QUEM É JESUS

Nossos olhos estão voltados para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé (Hb 12:2). Queremos conhecer cada vez mais Aquele que é a Fonte de toda bênção. Mais que receber Suas bênçãos, queremos Sua Pessoa, acima de tudo. Quem chega à Fonte tem tudo quanto dela procede.
Compartilhados aqui uma parte do dialogo entre Jesus e Pedro, extraída de nossa dissertação sobre “A Igreja de Jesus Cristo: Uma abordagem de sua natureza, missão, estrutura e liderança” (pg. 33- 37): Ao ouvir a confissão de Pedro, de que Ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16:16), é como se Jesus dissesse:“Como Eu só posso ser para ti o que és capaz de ver em Mim, vieste ao lugar onde serás transformado naquilo que és capaz de ver: um filho do Deus vivo. Eu vim a este mundo como Filho do Homem a fim de abrir o caminho para os seres humanos nasceram como filhos de Deus, manifestando, portanto, uma nova natureza, de acordo com a nova semente (1 Jo 3:9), a Semente do Pai, que Eu sou. Por causa disto pertencerão à mesma família, como co-herdeiros(Hb 20:10-12). Estás certo ao dizer que ‘cada semente reproduz de acordo com a sua espécie.’ Este um é um princípio imutável. Eu vim para gerar uma nova espécie humana, a raça chamada de filhos do Deus vivo.

Neste momento, imagino Jesus tomando uma pequena pedra desprendida do Monte e dizendo: “Aqui está uma pedra (petros), Simão, solta da montanha, mas contendo os mesmos elementos encontrados em sua origem, embora uma ínfima fração dela. Tu és como uma pedra. Eis porque te chamo Pedro (Petros). Contempla agora o imponente monte acima de nós. Observa a imensa, inamovível rocha (petra) que forma o Monte Hermom, de onde esta pequena pedra (petros) em minha mão surgiu.Pedro, Eu sou a Petra, a Rocha dos Séculos, a Rocha onde o Pai comungou com Moisés no Monte Sinai quando este Lhe pediu para ver Sua glória. Convido-te a vires comigo àquele lugar, somente por um momento, a fim de ver aquela experiência com os olhos da revelação (Ex 33:13-20).

Ouve o diálogo entre Yahweh e Moisés.- Moisés: ‘Se eu, pois, tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que agora me mostres os Teus caminhos, para que eu Te conheça, a fim de que ache graça aos Teus olhos; e considera que esta nação é Teu povo’ (v. 13). – Yahweh: ‘Eu mesmo irei contigo, e Eu te darei descanso.’- Moisés: ‘Se Tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui.’ “Pedro, Eu sou o caminho que Moisés queria conhecer. Eu sou a presença de Yahweh, habitando no meio do povo de Deus hoje, revelado ao mundo. Tu és parte do Meu povo, um povo que Eu formarei contigo e os teus companheiros. Tu estás correto; Eu sou o Cristo, Deus em carne, caminhando em vosso meio para formar, a partir de vós, um povo peculiar, cuja natureza será transformada pelo Meu poder redentor. Eu sou Aquele a Quem o Pai queria revelar a Moisés. Relembra seu pedido e a resposta do Pai.”“Moisés clamou: ‘Rogo-te que me mostres a Tua glória.’ Então o Pai disse:‘Eu farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o meu nome Yahweh … Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum pode ver a minha face e viver.

Disse mais Yahweh: Eis aqui um lugar junto a mim; aqui, sobre a penha, te porás. E quando a minha glória passar, Eu te porei numa fenda da penha, e te cobrirei com a Minha mão, até que Eu haja passado.
Depois, quando Eu tirar a mão, me verás pelas costas; porém a minha face não se verá’ (Ex 33:19-23).“Petros, olha-Me nos olhos e contempla o meu rosto! Eu sou a glória de Deus que Moisés ansiava ver. A glória está diante dos teus próprios olhos. Eu sou ‘a expressão única da glória de Deus [o ser de luz, a resplendente ou radiante expressão do Divino], e a perfeita impressão e real imagem da natureza de [Deus], sustentando e mantendo e guiando e impulsionando o universo pela (minha) poderosa palavra de poder’ (Hb 1:3, Amp.).

Eu me tornei Filho do homem, mas de fato ‘[Eu sou] a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Pois por [Mim] todas as coisas foram criadas: no Céu e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos ou principados ou governos ou autoridades; todas as coisas foram criadas por [Mim] e para [Mim]. [Eu sou] antes de todas as coisas, e em [Mim] todas as coisas subsistem’ (parêntesis acrescentados
como paráfrase).” (Cl 1:15-17, Amp.) “Escuta, Eu sou a bondade de Yahweh passando diante de ti. Ainda que Eu tenha me apresentado como Filho do Homem, tu me viste como ‘Filho do Deus vivo.’ Eu sou de fato ambos. Como Filho do Homem Eu me identifiquei com o homem. Como Filho de Deus Eu sou identificado com Deus. Ao me tornar Filho do Homem, Eu abrirei o caminho para ti e para cada um que vier a crer em Mim, a fim de que se tornem filhos do Deus vivo. “Pedro, Moisés não poderia ver a face de Yahweh e viver. No entanto, Tu a estás vendo porque ‘aquele que Me vê a Mim vê o Pai’… ‘Eu estou no Pai, e o Pai está em Mim.’ (Jo 14:9a, 10a). Sim, tu podes ver a face do Pai, através de Mim e viver, simplesmente porque Eu desci ao teu nível – filho do homem – a fim de elevar-te ao meu nível: Filho de Deus.”“Eu sou a Rocha. Como Yahweh disse a Moisés, agora o digo a ti: ‘coloca-te na Rocha,’ que Eu sou. Em pouco tempo esta Rocha será fendida. Eu te colocarei na fenda da Rocha e nascerás como Petros, uma pedra viva gerada das minhas feridas. Então de fato nascerás como uma pedra viva, um filho de Deus, brotado da fenda da grande Petra, da Rocha que Eu sou.” A partir da Rocha fendida (petra) que serei, Eu causarei o nascimento de incontáveis outras pedras (petros), verdadeiras pedras vivas.

Elas se tornarão os materiais para construir Minha Igreja. És apenas uma daquelas pedras. Gerada da essência do Meu ser, embora pequena comparada com Minha imensidão, cada uma transportará Minha própria vida e será Minha extensão. O número de pedras vivas de Minha espécie – filhos de Deus – muito se multiplicará sobre a Terra. Com elas, Eu Mesmo estarei construindo um corpo poderoso, uma habitação para Deus no mundo, chamada Minha Igreja. Ela será participante de Meu caráter e realizará Minha missão. Como tal, ela invadirá as portas do inferno e libertará os prisioneiros de Satanás. Absolutamente nada resistirá seu vitorioso poder invasor.”

Valnice Milhomens

JESUS É O FILHO DE DEUS

TEXTO CHAVE: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. … E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai (João 1:1,14).

Tendo visto como o quarto Evangelho apresenta Jesus como o grande EU SOU, identificando-O com YHWH, tomá-lo-emos como base de nossa meditação diária nos próximos dias, aprofundando nossa comunhão com Ele, enquanto ministramos às pessoas que carecem do toque de Sua bênção. Em cada um dos seus 21 capítulos Jesus é apresentando sob pelo menos um determinado ângulo do Seu caráter como Senhor e Salvador nosso.

No capítulo 1 encontramos JESUS, O FILHO DE DEUS. Este é um título que aponta para a Sua Divindade. Em todo o capítulo há referências que descrevem Sua pessoa como tendo uma origem Divina. Embora em forma de homem, Ele é Deus de Deus. Tão somente pela Sua soberania e graça decidiu tornar-me Filho do Homem (Jo. 1:51), enquanto viveu entre os homens, a fim de identificar-se com eles para os salvar. Mas na realidade Ele é o Deus Criador de todas as coisas, o Soberano, o Senhor. Portanto, o título “Filho de Deus” aponta para o fato de que, mais do que homem, Ele é Deus. Por toda a eternidade Ele é o Verbo vivo, autoexistente. Embora, num determinado tempo da história humana Ele entrasse no planeta na forma de homem, tomando sobre Si a natureza dos homens, nunca deixou de ser Deus. Destacamos neste capítulo primeiro doze expressões descritivas da Divindade de Jesus:

• Jesus é Deus: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo. 1:1). A expressão Verbo, ou Palavra (Logos no grego) é uma referência à Divindade.
“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2:9). A Divindade transpira em Seu Ser, Sua Pessoa e Sua obra.
• Jesus é Eterno: “Ele estava no princípio com Deus” (Jo. 1:2). É auto-existente. Não conhece princípio nem fim de dias. Esta mesma Palavra não era só co-eterna com Deus com respeito ao ser, mas estava eternamente em ativa comunhão com Ele. “Não simplesmente a Palavra com Deus, mas Deus com Deus” (Moulton).
• Jesus é Criador: “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:3). “Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu” (Jo. 1:10). E não é apenas Criador, mas também o sustentador do universo, como está escrito: “Sendo Ele o resplendor da Sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder” (Hb 1:3).
• Jesus é a Vida e a Luz: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo. 1:4). “Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo” (Jo. 1:9). Ele era a fonte de vida – física, moral e eterna – seu princípio e fonte. Ele tinha vida em Si mesmo, e doravante era uma fonte de onde fluía vida para o homem. A morte não o podia reter, porque nele estava a vida, e Ele se tornou “a Ressurreição e a Vida” para nós. Esta vida era a luz dos homens. A vida que Cristo outorga ilumina os homens. É a Luz do Mundo. Sua luz afugenta a escuridão. Toda a história demonstra que Cristo é a Luz do Mundo; cada alma redimida reconhece o fato. Ele é a própria essência e doador da verdadeira vida de Deus, que projeta Sua luz sobre em todo aquele que nEle crê.
• Jesus é o Caminho para a filiação Divina: “Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no Seu nome” (Jo. 1:12). Crer em seu Nome expressa a aceitação da soma das qualidades que marcam a natureza ou caráter de Sua pessoa. Crer no nome de Jesus Cristo, o Filho de Deus, é aceitar como verdade a revelação contida nesse título. Estes passarão por uma metamorfose que os converterão de fato em filhos de Deus, marcados pela vida de Cristo.
• Jesus é o Deus encarnado: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo. 1:14). O pré-existente Verbo, por uma decisão de Sua vontade, abdicou por um pouco de Suas prerrogativas de Deus e assumiu a forma e natureza de um homem, nascendo na terra como tal. Mas a vida que manifestou na carne era a do próprio Deus.
• Jesus é o Doador da Graça e da Verdade: “E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça. Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo. 1:16,17). Graça por graça significa simplesmente que recebemos por Jesus “abundância” de graça ou favor. Quer dizer “muita” graça; superlativo favor outorgado ao homem; favores superiores aos concedidos sob a lei. Algo superior a todas as outras coisas que Deus pode conferir aos homens. “A graça e a verdade,” isto é, um corpo de doutrinas carregado dos superlativos favores de Deus. Estes favores consistem no perdão, redenção, proteção, santificação, paz aqui, no céu, e doravante.
• Jesus é o Revelador do Pai: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (Jo. 1:18). Este verso prova que Jesus tinha um conhecimento de Deus acima de qualquer tipo de revelação que os profetas antigos tiveram. Demonstra ainda que as mais plenas revelações do Seu caráter devem ser esperadas no Evangelho de Cristo. Pela Sua Palavra e pelo Espírito Ele pode nos iluminar e nos dirigir ao conhecimento verdadeiro de Deus. Não há verdade e pleno conhecimento desse Deus que não seja obtido através do Seu Filho.
• Jesus é o Batizador no Espírito Santo: “João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo em água; mas no meio de vós está um a quem vós não conheceis. … E eu não O conhecia, mas o que me mandou a batizar em água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre Ele repousar, esse é o que batiza no Espírito Santo” (Jo. 1:26,33).
• Jesus é Cordeiro de Deus que elimina o pecado: “No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu” (Jo. 1:29,30). Jesus é aqui identificado com o Cordeiro substituto, anunciando o aspecto vicário da morte do Messias descrita em Isaías 53. João usa o verbo no presente para referir-me a um acontecimento futuro – “tira o pecado” – que se tornaria possível pelo sangue de Jesus vertido no Calvário, e cujos efeitos redentivos seriam extensivos a todos os homens.
• Jesus é o Filho de Deus e Rei: “E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus. … Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel” (Jo. 1:34,49). Certamente Natanael tem em vista o Salmo 2, quando diz: “Eu tenho estabelecido o meu Rei sobre Sião, meu santo monte. Falarei do decreto do Senhor; ele me disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei (Sl 2:6,7). Neste Salmo messiânico os caracteres de Filho de Deus e Rei de Sião se encontram na mesma pessoa. Porém, mais do que Rei de Israel, num sentido literal, Seu reino não é deste mundo. Ele é Rei de Israel num sentido espiritual. Também Rei dos santos, quer judeus ou gentios, que Ele conquista pelo Seu poder, e reina em seus corações pelo seu Espírito, e Sua graça, protegendo-os e defendendo-os de todos os seus inimigos.
• Jesus é o Messias: “Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo)…. Filipe achou Natanael, e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José” (Jo. 1:41,45). Não apenas pelo que ouviram de João, mas pelo contato pessoal com Jesus, foram convencidos de que a Esperança de Israel, o Redentor prometido, o alvo de tantas profecias messiânicas estava no meio deles. Jesus de Narazé era o Messias, o ungido de YHWH.

CONFISSÃO:Jesus, confesso com a minha boca que creio que és o Deus Eterno, o Criador de todas as coisas, nossa vida e nossa luz: És o Caminho para a filiação Divina, o Deus encarnado, o Doador da graça e da verdade. Tu és o revelador do Pai, o batizador no Espírito Santo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Jesus, és o Filho de Deus, o Rei, o Messias que havia de vir ao mundo para conduzir-nos de volta ao Pai. És digno de meu mais profundo amor e adoração!

Valnice Milhomens

JESUS É O SENHOR CRUCIFICADO

TEXTO CHAVE: “Tomaram, pois, a Jesus; e Ele, carregando a Sua própria cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, onde O crucificaram, e com Ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio (Jo 19:17,18).

O capítulo 19 do Evangelho de João, aos olhos do leitor descuidado e do coração não iluminado, tem sabor de tragédia e desesperadora derrota. O Cristo apresentado no primeiro capítulo como o Verbo Divino, o Filho de Deus; que se revela como Filho do Homem no capítulo dois, identificado com as necessidades humanas; que ministra aos homens durante Seu ministério terreno como o Mestre Divino, o ganhador de almas, o Grande Médico, o Pão da Vida, a Água da Vida, a Verdade que Liberta, a Luz do Mundo, o Bom Pastor, o Príncipe da Vida, o Rei, Senhor e Servo, o Caminho para o Pai, a Videira Verdadeira, o Doador do Espírito Santo e o Grande Intercessor, é-nos apresentado no último dia de Seu ministério na Terra como Servo Sofredor de Yahweh, para chegar aqui como O SALVADOR CRUCIFICADO.

Parece um paradoxo falar de um crucificado como Salvador. Mas é isto mesmo. Ainda que aqui O contemplemos preso a uma cruz, Ele é o Salvador. A cruz na qual Ele está pregado é a exposição vívida de até onde Sua identificação conosco, em nossa queda, O levaria. João se devota a detalhes em relação aos sofrimentos e morte de Cristo, como aquele que nada deseja saber senão a Cristo, e este crucificado, a fim de gloriar-se somente na cruz de Cristo. Com 891 palavras Ele expõe o drama dos acontecimentos que vão dos excruciantes açoites de Jesus, ao momento em que Seu corpo é depositado no sepulcro. Estamos diante do desenrolar de um quadro que, por um lado, causa assombro, indignação, revolta, surpresa e comoção.

Por outro, reverência, santo temor, devoção, amor, quebrantamento, rendição, gratidão e adoração. Aos olhos naturais somos expostos à visão de até onde a inveja, a maldade, o ódio gratuito, a selvageria, a insensibilidade, e todas as vis e baixas expressões da natureza humana corrompida pelo pecado podem chegar. O que tudo isso desperta em nós, como bem ilustrado no filme de Mel Gibson sobre a paixão de Cristo, não há como traduzir. Por outro lado, à luz da revelação bíblica, nos misteriosos caminhos do amor de Deus, ainda que incompreensíveis à mente humana, estamos:

• Diante do ante clímax da obra da redenção, o sacrifício, não de animais, mas do Cordeiro de Deus;
• O Cordeiro está sobre o altar, não do templo, mas da maldita cruz, no Gólgota, diante de todos e sob céus abertos;

• O sacrifício é oferecido não por sacerdotes, mas pó Si próprio e por Deus, pois ninguém O tocaria, se Ele mesmo não se entregasse. Encontramo-nos diante da oferta pelo nosso próprio pecado, pelo que, ao olhar para este drama, não devemos ver as mãos de Pilatos, dos judeus ou dos romanos infligindo tanta dor, sofrimento e morte ao Filho de Deus, nosso Salvador, mas o nosso pecado, nossa maldade e rebelião. Estamos diante do preço pago pela nossa redenção.

O meu e o seu pecado provocaram o que João relata. Dito isto, dada a importância desses acontecimentos, orando por espírito de revelação, leiamos o relato de João, como ele se apresenta, pedindo ao Espírito Santo que grave em nosso ser o quadro real do que tudo isto representa, e que jamais nos esqueçamos do SALVADOR CRUCIFICADO!PILATOS, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou. E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura. E diziam: – Salve, Rei dos Judeus. E davamlhe bofetadas. Então Pilatos saiu outra vez fora, e disse-lhes: – Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum. Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos:- Eis aqui o homem. Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: – Crucifica-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: – Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele. Responderam-lhe os judeus: – Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.

E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou. E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: – De onde és tu?Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: – Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem. Desde então Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamavam, dizendo: – Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César.

Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá. E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus: – Eis aqui o vosso Rei. Mas eles bradaram: – Tira, tira, crucifica-o.Disse-lhes Pilatos: – Hei de crucificar o vosso Rei? Responderam os principais dos sacerdotes: – Não temos rei, senão César. Então, conseqüentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram. E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. E muitos dos judeus leram este título; porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim.

Diziam, pois, os principais sacerdotes dos judeus a Pilatos:
- Não escrevas, O Rei dos Judeus, mas que ele disse: Sou o Rei dos Judeus. Respondeu Pilatos: – O que escrevi, escrevi. Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros:
- Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será. Para que se cumprisse a Escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, E sobre a minha vestidura lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram estas coisas. E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena. Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: – Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: – Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: – Tenho sede. Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja, e, pondo-a num hissope, lha chegaram à boca. e, quando Jesus tomou o vinagre, disse: – Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. Foram, pois, os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que como ele fora crucificado; Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais. Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado. E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram. Depois disto, José de Arimatéia (o que era discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus) rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu. Então foi e tirou o corpo de Jesus. E foi também Nicodemos (aquele que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), levando quase cem arráteis de um composto de mirra e aloés. Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer, na preparação para o sepulcro. E havia um horto naquele lugar onde fora crucificado, e no horto um sepulcro novo, em que ainda ninguém havia sido posto. Ali, pois (por causa da preparação dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro), puseram a Jesus.

Bendito Salvador Crucificado, quem Te pode compreender? Quem medirá o Teu amor, misericórdia e graça? Que poderei dar-Te? Tudo que tenho e sou procede de Ti e volta para Ti. Dei-Te minha vida, meu amor, meu tudo. Em Ti, por Ti e para Ti sempre viverei, em amor, gratidão, devoção e adoração! Meu glorioso Salvador Crucificado, és meu Senhor e meu Deus!

 Valnice Milhomens

JESUS É O GRANDE INTERCESSOR

 TEXTO CHAVE: “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17:20,21).

O capítulo dezessete do Evangelho de João apresenta a magistral oração de Jesus antes de Sua prisão. Durante as últimas horas Ele estivera com a atenção voltada para os discípulos, preparando-os para Sua partida. Sua morte não seria uma surpresa. Ele sabia que Sua hora era chegada e fez provisão de ensino aos Seus. Terminando, pois, de transmitir o que julgou necessário, conclui: “Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos cada um para sua parte, e me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo. Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16:32,33). Tendo disto isto, concluindo Seu sermão, introduziu uma mudança de cenário.

Tirou os olhos dos discípulos e se dirigiu ao Pai em oração. Podemos dizer que aquela era:
• Uma oração pós – sermão a fim de consolidar o que fora ensinado;
• Uma oração após a instituição da Ceia memorial, aplicando os termos da nova aliança;
• Uma oração familiar, pois os discípulos eram Sua família e Ele os abençoou;
• Uma oração de despedida;• Uma oração que precedia Seu sacrifício, que Ele estava para oferecer na terra, especificando os favores e bênçãos projetados que seriam comprados para esses que eram Seus, pelo mérito da Sua morte. Cristo, então, orou agora como um sacerdote oferecendo sacrifício.
• Uma oração que era um espécime da Sua intercessão, que Ele vive sempre a fazer por nós dentro do véu. Ele permanece no ofício de Intercessor pelos Seus, à direita do Pai.A primeira parte da oração de Jesus é por Si mesmo. Depois Ele age como um intercessor, colocando-se no lugar dos discípulos e pleiteando a causa destes. Observe-se que a intercessão de Cristo é sempre pertinente.

Nosso Advogado junto ao Pai está familiarizado com todos os pormenores de nossos desejos e fardos, nossos perigos e dificuldades, nossas debilidades e necessidades. Ele sabe exatamente como direcionar Sua intercessão por cada um, como quando intercedeu por Pedro, que estava em perigo (Lc 22:32). Jesus é intenso e prolongado em Sua intercessão. É pleno nas petições, ordena-as diante do Seu Pai, e enche a Sua boca com argumentos, ensinando-nos, assim, a ser fervorosos, intensos, e a importunar em oração. É um exemplo a orarmos demorada e insistentemente, junto ao Trono da graça, lutando como Jacó: “Não te deixarei se não me abençoares”.

Quando Jesus passa a fazer dos discípulos o Seu foco de intercessão, declara: “Eu não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (Jo 17:9). “Eu rogo por eles” – Diante dos perigos e testes que os aguardavam, Ele buscou a proteção e a bênção de Deus para suas vidas. “Não rogo pelo mundo,” isto é, os homens maus, rebeldes, maliciosos. Jesus aqui concentra Sua oração a favor dos Seus discípulos. Como um motivo para Deus abençoá-los, Ele diz que eles não eram do mundo; que tinham sido tirados do mundo; que pertenciam a Deus.

Não quer dizer que Ele só orou pelos discípulos. Mais adiante nesta oração Ele orou pelos futuros crentes e na cruz orou pelos que O crucificaram (Lc 23:34). Mas nesta ocasião Seu foco são os discípulos.
PRESERVAÇÃO
A primeira questão que Jesus traz diante do Pai a favor dos Seus discípulos é a preservação do mal. Ele os confia à custódia do Pai. “Eu não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai santo, guarda-os no Teu nome” (Jo 17:11a). “Guardar” sugere perigo de extravio. Certamente enfrentariam males e precisavam ser preservados. “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (Jo 17:15). Havia perigos no mundo, mas seu lugar de atuação seria nele. Não seriam preservados de seus males pela morte, mas pela intervenção do Pai, guardando suas vidas. As razões de Sua intercessão pele preservação são:
• Ele argumenta que enquanto aqui, Ele os mantivera: “Estando Eu com eles no mundo, guardava-os em Teu nome” (Jo 17:12a), na fé verdadeira do Evangelho e no serviço de Deus. Esses que me deste para ajudar-me no cumprimento da missão, Eu guardei e estão seguros. “Nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse” (Jo 17:12b).
• Ele argumenta que estava agora sob a necessidade de deixá-los, e não podia mais cuidar deles como havia feito até então (Jo 17:11).. “Mantém-nos agora, porque Eu não posso perder o investimento feito neles enquanto estava com eles.”
• Ele argumenta que eles teriam uma grande satisfação em saber que estavam seguros, e que grande gozo seria para Ele vê-los bem! “Digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos” (Jo 17:13).
• Ele argumenta sobre o mal que eles possivelmente enfrentariam no mundo, por Sua causa. “Dei-lhes a Tua palavra” para que a proclamassem ao mundo. Eles creram nela, receberam-na, aceitaram a incumbência de transmiti-la ao mundo. Portanto “o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo” (Jo 17:14).

• Ele argumenta sobre a conformidade dos discípulos com Ele mesmo em um santo inconformismo com o mundo. “Pai, guarda-os, pois eles estão identificados com meu espírito e mente, eles “não são do mundo, como eu do mundo não sou” (Jo 17:16).Poderá haver para nós, discípulos do Senhor Jesus Cristo, maior segurança do que saber que Ele, não apenas orou por nós naquele dia, mas continua a interceder por nós e, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, usam todos os recursos Divinos para nos preservarem de todo mal? Enquanto andarmos em Sua presença seremos guardados, protegidos, livrados, preservados das ciladas do maligno e da maldade deste mundo.

Nosso GRANDE INTERCESSOR garante a nossa preservação.

“Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim”. (Jo 17:23)

Nesta oração sacerdotal de Jesus registrada no capitulo 17 do Evangelho de João, Sua primeira intercessão foi para que os discípulos fossem preservados do mundo e do mal. Mas não ficou aí. Podemos destacar mais três focos centrais que mereceram a atenção de Jesus ao pleitear junto o Pai a causa daqueles que recebera de Suas próprias mãos: Santificação, unidade e permanência com Ele.

SANTIFICAÇÃO NA VERDADE
Depois de interceder para que os discípulos sejam livres do mal, que ataca pelo lado de fora, Ele ora para que sejam bons, puros, santos, interiormente. “Santifica-os na Tua verdade; a Tua palavra é a verdade” (Jo 17:17).

A Palavra de Deus é instrumento de santificação. Por ela somos confrontados, repreendidos, corrigidos, convencidos, lavados e purificados. Ela tem o poder de, usada pelo Espírito, enquanto a contemplamos como em um espelho, ir nos transfigurando, de um degrau de glória a outro, num sempre crescente esplendor, na imagem santa de Jesus (2 Co 3:18). Portanto, Jesus ora por esta santificação, pois sendo santos eles seriam preservados em Sua ausência. Paulo expande essa oração, dizendo: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo” (1 Ts 5:23). “Pai, santifica-os.” Esta petição tem dois sentidos: Primeiro, a experiência da graça transformadora que imprime no discípulo as marcas do caráter santo de Jesus. Em outras palavras, Jesus ora:
“Pai, confirma a obra de santificação neles; fortalece-lhes a fé, desperta seus nobres desejos, firma suas santas resoluções, completa-a, coroa-a com a perfeição da santidade, santifica-os inteiramente e até ao fim. A oração de Jesus para que todos os Seus sejam santificados é porque Ele não os poderia usar para cumprir Sua missão, se eles não fossem santificados. Além disto, estes que foram santificados por Sua graça, tinham necessidade de ser santificados cada vez mais, refletindo o caráter perfeito, puro e santo de Jesus.O segundo aspecto é a santificação posicional. Eles eram separados para uma missão. “Santifica-os, separa-os para Ti mesmo e para o serviço cristão; seja seu chamado ao apostolado ratificado no céu”. É dito dos profetas que foram santificados. Jeremias é um exemplo: “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta” (Jr. 1:5). Portanto, o pedido de Jesus quer dizer:
• Qualifica-os para o ofício com os dons da Tua habilidade Divina a fim de que sejam ministros efetivos da Nova aliança;
• Separa-os para o ofício para o qual os chamei e ao qual disseram sim (Rm 1:1);
• Apodera-Te deles no ofício, respaldando-os; santifica-os na Tua verdade, não na figura cerimonial, para que vivam Tua verdade e a preguem ao mundo com integridade. Depois de rogar ao Pai que santificasse Seus discípulos, Jesus apresenta duas fortes razões para tanto:
• Sua própria missão transferida a eles: “Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo” (Jo 17:18). Jesus revela Sua convicção de que viera ao mundo em missão confiada pelo Pai. Ele estava aqui como enviado do Pai para fazer e dizer o que Lhe havia sido confiado. Ele também demonstra a alegria de ter comissionado os Seus: “Eu os
enviei ao mundo” para fazer o mesmo, cumprir o mesmo propósito, no mesmo espírito em que Eu vim. Eles serão, pois, a extensão da minha missão.
• Sua condição de Mediador. “E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade” (Jo 17:19). “Por eles me santifico” pode ser uma referência ao que Ele estava prestes a fazer: “pelo Espírito eterno oferecer-se a Si mesmo imaculado a Deus”(Hb 9:14). Como o próprio Sumo Sacerdote e o altar, Ele santificou-se a Si mesmo como o Sacrifício, para que Seus discípulos fossem santificados na verdade, “pois esta é a vontade de Deus, a sua santificação” (1 Ts 4:3). No versículo seguinte Jesus, diante do Pai, passa a orar não apenas pelos que O acompanhavam em Seu ministério terreno, mas também por todos quantos, em todos os lugares, e em todos os tempos, que viessem a se converter em discípulos Seus. Ele intercedeu por você e por mim.
Podemos nos sentir incluídos em toda a oração de Jesus. Ele disse ao Pai: “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim” (Jo 17:20). Hoje, ainda que distanciados daquele dia milhares de anos, temos o gozo de saber que Jesus, em Sua onisciência nos incluiu em sua intercessão, como nos incluiu em Sua morte, sepultura e ressurreição. Portanto podemos aplicar à nossa vida cada palavra destas oração carregada de significado e poder.
• O Pai nos guardará de todo o mal e nos preservará até o Dia de Cristo Jesus. Ele nos guardará em Seu Nome e em Seu amor. Guardados por Ele nenhum mal nos sucederá e “o maligno não nos toca” (1 Jo 5:18).
• O Pai nos santificará, operando em nós, através do Seu Espírito, a obra da santificação que produz em o caráter de Cristo, e separando-nos para o Seu serviço, conferindo-nos Sua habilidade para cumprirmos a missão de Jesus que nos foi transferida. Assim, pela obra da santificação, tanto o caráter quanto a missão de Jesus serão a marca do discípulo por quem Jesus intercedeu junto ao Pai.

Nosso grande Intercessor Jesus devotou-se a pleitear junto ao Pai nossa preservação e nossa santificação, como vimos nas duas meditações anteriores. Ele não somente fez uma petição, como também apresentou Suas razões pala fazê-lo. Aqui está um grande exemplo de intercessão. No pedido por preservação, Ele lidou com os perigos externos. Na súplica por santificação, Ele debruçou-se sobre a condição interna, do coração. Tendo orado por pureza, Ele passa a orar pela UNIDADE, de forma mais extensa. Aqui Seu foco são os relacionamentos.

Jesus deu ao Pai um forte motivo para Sua petição: “Pai santo, guarda em Teu nome aqueles que me deste” (Jo 17:11). Ele tinha o sonho de ver por terra todas as cadeias que os separavam a fim de formarem um corpo harmônico. O resultado, portanto, da proteção do Pai seria “para que sejam um, assim como nós.” Por mais três vezes em Sua oração sacerdotal Ele usa a expressão “sejam um” (v. 21,22). Que possam ser unidos como irmãos. Os cristãos são todos redimidos pelo mesmo sangue do Cordeiro e são herdeiros do mesmo destino, o Céu. Têm as mesmas aspirações, os mesmos inimigos, as mesmas alegrias, a mesma Palavra de Deus e o mesmo Espírito. Precisam interiorizar o fato de pertencerem à mesma família, e são filhos do mesmo Deus e Pai. Haverá laços mais ternos e profundos do que estes que nos unem no Evangelho de Jesus Cristo? Não. Encontraremos em outro lugar amizades tão puras e duradouras quanto as que resultam de termos a mesma ligação com o Senhor Jesus? Certamente não. Portanto, os cristãos no Novo Testamento são representados como estando indissoluvelmente unidos. São parte do mesmo corpo e membros da mesma família (At 4:32-35; Rm 12:5).
É na base da realidade imutável dessa união, que somos chamados a amar-nos uns aos outros, suportar-nos, andar em paz e buscar a edificação mútua (Rm 12:5-16), “até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4:3). “Para que eles sejam perfeitos em unidade” (Jo 17:23. As orações de Jesus pela unidade dos discípulos incluem três coisas:
• Que todos os filhos de Deus fossem incorporados em um só corpo (Jo 11:52. Ef 1:10). “Pai, contempla-os como um, incorporados em uma igreja. Embora vivam em lugares distantes, de uma a outra extremidade do céu e da terra, sejam de idades variadas, desde o princípio aos fins dos tempos, e sem terem qualquer conhecimento pessoal ou contato um com o outro, ainda assim, que eles sejam unidos em Mim, como cabeça comum a todos”.
• Que todos possam ser animados por um mesmo Espírito. “Que também eles sejam um em nós” (17:21). Esta união dos discípulos com o Pai e o Filho seria possível somente pelo Espírito Santo, o Consolador que Ele enviaria. Pois “aquele que se une ao Senhor é um só espírito com Ele” (1Co 6:17). Que recebam todos o mesmo selo da união com o Espírito.
• Que todos estejam “unidos em amor” (Cl 2:2) ligados pelos indissolúveis vínculos do amor, sejam todos de um mesmo coração. “Para que todos sejam um”, no julgar e no sentir; nas disposições e inclinações do coração; em seus propósitos e alvos; em seus desejos e orações; em seu amor e afeto. Jesus aqui está orando pela comunhão dos santos que professamos crer. A comunhão que todos os crentes têm com Deus, e sua união íntima com todos os santos no céu e
na terra, conforme declara João: “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo 1:3).Quais os argumentos de Jesus nesta petição? Principalmente três:
(1) A unidade entre o Pai e o Filho, a qual é menciona repetidamente (Jo 17:11,21-23).

(2) O projeto de Cristo em todas as Suas comunicações de graça a eles. “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” (Jo 17:22). Ele se dispôs a comunicar ou transmitir aos discípulos Sua própria glória.

(3) A influência feliz que sua unidade teria sobre outros, e o avanço que ela traria à causa da pregação de Cristo. Ele insiste no ponto duas vezes: “Que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste” (Jo 17:21). “Eu neles, e Tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que Tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a Mim” (Jo 17:23). Está estabelecido que o Pai e o Filho são um em natureza e essência, iguais em poder e glória, um em amor mútuo. O Pai ama o Filho, e o Filho sempre agrada ao Pai. Têm um só projeto, e são um em operação.
A expressão”Tu em mim, e Eu em Ti” (17:21), usada várias vezes, fala da intimidade dessa, que deve ser o padrão para os discípulos. Os crentes devem ser um na mesma medida em que Cristo e o Pai são um. É por esse nível de unidade que Cristo está intercedendo; isto quer dizer que:
• A união dos crentes é estrita e próxima. Eles são unidos pela natureza Divina, da qual são feitos participantes e pelo poder da graça Divina.
• É uma união santa, no Espírito Santo, para fins santos.
• É, e por fim será, uma união completa. O Pai e o Filho têm os mesmos atributos e perfeições; assim os crentes, uma vez que são santificados, o têm agora, e quando a graça for aperfeiçoada em glória todos serão transformados na mesma imagem. Essas palavras, “Eu neles, e Tu em Mim”, mostram o que essa união é, a qual é tão necessária, não só para o embelezamento da Igreja, mas para seu próprio ser, sua essência.
• Primeiro, união com Cristo: “Eu neles.” Cristo morando nos corações dos crentes é a essência do novo homem criado nEle.
• Segundo, a união com Deus por meio dEle: “Tu em Mim,” ou seja, estar neles, por Mim.
• Terceiro, a união um com o outro, “para que eles sejam perfeitos em unidade” (Jo 17:23).

Aleluia! NELE SOMOS COMPLETOS! Que preço se deveria pagar por essa unidade pela qual Jesus orou? Que esforço se deveria empregar para cooperar com Deus em Sua resposta à oração do Seu Filho? Conscientizar-se do impacto que esse nível de unidade terá para a evangelização do mundo deveria ser o bastante para o nosso empenho em construir entre nós tão desejável atitude. Ouçamos novamente as palavras sublimes saídas dos lábios do nosso Redentor, em intercessão ao Pai por nós:“Que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste” (Jo 17:21).
Que o mundo possa crer… Que o mundo, tão pleno de animosidades, intrigas e lutas, possa ver o poder do princípio cristão em superar as fontes de contenda e produzir o verdadeiro amor. Que possam concluir que somente uma fé que tem sua origem em Deus mesmo pode produzir isto. Os cristãos da igreja primitiva foram tão envolvidos nessa qualidade de amor que os tornava um, que os pagãos eram constrangidos a, em admiração, exclamar: “Vejam como esses cristãos
se amam!” Seja assim entre nós hoje, e o mundo tão carente de amor e graça, correrá para os braços de Cristo.

“Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17:24).

É algo impactante prostrar-se aos pés de Jesus e ouvir Sua oração em João 17 com a consciência de que somos alvo da sua Intercessão, como se estivéssemos presentes no momento em que Ele orou. A realidade é que, mesmo distantes daquele dia quase dois mil anos, fomos incluídos em Sua oração. Portanto há um convite a abrirmos o coração a fim de cooperar para que cada uma de Suas petições encontre resposta em nossa vida:
• Que o Pai nos preserve de todo o mal deste mundo, guardando-nos incontaminados;
• Que sejamos santificados na verdade da Palavra de Deus, andando sempre em santidade e conscientes de que somos separados do mundo para o uso exclusivo de Deus;
• Que encontremos o caminho da verdadeira unidade com o Pai e o Filho e andemos unidos com os irmãos, como um só Corpo que expressa a unidade do Pai no Filho e destes conosco.Depois de orar por preservação, santificação e unidade, Jesus faz de Sua presença e Sua glória compartilhada com os discípulos o foco de Sua oração: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque Tu me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17:24).

E com que determinação e poder Jesus se expressa: “Pai, quero.” A despeito de ter vindo como servo, Ele é Rei e Sacerdote que intercede junto ao Trono expressando Seu desejo irrecusável: Que aqueles que Seu amou comprou permaneçam em Sua companhia, na terra e no Céu.
COMPANHIA e COMUNHÃOJesus viera “buscar e salvar o perdido.” Dispusera-se a dar a própria vida em sacrifício para libertar-nos da condenação do pecado e nos transformar em filhos do Deus vivo. Tudo por amor. Quem ama quer a companhia do ser amado. Sua presença é mais importante do qualquer coisa. Ele vivera com os discípulos na Terra, mas Seu propósito era resgatá-los para sempre. Estar com eles eternamente, tendo tudo em comum.
A idéia de um Deus que busca a criação para comungar com Ele e determina compartilhar Sua morada e tudo quanto é e tem, é impressionante e extraordinário. Mas é exatamente isso que está por trás das palavras de Jesus: “Quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo”.
Primariamente Jesus fala do Céu para onde Ele voltaria em pouco tempo.Qual o real significado de ir para o Céu, morada permanente de Jesus? Em que consiste essa felicidade pela qual Jesus intercede a nosso favor? Pelo menos três coisas:
• É estar onde Cristo está: “Onde estou.” No paraíso, no terceiro céu, para onde Ele foi apósa morte. O mundo é apenas o lugar da nossa peregrinação. Estamos de passagem, mas nosso destino é o Céu, onde Jesus está. Este é o sentido da Sua encarnação. Ele veio habitar na morada do homem, a Terra, a fim de abrir o caminho para que aquele que nEle crê possa habitar em Sua morada, o Céu.
• É estar com Cristo onde Ele está. Não se trata da mera alegria de estar no lugar onde Jesus está, mas a gloriosa felicidade de estar com Ele. A plenitude da alegria do lugar reside em Sua presença. Estar com Cristo, em Sua companhia, isto é que é Céu, como diz o velho hino: Bem pouco importa eu morarNuma choupana ou a à beira mar;Em casa ou gruta, boa ou ruim,Com Cristo aí é Céu prá mim!Estar com Cristo é o anseio mais profundo do nosso ser. Não apenas no Céu, mas começando aqui, pois a partir do momento em que alguém nasce de novo o Céu passa a viver em seu coração, porque Jesus habita em nós na pessoa bendita do Espírito Santo.
• É contemplar Sua glória; glória que o Pai Lhe deu. Quando Jesus pede ao Pai para que os discípulos vejam a glória que Lhe foi dada e que tinha com o Pai “antes que o mundo existisse”(Jo 17:5), não se trata apenas de vê-la, admirá-la, mas compartilhar dela, conforme tão claramente Ele expressa no versículo 22: “E eu lhes dei a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.” Que glória? A expressão de tudo o que Ele é e tem. Que petição: “Quero que vejam minha glória!” A glória do esplendor do Céu que move os seres angelicais a cobrir seus rostos. O Cordeiro é a própria luz da Nova Jerusalém (Ap 21:23). Cristo virá na glória do Seu Pai. O gozo dos santos é grandemente motivado pela contemplação de Sua glória, pois o verão como Ele é, em toda a Sua beleza e ofuscante esplendor. E esta será uma visão assimilada, pois seremos transformados em Sua própria imagem num sempre crescente esplendor, de um degrau de glória a outro (2 Co 3:18).
O argumento de Jesus para respaldar Sua petição ao Pai é que o Pai o tem amado. O amor do Pai ao Filho, deste ao Pai, e o amor destes aos discípulos é a base para que aqueles que O conheceram estejam sempre onde Ele estiver e em comunhão com Ele, compartilhando e contemplando a Sua glória. A conclusão da oração, destinada a reforçar todas as petições pelos discípulos, especialmente a última, é belamente expressa: “Pai justo, o mundo não Te conheceu; mas eu Te conheci, e estes conheceram que Tu me enviaste a mim” (Jo 17:25).

Na base desse conhecimento eles podem permanecer em Sua companhia no Céu e em eterna comunhão.Quando Jesus intercede pela santificação dos discípulos Ele se dirige ao Pai como “Pai santo.” Aqui, pedindo para que eles permanecer em Sua companhia, Ele diz: “Pai justo,” pois será uma coroa de justiça que o justo Juiz nos dará, para que vivamos sempre com Ele.Jesus ainda argumenta na base da consideração que Ele tem pelos discípulos: “E Eu lhes fiz conhecer o Teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e Eu neles esteja” (Jo 17: 25,26). Que maravilha! O que Ele fez com eles? Revelou o Pai! Ontem, hoje e sempre o conhecimento do Pai é favor de Jesus. Antes que Ele nos recomende ao Pai Ele nos introduz no Seu conhecimento. E não somente nos primeiros passos, Ele continuará a nos revelar o Pai agora e na eternidade.Qual o propósito de Jesus com toda esta oração? Para assegurar, sobretudo, duas coisas:
• A comunhão com Deus. “Pai, Eu revelei Teu nome a eles, guiei-os no conhecimento de Te mesmo para que o Teu amor com que me tens amado esteja neles.” Este amor é e sempre será a base da nossa comunhão com o Pai e Seu filho Jesus Cristo.
• União com Cristo. “E Eu neles esteja.” A oração de Jesus nos garante que Jesus está em nós e nós estamos nEle, numa união espiritual permanente. Somos parte dEle e Ele é a nosso própria vida.O nosso coração só pode rebentar em expressões do mais terno amor e mais profunda gratidão, em santa e apaixonada adoração a Cristo, nosso GRANDE INTERCESSOR, oferecendo-lhe uma vida sob a proteção do Pai, andando no caminho da santificação, em unidade com o Seu Corpo, vivendo aqui e agora em Sua companhia, em Sua doce presença, numa indissolúvel comunhão de Amor.

 Valnice Milhomens

JESUS É O SERVO OBEDIENTE DE YHWH

“Perguntou-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (Jo 18:37).

João registrou muito pouco da história de Jesus. Ele se debruçou mais sobre os Seus ensinos e discursos. Mas agora que o tempo de Jesus entregar Sua vida pela morte se aproxima ele é muito particular em relacionar as circunstâncias dos seus sofrimentos, algumas das quais foram omitidas pelos demais evangelistas, especialmente Suas declarações. Este capítulo relata:
• Como Cristo foi detido no jardim e se rendeu como um prisioneiro (Jo 18:1-12).
• Como foi abusado na corte do sumo sacerdote e no ínterim foi negado Pedro (Jo 18:13-27).
• Como foi julgado diante de Pilatos, examinado por ele, e submetido ao voto do favor do povo, juntamente com Barrabás, tendo perdido para este, que foi solto e Ele condenado à morte (Jo 18:28-40).Enquanto Judas negociava com as autoridades religiosas a entrega de Jesus, Este “saiu com Seus discípulos para o outro lado do ribeiro de Cedrom, onde havia um jardim, e com eles ali entrou” (Jo 18:1). Ele sabia que estava indo ao encontro do altar do sacrifício.
Portanto, quando Judas e os que o acompanhavam chegam para prendê-lo, Ele assume uma atitude de nobreza. “Sabendo, tudo o que lhe havia de suceder, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais?” (Jo 18:4). Quando o povo quis coroá-lo Rei à força, Ele se retirou (Jo 6:15), mas quando agora vêm para impor-lhe à força uma cruz, Ele se oferece e se deixa prender.Jesus viera ao mundo como o Servo Sofredor de Yahweh para sofrer.
Isaías descreve sua visão dEle nestes termos: “Ele era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum” (Is 53:3). Todavia, se viera ao mundo para sofrer, voltaria depois para o outro mundo a fim de reinar. Na ocasião, mostra simplesmente o que Ele poderia fazer, quando os derruba ao som de Sua majestosa voz:
“Sou Eu” (Jo 18:6). Poderia fulminá-los ali mesmo, mas não o faria. Ninguém o forçou ao sacrifício. Era chegada a Sua hora. Voluntariamente se oferece, porque aquele era o caminho para destruir o que está na origem de todos os sofrimentos humanos. Seu próprio sofrimento se transformaria no instrumento de libertação dos sofrimentos gerados pelo pecado.
Jesus entrou num jardim (18:1). Somente o evangelista João destacou esta circunstância, que os sofrimentos de Cristo começaram num jardim. Um dia Satanás entrou no jardim do Éden e, com ele o pecado. A queda aconteceu no jardim. Ali a trajetória do pecado começou; ali a maldição foi pronunciada; ali o Redentor foi prometido. Agora, em um jardim começaram os sofrimentos de Cristo, por causa do pecado iniciado no primeiro jardim. No jardim Jesus agonizou ao sangue; ali Ele se rendeu inteiramente à vontade do Pai para beber até à última gota o cálice dos sofrimentos que a nossa redenção exigia. Num jardim Ele foi sepultado e ali ressurgiu dentre os mortos, rompendo os grilhões da morte e vencendo para sempre. Naquela noite Jesus passou por uma série de sofrimentos. Geralmente se pensa no sofrimento físico que as chicotadas e morte de cruz infligiram a Jesus. Todavia os acontecimentos falam de uma série de sofrimentos que Ele experimentou:
• O sofrimento que só o pensamento do que teria de enfrentar despertava em Sua alma.
Depois de cear com Seus discípulos, simbolicamente Ele tomara como Seu o pecado e suas conseqüências e saíra para pagar a dívida contraída pelo pecado da raça humana. Por isso começou a entristecer-se e a angustiar-se muito. Então confessou aos Seus discípulos: A minha alma está cheia de tristeza até a morte (Jo 18:38).
• O sofrimento enfrentado enquanto orava ao Pai, buscando um caminho de escape. A idéia de tornar-se pecado e enfrentar os terrores da morte, com todas as suas conseqüências, era apavorante. Pelo que “prostrou-se sobre o Seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como Tu queres” (Mt 26:39).
“E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão” (Lc 22:44), tamanha era a intensidade do sofrimento emocional e espiritual.
• O sofrimento da traição. Um dos doze, O traiu vergonhosamente, vendendo-O pelo preço de um escravo, cumprindo-se o que diz a palavra profética citada por Jesus poucas horas antes:
“Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar” (Sl 41:9). Logo após a bela oração sacerdotal pelos discípulos, eis que um deles, Judas Iscariotes, que se ausentara da Ceia, lidera “os oficiais dos principais sacerdotes e fariseus,” que chegam “com lanternas, archotes e armas” (Jo 18:3) para prenderem a Jesus na calada da noite, longe das multidões que O aclamavam Rei. Pode-se medir a dor da traição de um discípulo de confiança que era o tesoureiro do grupo e provou de perto o amor do Mestre? As feridas mais profundas em nossa alma são feitas pelos que nos são mais próximos e mais amados. A primeira dor da traição parte de um dos Doze.
• O sofrimento de ter as mãos abençoadoras amarradas por mãos de seres humanos que tiveram sua origem nEle como Criador de todas as coisas. “Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram” (Jo 18:12). A partir de então Suas mãos foram paralisadas, primeiro, pelas algemas; depois pela cruz que passou a carregar e,
finalmente, pelos cravos que O pregaram à cruz até ao último suspiro. Qual o Seu crime? Como ungido de Deus com o Espírito Santo e com poder; Ele “andou por toda a parte fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele” (At 10:38). Ele só fez o bem!
• Jesus vive o sofrimentos da negação de um dos discípulos mais próximos, Pedro, o porta voz do grupo e que jurara fidelidade até à morte. A dor de vê-lo envergonhar-se dEle de forma ultrajante, e isto no momento em que é injuriado perante a corte. Pedro O nega três vezes. Cada uma delas é o repisar da ferida e sofrimento que a negação de um amigo pode provocar. 
Diante da porteira: “Então a porteira disse a Pedro: Não és tu também dos discípulos deste homem? Disse ele: Não sou.” (Jo 18:17). Enquanto Jesus é interrogado diante do tribunal, Pedro aquenta-se junto ao fogo com os servos e servidores do Sumo Sacerdote (Jo 18:18).
 Os companheiros de fogueira “disseram-lhe, pois: Não és também tu um dos seus discípulos? Ele negou, e disse: Não sou” (Jo 18:25).
 “E um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse: Não te vi eu no horto com ele? E Pedro negou outra vez” (Jo 18:26,27).
• Jesus sofre a dor de ser rejeitado pelo povo a quem fora enviado. “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1:11). A própria classe sacerdotal o condena, taxa-o diante de Pilatos de malfeitor e pede a Sua morte (Jo 18:30). Pilatos mesmo testifica: “A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?”
• Jesus sofre a dor de ser trocado por um assaltante assassino quando Pilatos deseja soltá-lo. Este pergunta: “Quereis, pois, que vos solte o Rei dos Judeus? Então todos tornaram a clamar, dizendo: Este não, mas Barrabás. E Barrabás era um salteador” (Jo 18:39,40). Ele que viera por amor, que curara os enfermos, expulsara os demônios, ressuscitara mortos e anunciara o Reino de Deus, fazendo todo tipo de bem, agora é trocada por um malfeitor e assassino. Se a noite começa com a traição de um discípulo, termina com a traição de todo um povo, a nação da aliança, das promessas, da revelação, Seu próprio povo.Certamente Jesus anteviu esse tipo de sofrimento da rejeição quando chorou sobre Jerusalém, dizendo: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste?” (Lc 13:34). Jesus sofria não apenas por ser rejeitado, mas por saber os sofrimentos do Seu povo por causa de tal rejeição: “E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados, e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação” (Lc 19:42-44).
Jesus continua hoje a sofrer diante de cada rejeição de nossa parte. Porque nos ama e sabe as terríveis conseqüências da rejeição de Seu amor e graça, Ele sofre por nós. Que nobreza de caráter! Que graça! Que amor! Que misericórdia! Que exemplo de sofrimento voluntário, do sacrifício de Si mesmo a fim de garantir aos homens rebeldes, ingratos e maus o caminho da reconciliação com Deus e o retorno ao plano original de ter o homem vivendo no estado de santidade, em eterna comunhão de amor com Ele. Bendito Servo Sofredor, não há nada que não se possa renunciar por Ti. A vida inteira no altar gastando-nos por Ti, para Teu louvor e glória seria nada diante da imensidão do Teu amor que nos fez eternamente Teus.

O capítulo 18 do Evangelho de João aborda os primeiros sofrimentos de Jesus em Seu caminho para a morte. Todavia aquele era apenas o clímax de uma estrada de sofrimento no qual ela entrara desde que Seu amor por nós O levou a escolher o caminho da identificação, tão belamente descrito por Paulo: “O qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a Si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a Si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2:6-8).“Esvaziou-se” (heauton ekenōsem, no grego). A palavra kenoō quer dizer literalmente, “esvaziar, fazer vazio, tornar vão ou sem efeito.” É aplicado a uma experiência na qual alguém coloca de lado seu posto e dignidade, e se torna em relação a ele como nada; isto é, ele assume um posto mais humilde. O sentido geral é que Jesus se despiu desse modo peculiar de existência que era adequado a Ele como um com Deus. Colocou de lado a forma de Deus, embora não haja renunciado Sua natureza divina.
A mudança era de estado: da forma de Deus para a forma de servo. Sua personalidade continuou a mesma. Seu auto-esvaziamento não era auto-extinção, nem era o Ser divino se convertendo em mero homem. Certamente seria impossível despir-se de Suas perfeições. Ele não podia cessar de ser onipotente, onipresente, santíssimo, verdadeiro e bom. Mas é concebível que, por um tempo, o da Sua existência como homem na terra, Ele tenha renunciado os símbolos ou manifestação da Sua glória. Ou ainda que as expressões exteriores de Sua majestade no Céu tenham sido deixadas de lado. Mas fique claro, de passagem, que Seu esvaziamento não implica em mudança da glória essencial das perfeições divinas. O que queremos de fato destacar é que esse processo de auto-esvaziamento certamente foi indizivelmente doloroso e implicou em muito sofrimento.

O momento descrito no capítulo que é nosso foco, é apenas o princípio do clímax dos sofrimentos a que Seu “esvaziamento” O conduziu.Esse esvaziamento (ekenōsem) assemelhou-se a uma descida de degraus, que vale a pena recordar a fim de melhor entender o caráter do Messias sofredor, o Servo Sofredor descrito pelo profeta Isaías (Is 53):

• Renúncia das manifestações exteriores da Divindade.
• Encarnação, entrando no processo de ser concebido num útero materno e seguir todo o processo da formação, nascimento e crescimento de um ser humano.
• Apresentação ao mundo na “forma de um servo.” Embora sendo Senhor, Jesus ocupou uma condição inferior na vida terrena e dispôs-se a agir como um servo: “Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve” (Lc 22:27).
• Assumiu a “forma de homem.” Tomou sobre Si todos os atributos de um homem e, para viver na Terra, lançou mão somente de tais atributos extremamente limitados em relação aos que Ele possuía como Deus e renunciara por um pouco.
• “Humilhou se.” Ele não apenas apareceu como um homem, mas como tal, humilhou-se. A humilhação era uma característica constante dele como homem. Ele não aspirou honrarias, não buscou grandezas e pompa, não exigiu ser servido, mas submeteu-se às condições mais baixas de vida. Ele disse certa vez: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8:20).
• Tornou-se obediente. O Senhor se coloca numa condição de obediência. Obedecer a lei dada aos homens implicava em humilhação voluntária. E a grandeza da Sua humilhação foi mostrada por Se tornar inteiramente obediente, até à últimas conseqüências. “Tornou-se obediente.” Submeteu se à lei de Deus, e totalmente a obedeceu (Heb 10:7; Hb 10:9).
• Entregou-se à morte, que era o salário do pecado dos homens em sua rebeldia. Ele entrou, como homem e servo, no caminho da obediência, mesmo quando esta culminaria com a temida e infame morte. E isto, consciente e voluntariamente. Ele Se colocou na condição de um servo de Deus entre os homens, para fazer a vontade do Pai, sem nunca dela se desviar, mesmo sabendo tudo que envolvia essa condição.
• Mesmo a morte da cruz. Não uma morte qualquer, como a do que tomba em glória num campo de batalha em defesa do seu povo. Mas a demorada, massacrante, dolorosa, cruel, sádica e humilhante morte de cruz inventada pelos romanos em seu requinte de crueldade para alquebrar o moral dos seus algozes. Há morte considerada gloriosa, mas a que estava destinada ao Messias sofredor era a mais cheia de ignomínia e terrível vergonha moral; a de mais degradante caráter; a da mais elevada tortura que o humano talento pecaminoso pode inventar.
Tudo isso revela o nível do sofrimento a que Ele se prontificou suportar. É chegada a hora em que o Redentor, que seria tornado perfeito pelos sofrimentos, deveria enfrentar a fúria do inimigo. E o capítulo 18 de João nos apresenta o Autor da nossa salvação indo com dignidade, coragem, determinação e até uma misteriosa satisfação, ao encontro desta hora de trevas, porque sabia que ao fim de tudo, depois de beber a última gota de sofrimento que nosso pecado infame Lhe causaria, Ele veria o fruto do penoso trabalho de Sua alma: Nossa própria redenção! Ó que amor glorioso, quem Te pode compreender? Ó irresistível amor que nos venceu para sempre!

 Valnice Milhomens

JESUS É O BOM PASTOR

TEXTO CHAVE: “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (Jo 10:10,11).

No capítulo 10 do Evangelho de João Jesus contrasta Sua Pessoa com os que pretendiam ser pastores de Israel. Três idéias estão presentes:
• Ele entrou no “aprisco das ovelhas” pela porta.
• Jesus é a porta.
• Ele é o pastor das ovelhas – o Bom Pastor.Jesus fala por figuras. O aprisco é a Terra. As ovelhas são os homens. A porta é o nascimento físico. O porteiro é o Espírito Santo (Jo 1:1-3).
Ele entrou no mundo pela porta. Deus deu a terra aos filhos dos homens (Sl 115:16). Portanto, somente os filhos dos homens, que nasceram na terra como tais, têm direito legal de operar aqui.
Satanás agiu como “ladrão e salteador” (Jo 1:1) pulando a cerca e usando o corpo de uma serpente. Mas Jesus nasceu na terra como Filho do Homem, tendo sido gerado no ventre de Maria pelo Espírito Santo. Assim Ele entrou pela porta do nascimento físico, tendo direito legal de operar no planeta. Deus é um Deus de legalidade e tudo quando Jesus fez foi dentro dos princípios de legalidade. O que lhe dava legalidade de operar na terra era sua condição de Filho do Homem, “nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4:4). As ovelhas (raça humana) podem segui-lo porque conhecem a Sua voz. Há muitas vozes no mundo, mas o próprio coração discerne que são vozes de estranhos. Somente a voz de Jesus encontra eco no coração, trazendo esperança e certeza de vida.
Jesus é a porta das ovelhas. Ele disse: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.” (10:9). Se o nascimento físico é a porta de entrada na Terra, o nascimento espiritual é a porta de entrada no Reino de Deus. Jesus queria dizer: “Como bom Pastor, agindo dentro da legalidade Divina, entrei na Terra dos homens pelo nascimento físico a fim de Me tornar a porta de entrada dos homens no Reino de Deus, pelo nascimento espiritual.” (10:9). Quem entrar por essa porta será salvo e encontrará “pastagens,” isto é, toda a provisão de que precisa.
Jesus é o Bom Pastor. O verdadeiro Pastor que veio para dar vida, vida em abundância (10:10).
O Pastor que, sendo prometido, foi enviado às ovelhas perdidas. No caráter de Pastor, morreu elas ovelhas, resuscitou e dispensa cuidado a cada uma delas. Como Bom Pastor, provê os bons pastos da Sua Palavra e um bom aprisco, a Igreja, para Suas ovelhas. Ele as protege dos seus inimigos, cura suas feridas, restaura suas almas, cuida delas dia e noite para que não se percam, busca-as quando se perdem e vive para elas. Como Bom Pastor:
• Jesus deu-se a Si mesmo em sacrifício para salvar Suas ovelhas: “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a Sua vida pelas ovelhas” (Jo 10:11). Haverá maior expressão de amor e graça? Quem deu a vida, deu tudo. E se Ele nos deu a própria vida, bem algum nos negará.
• Jesus conhece e chama pelo nome cada uma de Suas ovelhas (Jo 10:3) e está atendo à suas necessidades: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem (Jo 10:14). Que segurança saber que nosso Pastor nos conhece pelo nome. No meio de bilhões de criaturas no Planeta, Ele nos chama pelo nome, porquanto é um Pastor pessoal.
• Jesus vai à frente de Suas ovelhas, abrindo o caminho (Jo 10:4). Portanto, Ele mesmo é o primeiro a deparar-se com o que vem ao nosso encontro. Podemos descansar nEle, sabendo que será sempre nossa defesa e proteção. Nada sabemos quanto ao que o futuro nos reserva, mas tendo-O como Pastor que vai adiante de nós, podemos conhecer o descanso da fé.
• Jesus concede vida eterna às suas ovelhas, com a garantia de que nada nem ninguém tem poder de roubar-nos dEle: “Eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai” (Jo 10:28,29).Por tudo isso podemos dizer como Davi: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” Ele é a Esperança para o desesperado; Cura para o ferido; Encorajamento para o desanimado; Força para fraco e desalentado; Refrigério para o cansado; Companhia para o solitário; Fé para o descrente e Vitória par o derrotado.“O Senhor é meu pastor.”
Em toda a Bíblia encontramos Deus usando essa analogia do Pastor e das ovelhas para falar de Seu relacionamento com Seu povo: “Como pastor Ele apascentará o Seu rebanho; entre os Seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no Seu regaço; as que amamentam, Ele as guiará mansamente” (Is 40:11). Quando você diz “meu pastor”, Ele diz “minha ovelha”.
Quando você diz “meu pastor” é um supremo ato de fé; quando Deus diz “minha ovelha”, é um supremo ato da graça.Antes que o Senhor seja o seu pastor, Ele tem que ser o seu Senhor. Você pode ter um relacionamento pessoal com esse Pastor. Se Jesus não é seu Senhor, não é seu Pastor.Ele é o incomparável Pastor. Ele provê às ovelhas tudo que elas necessitam.Cada pastor terreno dá tudo que é necessário para a ovelha. Mas O Grande Pastor não apenas dá o que precisamos, é tudo de que você precisa:
• Se está com sede, Ele é a água da vida;
• Se está com fome, Ele é o pão vivo que desceu do céu e dá vida ao mundo;
• Se está enfermo, Ele á a sua cura;
• Se está aflito e cansado, Ele é o seu descanso;
• Se está perdido, Ele é o caminho;
• Se está em trevas, Ele é a luz;
• Se está morrendo, Ele é sua própria vida;
• Se está em guerra, Ele é sua paz;
• Ele foi, é, e será tudo de que você precisa, seu eterno BOM PASTOR.

Valnice Milhomens


JESUS É REI

TEXTO CHAVE: “No dia seguinte, as grandes multidões que tinham vindo à festa, ouvindo dizer que Jesus vinha a Jerusalém, tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o rei de Israel!” (Jo 12:12,13).

A notícia da ressurreição de Lázaro espalhou-se não só por Betânia, mas também por toda vizinha Jerusalém, despertando curiosidade, fé e oposição “porque muitos, por causa dele, deixavam os judeus e criam em Jesus” (Jo 12:11). Portanto, as grandes multidões que haviam ascendo à Jerusalém para a Festa da Páscoa, ouvindo dizer que Jesus vinha de Betânia a Jerusalém, quiseram aclamá-lo rei. “Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o rei de Israel!” (Jo 12:13). “Hosana ao Filho de Davi! bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!” (Mt 21:9).

Jesus entra em Jerusalém como Rei e Senhor, de acordo com o testemunho de Zacarias: (9:9) “Dizei à filha de Sião: Eis que aí te vem o teu Rei, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, cria de animal de carga” (Mt 21:5). Ao proclamarem “Hosana ao Filho de Davi”eles admitiam e declaravam que Jesus era o Messias. Este título era conhecido entre os judeus como atribuído ao Messias. Ao aclamarem em alta voz “Hosanas,” unidas as duas companhias, na frente e atrás, eles tributavam todo louvor, honra e glória a Ele, desejando-lhe toda prosperidade, felicidade, e segurança. Ainda que como nação, Israel haja rejeitado a Cristo, o povo que ouviu a Sua voz e viu os Seus milagres estava convencido de que Ele era o Rei anunciado pelos profetas.

“Dava-lhe, pois, testemunho a multidão que estava com Ele quando chamara a Lázaro da sepultura e o ressuscitara dentre os mortos; e foi por isso que a multidão lhe saiu ao encontro, por ter ouvido que Ele fizera este sinal” (Jo 12:17,18). Certamente Aquele que tinha poder sobre a própria morte, ao ponto de trazer de volta à vida um morto de quatros dias, só poderia ser o Messias, o Rei.Aquela era sua última visita a Jerusalém, antes de Sua morte. Duas atitudes
opostas contrastam a receptividade dos corações à visitação de Deus na pessoa de Jesus. Por um lado as multidões da entrada triunfal gritam: “Hosanas ao Rei.” Pouco depois as autoridades religiosas gritam: “É réu de morte,” e a turba exige: “Crucifica-o!”
Não importa, contudo, o modo como cada um O viu. O fato é que verdadeiramente Jesus é o Rei de Israel e o Rei de todo o Universo, embora se apresentasse de forma humilde. As Escrituras, que não podem mentir, dão o seu veredicto acerca da pessoa bendita do Rei Jesus:

• Diante de todos estava o cumprimento da profecia de Zacarias: o Rei entrando em Jerusalém montado em um jumentinho.
• Quando do nascimento de Jesus os sábios do Oriente O procuraram convictos de que Ele era o Rei prometido por Deus, e indagavam: “Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo” (Mt 2:2).
• Natanael, os dos primeiros seguidores de Jesus, confessou: “Rabi, Tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel” (Jo 1:49).
• Ele é Aquele de quem Isaías falou: “O governo estará sobre os seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Do aumento do Seu governo e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no Seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos exércitos fará isso” (Is 9:6.7).
• Jesus mesmo confessou, diante de Pilatos, que lhe perguntou: “Logo tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (Jo 18:37).
• Esta é parte de Sua identidade. “No manto, sobre a sua coxa tem escrito o nome: Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19:16).
• Ele é o Filho do Homem, visto por Daniel: “Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído” (Dn 7:13,14).
• Chegará o momento em que Ele assumirá Sua posição, quanto será proclamado: “Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Ap 11:15). E o Seu reinado não terá fim.Naquele dia em Jerusalém, embora fosse reconhecido como Rei, não era o tempo de estabelecer o Reino escatológico visível. O povo, ao aclamá-lo Rei refletia um conceito puramente escatológico, vigente no judaísmo.
Como Deus era o Rei de Israel e após a teocracia reinou através de Davi, restauraria a Casa de Davi através de um descendente seu, o Messias. Os profetas anunciaram a vinda de um descendente de Davi que se assentaria em seu trono e um reino terreno seria estabelecido, como é expresso por Isaías, nos capítulos 9 e 11. Mas o povo foi exilado, retornando depois sem ver o cumprimento de um Reino na história. Isso criou o ambiente favorável a surgir a esperança de uma manifestação apocalíptica de Deus.
A esperança de um Filho do Homem Divino trazendo um reino transcendental. E agora ali estava Jesus, o cumprimento das profecias, mas não no conceito dos mestres do judaísmo. Esse reino escatológico virá, mas antes Jesus veio para estabelecer o Reino de Deus dentro do coração dos homens e ser o Rei e Senhor pessoal.Logo após Jesus ser aclamado Rei alguns gregos pediram para ter um encontro com Ele.
Sua resposta é curiosa: “É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quiser servir, siga-me; e onde eu estiver, ali estará também o meu servo; se alguém me servir, o Pai o honrará. (Jo 12:23-26).Embora estivesse além da compreensão dos Seus ouvintes, Jesus estava revelando os próximos passos no Seu programa de reinado. Ele era o Rei, sim. Para isso nascera. Todavia seu plano passava por abrir o caminho para a redenção dos homens, pela Sua própria morte. Ele não viera para reinar sobre pecadores, mas estabelecer um reino de santos transformados pelo Seu poder. Ele é o “grão de trigo,” a semente de Deus que caiu na terra e morreu. Mas, à semelhança do grão, que ao morrer germina e produz muito fruto, Ele ressurgiu e passou a gerar muitos frutos, isto é, filhos de Deus.
Em outras palavras, Ele veio ao mundo, primeiro, como Filho unigênito de Deus, na forma de Filho do Homem a fim de tomar o pecado deste com todas as suas conseqüências maléficas e levá-los à cruz a fim de abrir o caminho para que os homens nascessem como filhos de Deus, transformados em sua própria natureza. Na qualidade de filhos de Deus, reconhecem a Jesus como seu único Senhor e Rei. O Reino de Deus é, então, residente dentro deles, porque se submetem ao Seu senhorio. Hoje cada pessoa é convidada a ter um encontro pessoal com o Rei, aceitando-O como Senhor, Soberano de sua vida. Isto quer dizer que a vontade do Rei, Sua palavra e os valores do Seu Reino serão abraçados por todos aqueles que reconhecem a Cristo como seu Senhor pessoal.
Estes serão parte do Reino escatológico que há de vir, quando Jesus assumirá o governo dos reinos deste mundo, destruirá a Satanás e porá fim ao mal. Hoje, portanto, nós os que fizemos de Jesus o Rei de nossas vidas, “segundo a Sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça” (2 Pe 3:13). Hoje e sempre Jesus é e será, acima de tudo, o nosso REI E SENHOR, a quem devemos total lealdade e obediência incondicional.

Valnice Milhomens

JESUS É A FONTE DE TODAS AS BÊNÇÃOS

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3).

YHWH é um Deus abençoador. A bênção fala de tudo que é bom e todo bem que procede de nosso Deus amoroso. É o oposto da maldição. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg. 1:17).
A primeira coisa que fez após criar o ser humano foi abençoá-lo (Gn 1:18). “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou…” (Gn 1:27,28a).
Sempre que YHWH estabeleceu uma aliança, a primeira coisa que fez foi abençoar. Ex.: Com Abraão – “De ti farei uma grande nação, e te abençoarei…” (Gn. 12:2).
Sobre todos os filhos de Israel a bênção de YHWH deveria ser proferida todos os dias: “Assim abençoareis os filhos de Israel e dir-lhes-eis: YHWH te abençoe e te guarde… (Nm. 6:23-27).

AS BÊNÇÃOS NA ANTIGA ALIANÇA
Nos termos da aliança entre Deus e o povo de Israel, toda sorte de bênçãos seria a herança dos que andassem em obediência aos seus mandamentos (Deuteronômio 28). “…virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos:” Permanente estado de Bem-aventurança. Onde quer que estiveres: “Bendito serás tu na cidade e bendito serás no campo” (v. 3)
Prosperidade em tudo quanto possuíres. Em tudo o que tiveres. “Bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas” (v. 4).Abundante provisão. Em todo o teu sustento: “Bendito o teu cesto e a tua amassadeira” (v. 5).
Em todos os teus afazeres: “Bendito serás ao entrares e bendito, ao saíres” (v. 6).
Em todas as batalhas, a mais completa vitória: “YWHW fará que sejam derrotados na tua presença os inimigos que se levantarem contra ti; por um caminho, sairão contra ti, mas, por sete caminhos, fugirão da tua presença” (7).
Um depósito de bênção total que te lança no caminho da plena prosperidade: “YWHW determinará que a bênção esteja nos teus celeiros e em tudo o que colocares a mão; e te abençoará na terra que te dá YWHW, teu Deus” (v. 8).
Na posição de propriedade exclusiva de Deus, separado para o Seu uso, louvor e glória: “YWHW te constituirá para si em povo santo, como te tem jurado, quando guardares os mandamentos de YWHW, teu Deus, e andares nos seus caminhos” (v. 9).
Uma posição de dignidade que infunde respeito e temor: “E todos os povos da terra verão que és chamado pelo nome de YWHW e terão medo de ti” (v. 10).
Bênção total: “YWHW te dará abundância de bens no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais e no fruto do teu solo, na terra que YWHW, sob juramento a teus pais, prometeu dar-te” (v. 11). Superabundante provisão: “YWHW te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo e para abençoar toda obra das tuas mãos; emprestarás
a muitas gentes, porém tu não tomarás emprestado” (v. 12).
Posição de liderança. “YWHW te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos de YWHW, teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir” (13).

AS BÊNÇÃOS NA NOVA ALIANÇA
São firmadas em melhores promessasQuando o autor da carta aos Hebreus fala da supremacia do sacerdócio de Cristo, destaca o nível superior da Nova Aliança em Cristo, declarando: “Mas agora alcançou Ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas” (Hb 8:16). Ora, a aliança vem em forma de promessas e as promessas são manifestações de bênçãos. Se as bênçãos apresentada nos termos da antiga aliança são maravilhosas, o que dizer das que Cristo nos garante? Elas excedem em sua abrangência e glória.São conquistadas pelo sacrifício de Jesus na cruzA raiz do problema: O homem precisa da bênção porque se encontra em maldição. Esta é conseqüência do pecado da raça e da transgressão individual, voluntária. Como o homem já nasce em pecado é-lhe impossível garantir uma vida de bênção pela sua simples obediência. Portanto, Deus lidou com a raiz do problema. Enviou Jesus Cristo que, pele sua morte na cruz, “nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito” (Gl 3:13,14).

A solução do problema: Coloque isto no seu coração: Toda a mensagem do Evangelho gira em torno de um único evento histórico: a morte sacrificial de Jesus na cruz. Portanto, quando Paulo diz que Deus nos tem abençoado com toda sorte de bênçãos, apressa-se a concluir: “em Cristo.” Você quer saber o que Ele lhe garantiu por Sua morte? Basta ler as cartas de Paulo e marcar todas as vezes onde aparece a expressão “em Cristo”, “nEle”, “com Cristo”, “por meio dEle”, ou similares. Não há bênção que não lhe esteja garantida nEle. Pode levantar-se, lançar para trás o passado de maldição e correr para os braços de Jesus que, por Seu amor e graça, já lhe garantiu acesso à fonte inesgotável de todo o bem: Ele mesmo.

O SIGNIFICADO DA MORTE EXPIATÓRIA DE JESUS
Convém entender o que a Bíblia nos ensina sobre onde se encontra o caminho para todas as bênçãos. Lemos em Hebreus 10:14: “Porque com uma só oferta (sacrifício) tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados.” Há aqui duas palavras poderosas combinadas: “aperfeiçoado” e “para sempre “. Juntas elas apontam para o sacrifício que compreende cada necessidade de toda a raça humana. Seus efeitos se estendem através dos tempos e se projetam na eternidade. É na base desse sacrifício que Paulo declara: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas
necessidades em glória, por Cristo Jesus. (Fp 4:19). “Cada uma das necessidades ” abrange a libertação que você procura de toda maldição e a experiência de “toda sorte de bênçãos” em Cristo. Nunca esqueça: Somente em Cristo, a Fonte permanente de toda bênção espiritual, emocional, volitiva, física, familiar, financeira… Nomeie-se.

Um Princípio EternoDeus não proveu muitas diferentes soluções para a multidão de problemas da humanidade. Em vez disso, Ele nos oferece uma toda suficiente solução, a qual é Sua resposta para cada problema. Para receber a solução de Deus e entrar em Seu rido inesgotável de bênçãos, todos precisamos percorrer o mesmo caminho que nos abriu, e chegar ao mesmo lugar: a cruz de Jesus.Um Problema Crônico: A Iniqüidade Isaías fala de um “servo do Senhor ” (53:10) cuja alma deveria ser oferecida a Deus como oferta pelo pecado. Os escritores do Novo Testamento o identificam como sendo Jesus. O propósito divino cumprido pelo Seu sacrifício é sintetizado em Isaías 53:6: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas YWHW fez cair sobre Ele a iniqüidade de nós todos. (Isaías 53:6).

Aqui está um problema básico universal da humanidade: temos seguido nosso próprio caminho. Em assim agindo, voltamos nossas costas a Deus. A palavra que sintetiza isso é avon, traduzido aqui por iniqüidade. A palavra portuguesa mais próximo seria rebelião contra Deus. Mas avon descreve não meramente a iniqüidade, porémtambém a punição ou más conseqüências que a iniqüidade traz consigo. Em seu sentido mais abrangente avon significa não simplesmente iniqüidade, mas também todas as más conseqüências que o juízo de Deus traz sobre a iniqüidade.

UMA TROCA SEM IGUAL
Isso se aplica ao sacrifício de Jesus na cruz. Ele não era culpado de pecado. “… nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca” (Is 53:9). Mas o versículo 6 declara: “…mas YHWH fez cair sobre Ele a iniqüidade (avon) de nós todos” (Is 53:6). Jesus não apenas foi identificado com nossa iniqüidade. Ele também suportou todas as más conseqüências daquela iniqüidade.

Aqui está o verdadeiro significado e propósito da cruz. Uma troca Divina teve lugar. Primeiro, Jesus suportou em nosso lugar todas as más conseqüências que eram devidas à nossa iniqüidade, satisfazendo a justiça Divina. Agora, em troca, Deus nos oferece todo o bem que era devido à obediência sem pecado de Jesus.Em poucas palavras, o mal que nos era devido veio sobre Jesus para que, em troca, o bem da vida de Jesus nos pudesse ser oferecido. Deus é capaz de oferecer isso sem comprometer sua justiça eterna, porque Jesus suportou em nosso lugar todo justo castigo devido à nossa iniqüidade. Tudo isso provém exclusivamente da indizível graça de Deus e é recebido exclusivamente pela fé.As Escrituras revelam muitos diferentes aspectos da troca, e muitas diferentes áreas às quais ela se aplica. Em cada caso, no entanto, está claro o mesmo princípio: o mal veio sobre Jesus para que o bem correspondente pudesse nos ser oferecido.

BÊNÇÃOS GARANTIDAS PELA TROCA DO CALVÁRIO
Está estabelecido um princípio: Toda bênção que recebemos de Deus está firmada no direito legal garantido por Cristo na cruz. Nada merecemos, senão a condenação e a morte eterna. Mas Cristo sofreu tudo isso em nosso lugar a fim da abrir o caminho de volta ao lugar da bênção, junto ao coração do Pai. Tudo pela troca desigual, mas graciosa. Os dois primeiros aspectos dessa troca são revelados em Isaías 53: “Verdadeiramente Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas Ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo (punição) que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras (feridas) fomos sarados. (Isaías 53:4-5).Duas verdades: uma física e outra espiritual. No plano espiritual, Jesus recebeu a punição devida às nossas transgressões. Ele foi condenado, para que pudéssemos ser perdoados e ter paz com Deus (Rm 5:1).

No plano físico, Jesus levou nossas doenças e dores para que através de Suas feridas sejamos sarados. A aplicação física da troca é confirmada em duas passagens do Novo Testamento. Ambas se referem à Isaías 53: 5-6: “E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e Ele com a sua palavra expulsou dEles os espíritos, e curou todos os que estavam enfermos; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças (Mt 8:16-17). Levando Ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. (1 Pe 2:24).A dupla troca descrita nesses versículos pode ser sintetizada nos duas primeiras bênçãos do “Calvário”.
1. Jesus foi punido para que sejamos perdoados.
2. Jesus foi ferido, para que sejamos sarados.O terceiro aspecto da troca é revelado em Isaías 53:10: “quando der Ele a sua alma como oferta pelo pecado. ” Na cruz, o pecado de todo mundo foi transferido para a alma de Jesus. O resultado é descrito no verso 12: “porquanto derramou sua alma na morte” Pela sua morte sacrificial e substituta, Jesus fez expiação pelo pecado de toda a raça humana. Em 2 Coríntios 5:21 Paulo se refere a Isaías 53:10 e ao mesmo tempo apresenta o aspecto positivo da troca:
“Àquele que não conheceu pecado, Deus O fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5:21). E aqui está a terceira bênção:
3. Jesus foi feito pecado com a nossa pecaminosidade, para que nos tornemos justos com a Sua justiça. O próximo aspecto da troca é o seguimento lógico daanterior. Toda a Bíblia enfatiza que o resultado do pecado é a morte. Ezequiel 18:4 declara: “a alma que pecar, essa morrerá ” Tiago 1:15 declara “o pecado uma vez consumado, gera a morte. ” Quando Jesus se identificou com nosso pecado, era inevitável experimentar a morte, que é o resultado do pecado. Hebreus confirma isso, dizendo: “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (Hb 2:9).A morte que Ele morreu é o resultado inevitável do pecado humano que Ele tomou sobre Si. Ele levou o pecado de todos os
homens, então morreu a morte que era devida a todos os homens. Em troca, Jesus agora oferece o dom da vida eterna aos que aceitam seu sacrifício substituto. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 6:23). E eis a gloriosa quarta bênção:
4. Jesus morreu nossa morte para que vivamos Sua vidaUm quinto aspecto da troca é apresentado por Paulo em 2 Coríntios 8:9: “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis.”Quando Ele se fez pobreza? Muitos O descrevem vivendo pobre durante todo Seu ministério, o que não é correto. Ele não carregava muito dinheiro, mas nunca teve falta. Quando Ele enviou Seus discípulos, nada lhes faltou (Lc. 22:35).
Longe de ser pobre, Ele e Seus discípulos adotaram uma prática regular de dar aos pobres (Jo 12:4-8; 13:29). Podia usar métodos não convencionais, como tirar dinheiro do peixe e multiplicar pães e peixes, mas Ele sempre teve tudo que Ele necessitava para fazer a vontade de Deus em Sua vida.Portanto, quando Ele Se tornou pobre? Na cruz.
Moisés sintetiza a pobreza absoluta em quatro expressões, em Deuteronômio 28:48: fome, sede, nudez e falta de tudo. Jesus provou isso em sua plenitude na cruz:
 Ele estava com fome. Não comeu por quase 24 horas;
 Ele estava com sede. Uma de suas últimas palavras foi: “tenho sede” (Jo. 19:28);
 Ele estava nu (Jo 19:23);
 Faltava-lhe tudo. Quando morreu foi sepultado em pano e túmulo emprestados (Lc 23:50-53).Em 2 Coríntios 9:8 Paulo apresenta mais completamente o lado positivo da troca: “E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra.” Reveladora a quinta bênção:
5. Jesus se tornou pobre com nossa pobreza, para que nos tornemos ricos com Suas riquezas; A troca da cruz cobre também o sofrimento emocional resultante da iniqüidade do homem. Duas das feridas mais cruéis são a vergonha e a rejeição.
Ambas vieram sobre Jesus na cruz. A vergonha pode variar da intensidade do embaraço agudo a um senso de indignidade que corta uma pessoa de uma comunhão significativa com Deus ou com o homem. Uma das causas mais comuns é alguma forma de abuso sexual ou molestação na infância. Freqüentemente isto deixa marcas que só podem ser
curadas pela graça de Deus. Falando de Jesus na cruz, o escritor dos Hebreus diz: “Ele suportou a cruz, não fazendo caso da vergonha…” (Hb 12:2). A execução na cruz era a mais vergonhosa forma de morte, reservada aos mais baixos criminosos. A pessoa era completamente despida e assim exposta aos que passavam e zombavam dela. Esse foi o grau da vergonha que Jesus suportou pendurado na cruz (Mt 27:35-44). O propósito de Deus é trazer aos que confiam nEle Sua glória eterna. “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” (Hb 2:10).A vergonha que Jesus suportou na cruz abriu o caminho para todos quantos confiam nEle ser liberados de sua própria vergonha. Não somente isso, mas Eles podem compartilhar da glória que Lhe pertence por direito eterno.Outra ferida ainda mais agonizante que a vergonha e a rejeição. Normalmente ela procede de relacionamentos quebrados. Pode começar na infância pelos próprios pais. A rejeição pode ser ativa, expressa em dureza, modos negativas, o pode ser simplesmente um fracasso em mostrar amor e aceitação. Se uma mulher grávida entretém sentimentos negativos em relação ao bebê no útero, a criança provavelmente nascerá com senso de rejeição, o qual poderá acompanhá-lo por toda a idade adulta e até a sepultura. A provisão de Deus para a cura da ferida da rejeição é registrada em Mateus 27: 46,50, que descreve o clímax da agonia de Jesus:
“E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? … E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito”.Jesus identificou-Se tanto com a iniqüidade do homem que a santidade de Deus o levou a rejeitar Seu próprio Filho. Deste modo Jesus suportou a rejeição da forma mais agonizante: Rejeição do próprio Pai. Quase imediatamente depois disso, Ele morreu, não das feridas da crucificação, mas de um coração quebrado. Ele cumpriu assim o quadro profético do Messias dada no Salmo 69:20: “Afrontas me quebrantaram o coração, e estou fraquíssimo; esperei por alguém que tivesse compaixão, mas não houve nenhum; e por consoladores, mas não os achei.” Mateus continua imediatamente: “Eis que o véu do tempo se rasgou de alto a baixo.” Isso demonstra simbolicamente que o caminho havia sido aberto para que um homem pecador pudesse entrar em comunhão direta com um Deus Santo. A rejeição de Jesus abriu caminho para sermos aceitos por Deus como Seus filhos, vertade tão bem sintetizada por Paulo:“E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado” (Ef 1:5-6).E dessa realidade brotam duas bênçãos de graça, que tocam os dois aspectos emocionais da troca do Calvário:
6. Jesus levou nossa vergonha para que compartilhemos da Sua glória;
7. Jesus suportou nossa rejeição para que tenhamos Sua aceitação como filhos de Deus.Conclusão: Os sete aspectos analisados cobrem as necessidades mais básicas do homem. Não há necessidade resultante da rebelião do homem que não seja coberto pelo mesmo princípio de troca: o mal veio sobre Jesus para que o bem nos fosse oferecido. Uma vez que aprendemos a aplicar este princípio em nossas vidas, a provisão de Deus será liberada para cada necessidade. Só temos que estender o braço da fé e receber a dádiva de amor que expressa quão grande é o amor o Pai, quão abrangente a Sua redenção e quão profunda a obra do Calvário.Qual a bênção pela qual hoje seu ser suspira? Absolutamente nada lhe será negado em Cristo. Venha à FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, pois o de que você realmente precisa é de JESUS. Nele toda sorte de bênção, por causa da cruz se torna seu direito.Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? (Rm 8:32).

Valnice Milhomens

JESUS É A VIDEIRA VERDADEIRA

TEXTO CHAVE: “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (Jo 15:5).
O cenário do capítulo 15 do Evangelho de João foi possivelmente o caminho entre o Cenáculo e o Getsêmani, após a última Ceia. Jesus apresenta-se desta vez usando uma nova figura: a Videira. Poucos instantes antes Ele usara o fruto da videira, o vinho, para celebrar a Ceia e trazer à tona o significado que estava oculto no cálice usado a cada Páscoa. Ele representava o Seu sangue que seria derramado dentro de poucas horas para selar a nova aliança prometida pelos profetas. Este sangue seria a oferta pela remissão dos nossos pecados.Ao apresentar-se como a Videira, e os discípulos como as varas, Ele fala do nível da íntima relação que deveria existir entre Ele e Seus discípulos. A ligação destes com Jesus se assemelha à ligação existente entre um galho e a árvore da qual ele brota. Os galhos não têm vida própria. Eles são a extensão da árvore.
• A vida que corre nos galhos é a seiva que vem das raízes e penetra toda a árvore;
• Os frutos que os galhos produzem são os frutos da árvore;
• A natureza do fruto produzido é a expressão da própria árvore.Aqui está o espírito da aliança. Os aliançados têm uma vida em comum. “Tudo o que é teu é meu, e o que é meu é teu.”
A refeição da última Ceia tornara-se uma refeição memorial, a refeição da aliança. Era costume usar-se o pão e o vinho no estabelecimento de alianças. O cerimonial queria dizer: “Tua vida entra na minha e minha vida entra na tua.” Ora, quando Jesus instituiu a Ceia, simbolicamente Ele estava tomando sobre Si tudo quanto pertencia ao homem. O que este tinha? Dívidas: Pecado, maldição e morte. Mas por causa da aliança, Jesus sai do local da Ceia determinado a pagar essas dívidas com Sua própria vida, derramando Seu sangue em nosso lugar, para dar-nos Sua própria vida e tornar-nos participantes do que é Seu. Ao declarar: “Eu sou a videira; vós sois as varas,” Jesus quer firmar conceitos de aliança e revelar a profundidade da nova liança que Ele está estabelecendo com o homem. Como Videira,
• Ele é a origem e a fonte da vida de cada discípulo (galho). Este não tem vida própria. Ele nasceu e se nutre de Quem lhe deu origem.
• Dele flui a seiva para todo o Corpo de discípulos. Ainda que muitos, todos recebem da mesma fonte.
• Os discípulos são parte dEle mesmo. Como não se pode separa o galho da árvore, o discípulo é parte integrante da Videira, Jesus.
• Os frutos produzidos pelos discípulos refletem a Sua natureza. Como não pode o galho de uma mangueira produzir bananas, o discípulo em Cristo não pode produzir frutos contrários à Sua natureza, pois o fruto atesta a natureza da arvore.Duas palavras são centrais nesta revelação de Jesus: “Permanecer” e “fruto.” Por cinco vezes Ele se refere a “frutos” e por dez vezes usa o verbo “permanecer,” sendo que cinco delas fala da permanência nEle. Permanecer em Cristo fala da importância da comunhão com Ele. Quem nasceu de Cristo deve viver ligado a Ele através de uma íntima e constante comunhão.
• “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós” (v. 4a). Só teremos tudo de Cristo quando Ele tiver tudo de nós. Se os nossos corações permanecerem a Ele ligados por uma comunhão de amor, Ele também permanecerá ligado a nós nesta comunhão.
• “Como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim” (v. 4b). É uma questão de lógica. Galho cortado da árvore é galho morto. Não tem vida, logo não pode dar fruto. A ausência de comunhão com Cristo leva o crente à esterilidade espiritual.
• “Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (v. 5). Viver em constante comunhão com Cristo é a condição para uma vida frutífera. Comunhão quer dizer ter coisas em comum. Andar em Sua presença. Viver de acordo com os padrões e valores de Sua palavra.
• “Quem não permanece em mim é lançado fora, como a vara, e seca; tais varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas” (v. 6). Que ninguém se iluda. Ser membro de uma Igreja chamada cristã não garante a salvação. Ser batizado, participar da Ceia do Senhor, freqüentar reuniões cristãs, nada disto garante a salvação. A maior evidência de que alguém é um discípulo de Cristo é a permanência nEle. Sem ela seu destino é o inferno.
• “Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será feito” (7). Esta é a expressão da aliança. É como se Ele dissesse: “Estabeleci contigo uma aliança. Tudo o que era teu tornou-se meu. Mas o que tinhas era pecado, maldição e morte. Tudo isto tomei e destruí pelo poder de minha morte, sepultura e
ressurreição. Agora tudo o que é meu te está disponível. Enquanto vives comigo, atentando para minha Palavra, obedecendo-a, tens acesso aos meus tesouros de graça e tudo quando for necessário está ao teu alcance pelo simples veículo da oração.”
Quando pensamos em termos de aliança assombramo-nos com a grandeza do amor de Deus revelado em Cristo. Eu só tinha dívidas; Ele só tinha bens. Eu era todo pecado; Ele todo justiça.
Ele não tinha do que morrer; eu não tinha do que viver. Todavia, o amor que expressa Sua natureza, a essência do Seu, é a grande motivação para Jesus estabelecer conosco uma aliança de amor. Por causa dela Ele se fez pecado, doença, maldição e morte para dar-me Sua justiça, saúde, bênção e a própria vida. Agora Ele nos informa e nos convida à permanência neste imensurável, indescritível AMOR que nos levará à plenitude do gozo que só a permanência nEle pode proporcionar:
“Como o Pai me amou, assim também Eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Estas coisas vos tenho dito, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo. (Jo15:9-11).

Valnice Milhomens

JESUS É O MESTRE DIVINO 

TEXTO CHAVE: “Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazerestes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3:2).
Ao lado do título “Filho do Homem,” “Mestre” é um termo usado com freqüência nos Evangelhos para Jesus, destacando o caráter de formação e ensino da Sua mensagem. Há pelo menos 53 referências nos Evangelhos a Ele como Mestre. Em Seu último encontro com os discípulos, antes de ser preso e morto, à mesa da última ceia, Ele afirmou ser Mestre, e que o
método predominante do Seu ensino é, sobretudo, o exemplo. Ele declarou: “Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se Eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo: Não
é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes” (Jo 13:13-17).
Embora o ministério de ensino de Cristo durasse só três anos e meio, durante esse tempo Ele mostrou que era o Mestre dos mestres do mundo. Realizou grandes milagres e ensinou uma nova maneira de vida. Seu ensino era simples. Usou palavras que as pessoas comuns podiam entender, e tomou Suas ilustrações das coisas com as quais Seus ouvintes eram familiares.
Muitos dos Seus princípios foram expostos em parábolas. Uma parábola é uma história verdadeira sobre a vida com um significado especial. Mas as coisas que Jesus ensinou são mais importantes que Seus métodos. Deu-nos uma maneira completa de vida, que Ele resumiu em uma sentença: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7:12).
O capítulo três do Evangelho de João apresenta Jesus como “Mestre vindo de Deus,” nas palavras de Nicodemos: “Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3:2). Neste capítulo encontramos o grandioso ensino sobre o novo nascimento como condição para alguém entrar no Reino de Deus. Nicodemos, sendo mestre em Israel, não conseguia compreender o significado profundo do ensino de Jesus, porque Ele trazia uma sabedoria não convencional.
O ensino de sabedoria de Jesus toma duas formas: Aforismos e parábolas. Um aforismo é uma sentença concisa que expressa uma verdade ou princípio moral em poucas palavras.
Exemplo: “Se um cego guiar outro cego, ambos cairão no buraco.” Tanto os aforismos como as parábolas são formas evocativas e provocativas do discurso. Mais importante ainda, são formas convidativas de discurso. Convite a ver algo que você não veria de outro modo; um convite a ver de forma diferente.Jesus, como Mestre, nos convida a ver tudo por outro ângulo, o Seu. Ver é central ao ensino de sabedoria de Jesus. Como você vê, faz toda a diferença. O que Jesus convida as pessoas a verem? Como é esta maneira diferente de ver? Qual é a visão diferente da vida para a qual Jesus aponta e para a qual Ele convida Seus ouvintes?
O ensino da sabedoria de Jesus mina e subverte os limites sociais gerados pela sabedoria convencional dos seus dias e dos nossos. O ensino de Jesus aponta para o mundo de sabedoria convencional como um mundo de cegueira. Seus aforismos e parábolas nos convidam a ver de forma diferente. Exemplo: Sabedoria Convencional e Sabedoria de Jesus, Deus é punitivo, legislador e juiz Deus é gracioso e salvador.
O valor da uma pessoa é determinado pela medida dos padrões sociais Todas as pessoas têm valor infinito como filhas de DeusOs pecadores e párias devem ser evitados e rejeitados. Todo o mundo é bem-vindo à mesa no Reino de Deus.
A identidade de alguém vem das tradições sociais. A identidade de alguém vem de centrar-se no sagrado do relacionamento com Deus.
Esforce-se por ser o primeiro O primeiro será o último…; os que se exaltam serão esvaziados…
Preserve a própria vida acima de tudo O caminho da morte para o eu e do renascimento leva à vida abundante. A fonte de sabedoria alternativa à sabedoria convencional vem de Jesus. Perguntas se levantam: De onde vem essa sabedoria? Por que Ele vê da maneira que Ele vê? Por que Ele fala da sabedoria convencional como cegueira? Como Ele conhece a sabedoria alternativa?
Jesus mesmo é a fonte de toda sabedoria. A razão porque Ele vê de forma diferente é porque conhece de forma diferente. A mudança radical na perspectiva que caracteriza o ensino de sabedoria de Jesus vem de uma experiência radicalmente diferente da realidade; é a experiência que procede do Espírito de Deus. O caminho palmilhado por Jesus, e ao qual convida Seus ouvintes a trilhar, é um caminho radicalmente centrado em Deus e não na sabedoria deste mundo. Seus próprios adversários tiveram que confessar:“Mestre, sabemos que és verdadeiro, e que ensinas segundo a verdade o caminho de Deus, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens” (Mt 22:16).

Portanto, hoje podemos ouvir e aceitar o convite de Jesus: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas” (Mt 11:29).
• Aprender o caminho do novo nascimento para entrar no Reino de Deus (Jo 3:3);
• Aprender a crer nos ensinos de Jesus sobre as coisas celestiais (Jo 3:12);
• Aprender a abraçar o amor de Deus que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3:16);
• Aprender a crer em Jesus e ser salvo por Ele (Jo 3:17);
• Aprender que “é necessário que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:30);
• Aprender que Jesus é “Aquele que vem do céu e é sobre todos,” Senhor nosso (Jo 3:31);
• Aprender a crer que Jesus “que Deus enviou fala as palavras de Deus; porque Deus não dá o Espírito por medida. O Pai ama ao Filho, e todas as coisas entregou nas Suas mãos” (Jo 3:34,35);
• Aprender e viver o fato de que “quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém,desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3:36).
Hoje escolhemos o caminho do discípulo que anda nas pegadas do MESTRE DIVINO, e que a cada dia afina os ouvidos à Sua voz para aprender dEle; assim nossa alma viverá o descanso da fé, manifestando em nós Sua própria vida e caráter, porque o discípulo é aquele em cuja vida o Mestre se reproduz.

Valnice Milhomens

JESUS É A LUZ DO MUNDO

TEXTO CHAVE: “Importa que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo (Jo 9:4,5).
O capítulo nove de João apresenta Jesus como “a Luz do Mundo” que tem poder para abrir os olhos dos cegos, até mesmo de nascença. No capítulo oito Ele já havia declarado ser a Luz do mundo. Ele dissera isto logo após o incidente da mulher apanhada em adultério e levada a Jesus para saber qual seria sua posição em relação à lei de Moisés nesses casos: que fosse apedrejada.

Diante do farisaísmo dos acusadores e da vergonha da pecadora, Jesus libera Sua palavra de misericórdia: “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem Eu te condeno; vai-te, e não peques mais” (Jo 8:10,11).

Este é o momento preciso em que Jesus se apresenta como Luz, declarando: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8:12). A que trevas se referia? Do pecado, da religiosade vã, da distância de Deus. O pecado lançou o homem em trevas espirituais, mas ali estava “a verdadeira Luz que alumia todo homem” (Jo 1:9).
Na bela figura usada por Mateus, “o povo que estava sentado em trevas viu uma grande luz; sim, aos que estavam sentados na região da sombra da morte, a estes a luz raiou” (Mt 4:16). Agora Jesus vai pelo caminho e depara-se com um cego de nascença, que nunca tivera o privilégio de ver a luz do dia. Aquela era uma condição meramente física, mas que pode bem retratar o estado espiritual do homem em seu pecado, sem jamais ter provado o gozo de andar na Luz da revelação Divina, do conhecimento e da comunhão com o Seu Criador. O Mestre pára e decide, movido por Seu amor e graça, mudar o destino daquele cego, realizando em seus olhos que nunca viram a luz do dia um milagre criador.
Jó pergunta: “Por que se dá luz ao miserável, e vida aos amargurados de ânimo? Por que se dá luz ao homem, cujo caminho é oculto, e a quem Deus o encobriu?” (Jó 3:20,23). Talvez aqui caiba a pergunta: “Por que dar luz ao cego que nem sequer sabia quem era Jesus?” Os olhos são uma parte do corpo da mais elevada relevância. O que não dará alguém por seus olhos? Jesus curara muitos cegos, mas aqui realiza um extraordinário milagre. Não se trata da cura de uma enfermidade, mas de um milagre.

O homem nascera cego. Havia uma deformidade na formação do seu corpo no ventre materno. Mas Jesus realiza o milagre:

• Para que nele se manifestem as obras de Deus (Jo 9:3).
• Para dar um exemplo do Seu poder tocando os casos mais desesperadores e que nada, nem ninguém, poderia solucionar.
• Para expressar Sua graça aos pecadores, dando visão aos que por natureza eram cegos.Jesus conversa com Seus discípulos sobre o que o motiva a fazer algo por aquele cego, dizendo: “Importa que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” (Jo 9:4,5).
• Era a vontade do Pai que Ele fosse ao encontro dos homens em suas necessidades;
• As obras que Jesus fazia eram as obras do próprio Pai;
• Ele tinha prazer em devotar-se àquela obra. “Importa.” Ele engajou seu coração na obra da redenção, criando oportunidades para levar Sua luz, tanto aos cegos físicos, quanto aos espirituais.Analisando a história deste cego de nascença, é fácil descobrir que, não apenas seus olhos físicos se abriram para contemplar as obras da criação, mas também seus olhos espirituais foram iluminados e ele foi discernindo a identidade de Jesus. Como a descrição do justo que é “com a luz da aurora, que vai brilhando cada vez mais até ser dia perfeito” (Pv 4:18), aquele ex-cego foi sendo conduzido pela luz interior a ver Jesus de forma cada vez mais nítida até que O reconheceu como Deus e caiu aos Seus pés em adoração.
• Sua primeira visão de Jesus foi superficial. Apenas um homem: “O homem que se chama Jesus fez lodo, untou-me os olhos, e disse-me: Vai a Siloé e lava-te. Fui, pois, lavei-me, e fiquei vendo” (9:11).
• Com um pouco mais de reflexão, diante da pergunta: “Que dizes tu a respeito dele, visto que te abriu os olhos? E ele respondeu: É profeta” (9:17). No momento era o máximo que poderia ver: Um profeta, certamente. Embora homem, detentor de uma habilidade sobrenatural.
• Em meio à discussão acerca da identidade de Jesus e a acusação de que Ele estava pecando por o ter curado em um sábado, o ex-cego tem dificuldade de ver nEle um pecador, e declara: “Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego, e agora vejo” (9:25). Falava a voz da experiência.
• Confrontado pelos inimigos de Jesus que diziam não saber de onde Jesus era, esse homem revela quanto seu coração estava iluminado pela revelação Divina e declara enfaticamente que Jesus procedia do Pai: “Nisto, pois, está a maravilha: não sabeis donde Ele é, e entretanto Ele me abriu os olhos; sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém for temente a Deus, e fizer a sua vontade, a esse Ele ouve. Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer” (9:30-33).
Encontrando-se novamente com Jesus, podendo agora contemplá-lo com seus olhos, diante da pergunta da Luz do Mundo: “Crês tu no Filho do homem?” (9:35), ele não tem dúvidas. Não somente confessa em Jesus a sua fé, mas também O adorou (9:38). Jesus era o cumprimento de tudo quanto os profetas disseram. Mais ainda: Era a resposta para todos os anseios do seu coração. Mesmo não podendo compreender com sua mente humana quem esse extraordinário homem; Não sabendo argumentar teologicamente com os fariseus, seu coração é invadido pela Luz de Cristo e responde de forma adequada Àquele que está diante dos seus olhos e é a própria Vida “e a Vida era a Luz dos homens” (Jo 1:4).

Valnice Milhomens

CONFISSÃO PESSOAL DE QUEM É JESUS CRISTO

Quando Jesus estava prestes a subir a Jerusalém, onde seria morto, sepultado e ressurreto, levou os Seus discípulos a um retiro em Cesaréia de Filipe (Mt 16:13), junto ao Monte Hermon. Ali interrogou os Seus discípulos a respeito de Sua identidade: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas. Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16:13-16).
Por que Jesus fez tal pergunta e que significado se esconde atrás da confissão de Pedro?
Respondemos estas perguntas com uma transcrição extraída de nossa dissertação sobre “A Igreja de Jesus Cristo: Uma abordagem de sua natureza, missão, estrutura e liderança” (pg. 30, 31):“Quem dizeis [vós mesmos] que Eu sou?”(Mt 16:5) Por trás das palavras de Jesus está um significado espiritual de conseqüências eternas. É como se Ele diz:
“Amados discípulos, deveis ter uma visão clara e convicção acerca de Minha identidade, porque Eu só posso ser para vós o que fordes capazes de ver em Mim. O nível do nosso relacionamento é proporcional ao nível da revelação que tendes sobre Quem Eu sou. Olhai em meus olhos, examinai as profundezas dos vossos corações, e confessai-Me: Quem sou Eu para vós? Mais tarde sereis confrontados; não por Mim, mas pelo mundo. O próprio inferno buscará negar minha real identidade diante dos vossos olhos. Portanto, precisais hoje adquirir uma inamovível convicção que vos susterá quando não mais vereis meu rosto aqui na Terra, dele guardando apenas a lembrança.”
A resposta de Pedro tem atrás de si a certeza do cumprimento de muitas profecias. É como se dissesse:“Jesus, Tu és o Renovo cheio da beleza e da glória de Yahweh (Is 4:2) decantado pelos profetas Isaías e Jeremias. “Tu és o ‘Justo Renovo, e reinarás como Rei e procederás sabiamente, executando a justiça e retidão na terra’(Jr 23:5). “Tu és o Profeta proclamado por Moisés em cuja boca estão as palavras de Yahweh (Dt 18:18).“Tu és a Pedra Angular anunciada pelo Salmista (Sl 118:22), rejeitada pelos edificadores, mas a única que pode dar fundamento sólido.“Tu és a Estrela procedente de Jacó; o Cetro que se levantou (Nm 24:17), vista e anunciada por Balaão; és o desejado de todas as nações em Quem ‘tanto as ilhas como regiões costeiras esperançosamente aguardarão (Is 42:4).’“Tu és ‘a Raiz de Jessé que repentinamente surgirá, Aquele que se levantará para reinar sobre as nações; os Gentios em Ti esperarão’ (Rm 15:12).
“Yehoshua, como Teu nome proclama, Tu és a salvação de Yahweh, Deus mesmo caminhando em nosso meio como Filho do Homem. Como tal, Tu és a porta para o Pai, a Ressurreição e a Vida, o Alfa e o Ômega, o Apóstolo da nossa confissão, o Autor da nossa Salvação, o Leão da Tribo de Judá, nossa única Esperança. Acima de tudo, Tu és o Filho do Deus vivo, Sua verdadeira expressão feita carne, Emanuel, Deus conosco, tudo por que nosso ser suspira!”Quem é Jesus para você? Você só terá dEle o que for capaz de ver nEle.

 Valnice Milhomens