade do seu ministério, Jesus desejou ver aquele homem plenamente restaurado ao convívio da comunidade. Como seguidores de Cristo, devemos ter em mente esses valores no exercício do nosso ministério de cura e libertação.